Política

“Sou de direita e daí?

Redação DM

Publicado em 14 de abril de 2018 às 02:17 | Atualizado há 8 anos

Podem falar o que quiser do delegado Waldir Soares (PSL), mas desleal ele não é. Fenômeno de votos na base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB), inclusive usado como cabo eleitoral no apertado segundo turno das elei­ções de 2014, ele agora estará de lado oposto e sem dó. Rápido no gatilho, formará linha de frente ao lado de Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

O delegado sempre teve o mes­mo perfil: cáustico, irônico, crítico e…leal aos princípios.

Nos últimos meses, ele conse­guiu o que mais precisava: um par­tido para comandar. No PSL, Wal­dir é braço direito (literalmente) de Jair Bolsonaro, pré-candidato a presidente e sensação deste iní­cio de pré-campanha.

INVEJA

Em outubro, delegado Waldir não terá o olhar de inveja dos de­mais deputados, muitos dos quais ajudou a eleger com seus votos ao robustecer o quociente eleitoral tu­cano, mas é agora observado pelos seus eleitores. Afinal, o que fez? O que pensa? O que vai fazer?

Eleitores querem saber como ele se comportou e se merece nova­mente o voto de ‘protesto’ e da in­dignação, já que grande parte dos apoios ao delegado surgiu diante do descalabro que se transformou a se­gurança pública em Goiás e a cor­rupção que envenenou parte con­siderável da política goiana.

Nas próximas linhas, após entre­vista para este jornalista e o soció­logo Jones Matos, da rádio Sucesso FM, o delegado fala o que pensa e quais suas estratégias para outubro.

 

TRECHOS DA ENTREVISTA

 

  • PODER

Parte da Justiça está contami­nada, o STF ou parte dele. Agora, não adianta chegar dia 7 de outu­bro e o cidadão não realizar um limpa em deputados federais, es­taduais, senadores, presidente da República. Tem que fazer a melhor es­colha. Se necessá­rio não reeleger. Avaliem se o De­legado Waldir nestes quatro anos fez o sufi­cienteparaes­tar em Bra­sília. Caso contrário, tirem, en­tão, o Dele­gado Waldir. É o momento de separar o joio do trigo. Não adianta chegar no dia 7 e pe­gar dentadura, com­bustível, cinquentinha, saco de cimento, terreno, cargo, depois não chore por quatro ou oito anos já que você vai eleger senador também. Vote em pessoas ho­nestas, sem qualquer traço de corrupção. Depois da escolha errada você vai falar: “olhe, eu não tenho segurança, não tenho saúde…” O momen­to é agora: hei, tem que varrer político bandi­do, que a todo momen­to aparece um escân­dalo na mídia.

  • ELEIÇÕES TRANQUILAS

 

Não penso que te­remos radicalismos durante as eleições. Será como sempre, apesar de nossa ain­da frágil democra­cia. Tem s i d o normal nos últimos 30 anos. Foi assim com Tancredo, ele­gemos Collor, o caçador de ma­rajás, FHC, Lula, tivemos os dois impeachments, então será uma transição pacífica. Penso que Bolsonaro está realmente mui­to bem e representa toda uma indignação. É o candidato da direita. Nós integramos o úni­co partido realmente de direi­ta desse País. Na verdade, e ao longo do tempo, as pessoas ti­nham medo de se dizer de di­reita. Hoje mundialmente, na Europa, nas américas, a direi­ta é a tendência. A esquerda se esfacelou.

  • PARTIDOS

 

Não penso que estas eleições serão de partidos. Eles estão to­dos em dificuldades. Seja o PT, PMDB, PSDB, PP, enfim, todos estes partidos estão desacredita­dos. As redes sociais terão gran­de influência nesta disputa. Há dez, quinze anos, a TV domi­nava sozinha, manipu­lava as eleições. Agora não. Cada um tem sua TV agora, suas redes. Veja: no Acre, Ron­dônia, Bol­sonaro está em primei­ro lugar. Pergunto: é por espa­ço na TV­que ele li­dera? Ele não tem e spa­ço nas emi s ­soras. Por isso quero que estes partidos continuem não levan­do a sério a candidatura de Bol­sonaro. Como a Hilary Clinton não levou a sério a candidatura de Donald Trump. E hoje ele é o presidente. O ‘case’ político dele é um sucesso. O PSL é um parti­do que tem oito parlamentares. Tinha três. Temos a bancada da segurança pública, 90% é Bolso­naro. Temos a bancada evangé­lica. E 90% é Bolsonaro. Se pe­garem a minha bandeira, vocês verão: sempre tive como lema o conservadorismo. Sou da direi­ta, da defesa da família, de pro­por uma segurança pública for­te e expressa, isso está registrado em cartório. Esse é meu perfil.

