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O ilusionista dos pincéis

Redação DM

Publicado em 4 de junho de 2018 às 04:40 | Atualizado há 1 ano

O apelo ao sensível, ao en­cantado, e ao intocável, são os principais super pode­res de Burne-Jones, responsável pela contato mágico entre o pú­blico e suas pinturas. O pintor vi­veu entre os anos de 1833 e 1898 (morreu no dia 17 de junho, aos 64 anos), e é conhecido principal­mente por seus quadros de cono­tação religiosa, criados através de cores vibrantes e de impressionan­te direção de cena. O artista é con­siderado um grande influenciador das artes francesas, principalmente entre os simbolistas do fim do sé­culo XIX. Também inspirou poetas como Swinburne. A obra de Burne­-Jones passou grande parte do sé­culo XX relegada ao esquecimento, até passar por uma redescoberta durante a década de 1970.

De acordo com Judith Flanders, em artigo para o jornal britânico The Telegraph, Burne-Jones foi o últi­mo dos Pré-Rafaelitas, e expressou como poucos o que era o imaginá­rio da Inglaterra no período Vito­riano (correspondente ao reinado da Rainha Victória, que durou de 1837 a 1901). O espírito reformista do pintor era traduzido nas cenas que criava. “Ele era o pintor da ima­ginação”, afirma Flanders. “Daquilo que deveria ter sido mas nunca foi, das donzelas sonhadoras e belas adormecidas”. A autora reitera que Burne-Jones cresceu em um perío­do de grandes mudanças. “Nasceu na Revolução Industrial, em Bir­mingham, internalizada no ethos Vitoriano do trabalho pesado e dos propósitos moralistas.

A autora descreve Burne-Jones como uma espécie de ilusionista munido de técnicas bastante par­ticulares. “Sua personalidade era igualmente fluida: ele era um en­cantador que algumas vezes pare­cia mentalmente ausente, um gra­cejador prático da sensibilidade hiperdesenvolvida”. Para entender o trabalho de Jones, nada melhor do que suas próprias palavras, es­critas em uma carta para um ami­go. “Quero dizer a beleza através de uma pintura, sonho românti­co ou algo que nunca aconteceu e nunca acontecerá–em uma ilu­minação melhor do que qualquer luz possível–em um lugar onde ninguém pode definir ou lembrar, apenas desejar–e as formas divi­namente belas–e depois eu acor­do, com o despertar de Brunilda [mitologia nórdica]”.

IRMANDADE

Em meados da década de 1840, um grupo de poetas, pin­tores e críticos ingleses denomi­nado Irmandade Pré-Rafaelita. O grupo visava reviver traços artísti­cos do período pré-renascentista, rejeitando a influência de pinto­res como Michelangelo e Rafael, que segundo o grupo, aproximou a arte de técnicas mecanicistas. Os membros da irmandade acre­ditavam que as poses clássicas e elegantes adotadas por Rafael Sânzio veio a tornar-se uma in­fluência corrupta à arte acadê­mica. Por esse motivo, adotaram o termo Pré-Rafaelita para no­mear o grupo. O retorno de deta­lhes abundantes é uma das mar­cas da irmandade, assim como as cores intensas e as composições complexas que marcaram a arte italiana do século XV.

O século XIX colocou o meio artístico em uma imersão reviva­lista do Romantismo, movimen­to artístico que dominou a Euro­pa no fim do século XIV. Existia uma ambição entre os pré-rafae­litas em devolver à arte sua pu­reza – existente, segundo eles, no período medieval. O grupo trabalhava com conceitos como pintura histórica, mimesis e imi­tação da natureza como uma proposta central de sua arte. De­finiam-se como um movimento de reforma, criaram um nome distinto para sua forma de arte, e publicaram um periódico cha­mado The Germ (janeiro-abril de 1950) para promover suas ideias. William Rossetti expressou o es­pírito do movimento: “Ideias ge­nuínas, estudo atencioso da na­tureza, simpatia ao sério e direto, e o mais importante: pinturas e estátuas primorosas.

Duas vertentes principais fo­ram identificadas no movimen­to. Alguns artistas (como Millais e Holman Hunt) destacaram-se re­tratando temas sociais do século XIX, como o materialismo cres­cente, utilizando representações realistas. O segundo grupo, o que mais ganhou destaque (compos­to por Rossetti e Edward Burne­-Jones), esteve mais ligado a te­mas medievais, através de cenas religiosas, carregadas de misticis­mo e visionarismo. As primeiras exibições do grupo tiveram iní­cio em 1849, com trabalhos de Millais (Isabella) e Hunt (Rien­zi) exibidos na Academia Real. No mesmo ano, Rossetti promo­veu uma exposição livre em Hyde Park Corner, importante praça de Londres, de sua peça ‘Infância de Virgem Maria’.


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