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HAN SOLO–UMA HISTÓRIA STAR WARS

Redação DM

Publicado em 26 de maio de 2018 às 00:37 | Atualizado há 1 ano

Marca é marca e ela está acima de qualquer ator. Executivos que­rem fazer seus milhões e irão ex­plorar o que for preciso de seus pro­dutos para isso. “Han Solo–Uma História Star Wars” segue esse pen­samento ao apostar em um filme próprio de um dos personagens mais amados da franquia Star Wars, e que foi imortalizado por Harrison Ford desde o primeiro longa em 1977. Portanto, apostar em um fil­me de um personagem tão impor­tante com outro ator é uma arrisca­do, e muito ceticismo se formou em torno de toda a produção.

Tal ceticismo só aumentou du­rante a conturbada produção de “Han Solo”. Inicialmente, Chris Miller e Phil Lord (“Uma Aventura Lego” e “Anjos da Lei”) foram con­tratados para dirigir. Trabalharam no roteiro, escolheram elenco e fil­maram mais da metade do longa. Mas por desavenças criativas (e sa­be-se lá os outros motivos que nun­ca vamos descobrir), eles foram de­mitidos do cargo pela presidente da Lucas Film, Kathlenn Kenne­dy, em pleno processo de filma­gem. O veterano Ron Howard, ga­nhador do Oscar por “Uma Mente Brilhante”, foi chamado para assu­mir o cargo de diretor e remode­lou todo o projeto ao reescrever o roteiro e refilmar quase todo o fil­me. Sem falar nas polêmicas envol­vendo o ator Alden Ehrenreich, que interpreta Han Solo e que dizem não estava conseguindo encontrar o tom do personagem, e até profes­sor de atuação entrou na equação. Resumo? Os bastidores não esta­vam nada favoráveis e a Disney já premeditava o primeiro fracasso da franquia espacial.

As expectativas mudaram um pouco após o lançamento do pri­meiro trailer. O tom da narrativa anunciava uma aventura mais sim­plória, divertida, e sem a carga dra­mática de um “Os Últimos Jedi”, por exemplo. A recepção foi positiva e Howard conseguia, sutilmente, contornar as polêmicas e criar uma vibe favorável para o filme. Além do jovem Han Solo, Lando Calris­sian–interpretado originalmente por Billy Dee Williams–ganha sua versão mais nova na pele de Do­nald Glover, e Chewbacca retorna como o fiel amigo do protagonis­ta. O roteiro cria uma trama de as­salto com muita fuga e perseguição espacial e apresenta ao público ele­mentos da vida de Solo não conhe­cidos anteriormente.

O resultado final, felizmente, foi mais positivo do que esperava. Ron Howard segue um caminho segu­ro, faz uma matinê sem amarras com os demais filmes e trabalha com segurança, e profundidade, o desenvolvimento da história do protagonista. Ainda que seja per­ceptível as costuras feitas com as refilmagens e mudanças de rotei­ro. A falta de um vilão forte preju­dica o clima de instabilidade no jogo de interesses que cerca o mun­do de mercenários de Han. E algu­mas reviravoltas de roteiro surgem sem nenhum impacto ou emoção como, por exemplo, a revelação da identidade de determinado perso­nagem que quando tira a máscara em nada nos surpreende.

Em relação ao elenco todos os atores são competentes em seus respectivos papéis. Mas vamos fa­lar de Alden Ehrenreich. Harrison Ford, claro, não daria para retor­nar ao papel de um Han Solo na juventude, portanto, pegar um ator novo é um caminho óbvio e natu­ral. Alden, confesso, me surpreen­deu. Sua atuação como Han em ne­nhum momento busca imitar ou fazer uma caricatura de Harrison. O ator emula vários dos trejeitos icô­nicos do astro, mas o faz com na­turalidade, e aceita o fardo de que é impossível substituir a importân­cia de Ford para o personagem. Por fim, ele cria um Han Solo digno, res­peitoso e carismático.

“Han Solo–Uma História Star Wars” não será um fracasso pois a marca em que se estabelece é poderosa. O filme, em meio a tan­tos problemas, pode não ser me­morável como outros capítulos da franquia, mas é uma aventura envolvente e divertida. Possui um elenco competente e um diretor que apareceu e conseguiu salvar o barco. Vale o ingresso!


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