  • JAIR BOLSONARO

 

Bolsonaro é amigo meu par­ticular, parceiro, senta do meu lado. Ele foi candidato à presi­dente da Câmara dos Depu­tados e teve quatro vo­tos. O dele, o de dois outros delega­dos e o do Delegado Waldir. Todos es­tão com ele agora no PSL. Eu não sou igual o Bolsonaro. De­fendo boa parte das ideias dele. Estou saindo do PR, que terá R$ 2,5 milhões para campanha. E vou para o PSL, em que não te­rei nada. Se tiver é uma mixa­ria, muito pouco. Estou indo por ideologia. Fui para o PSL pelo perfil do partido. Eu sou aman­te da direita.

  • ESCOLHAS

 

Escolha cada um faz. Você es­colhe ser traficante, beber cerveja. Ser corintiano, palmeirense. Ser do bem. Eu penso que o senador Ronaldo Caiado hoje é o político de maior destaque no País e Goiás. É minha escolha. Tem maior vi­sibilidade, discursos mais fortes realiza os maiores enfrentamen­tos…Já foi candidato a presidente da República, tem grande visibili­dade. Não está envolvido na Lava Jato. É pessoa correta, decidida, tem grande experiência no Parla­mento. Se procurar todas as pes­quisas hoje o requisito mais ava­liado é sem dúvida a honestidade. É o que o pessoal busca. A minha opinião é que isso deve ser requi­sito para se eleger. Daí minha ad­miração no Caiado.

  • DANIEL VILELA

 

Quem incentiva a candida­tura de Daniel Vilela, e que será parceiro dele, é o nosso ex-gover­nador Marconi Perillo. Pois se existisse hoje oposição unida com certeza nem segundo turno tería­mosemGoiás. Essaé averdade. Nonos­so caso, garanto: ao contrário do que muitos fa­zem, oPSLnão vai rifar can­didatos. Será uma demo­cracia. Um part ido sem ca­ciques.

  • RONALDO CAIADO

 

“Estou com Ronaldo Caiado para governador porque ele é co­rajoso, destemido, oposição para valer ao governo do PSDB. Ele tem coragem de colocar o dedo na fe­rida, apontar as mazelas do atual governo. Caiado tem ideias, pro­jetos e prega uma administração avançada, moderna. Vamos para as ruas defender sua candidatura, pois, efetivamente, ele representa a alternância de poder em Goiás.

  • Lula e o PT

 

Tudo começou no primeiro dia de governo de Lula em seu pri­meiro mandato em 2003 com a implantação de um plano de po­der que tinha a corrupção como instrumento de financiamento. Logo, o PT se converteu na maior organização criminosa do País. O PT infiltrou agentes corruptos em diretorias estratégicas da Pe­trobras e organizou uma parce­ria criminosa com empreiteiras, que formaram um cartel para assumir o controle sobre as li­citações e combinar sobrepre­ços. Além de nomear corruptos para as estatais, o plano de po­der do PT contemplava ainda o total aparelhamento do Esta­do. Quando assumiu o poder, Lula encontrou 19 mil servido­res contratados. Em 8 anos, o ex-presidente elevou o quadro para 205 mil. Dilma ampliou ainda mais este número e ape­nas no primeiro mandato, con­tratou 115 mil pessoas.Durante a gestão do PT, a maioria dos car­gos e ministérios não foram cria­dos com o objetivo de prover os serviços para a população, mas sim para contemplar interesses políticos e desviar dinheiro. A meta era alcançar cerca de 500 mil militantes pagos com o di­nheiro do contribuinte.

 

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