Sempre de volta aos zines
Redação DM
Publicado em 13 de abril de 2018 às 00:07 | Atualizado há 1 ano
- Livro de poesia visual independente traz impressões irônicas do artista sobre o mundo atual
Se hoje Oscar Fortunato é um nome importante à arte visual brasileira, agradeçam aos fanzines. Ele foi um dos primeiros a fazer este tipo de publicação independente da década de 1980. E foram justamente eles que possibilitaram o artista a fazer suas criações e experimentações. Já se passaram mais de 30 anos e Fortunato, entre outras coisas, se aprofundou na arte urbana e está sempre presente na rotina da cidade. Sabe aqueles peixes desenhados na encanação da Saneago, na Rua 10, na divisória entre o Centro e Setor Universitário? São dele.
É uma necessidade de sua arte que ela seja feita em diversos lugares. Por isso é gravador, grafiteiro, pintor, desenhista, e um fanzineiro que não esquece suas origens. Hoje ele prova mais uma vez que continua perto das suas origens, no lançamento da sexta edição de sua fanzine Zatopekzine #6. O evento acontece das 19 às 23h, na Plus Galeria, no Setor Sul.
Todo feito à mão, imprimido em serigrafia, a publicação conta apenas com 100 unidades enumeradas e assinadas pelo artista. O fanzine é repleto de poesias visuais que remetem às vivências recentes do Oscar Fortunato. E o modo de ver o mundo do artista, se comparado com sua última exposição “Eu Sou Ar e Ar É Tudo Que Sou”, embora graficamente trabalhado, a obra tem apenas um desenho na capa que traz um rinoceronte, em referência ao poema “Barreirinha”, do Thiago de Mello, que conta um sonho que ele teve com rinocerontes.

ENTREVISTA OSCAR FORTUNATO
Eu tenho, no fundo, uma esperança meio boba, mas sincera.”
DMRevista – Por que este nome Zatopekzine?
Oscar Fortunato – O nome é em homenagem ao atleta checo Emil Zatopek, figura onipresente na minha infância.
DMRevista – A data de lançamento caiu numa sexta-feira, 13. Isso foi mera coincidência?
Oscar Fortunato – Mera coincidência. Não tenho esse tipo de superstição. Tenho outras.
DMRevista – Embora seja um artista consagrado, você já falou que Zatopekzine é vitalícia e serve para te lembrar de onde veio. Como era o contexto da sua vida quando fez suas primeiras fanzines? O que mudou nestes 20 anos?
Oscar Fortunato – Obrigado pelo consagrado. Comecei a publicar minhas coisas antes de conhecer um fanzine. Eles me foram apresentados por um amigo punk chamado Edvan Dias. O contexto era muito diferente. O acesso à mídia era muito restrito e algumas informações só circulavam em fanzines. Minha vida era igual à dos demais. Muito dura, mas cheia de desejos. Tínhamos acabado de sair de uma ditadura.
DMRevista – Foram os fanzines que te levaram definitivamente para a arte?
Oscar Fortunato – Sim. Se não fossem os fanzines, provavelmente não teria entrado em contato com as ideias que me acompanham até hoje.
DMRevista – Tem planos de uma nova exposição individual? Como foi a repercussão de “Eu Sou Ar e Ar É Tudo Que Sou”?
Oscar Fortunato – As exposições vêm da necessidade que tenho de mostrar minhas ideias recentes. E isso vai crescendo e tomando corpo. A exposição “Eu Sou Ar e Ar É Tudo Que Sou” foi excelente em todos os aspectos. A repercussão foi muito boa. Consegui sair um pouco do político.
DMRevista – Nesta última mostra você estava em um clima mais intimista, tentando desviar dos assuntos políticos, devido a uma desilusão com o sistema. Ainda está neste momento?
Oscar Fortunato – Ando muito triste com todo o cenário político. Aqui em nosso Estado vivemos uma “ditadura” de um único governo. São 20 anos. Muitos jovens só conhecem esse governo. Temo muito pela continuidade dele. Precisamos mudar. Mas é exatamente nesses momentos que precisamos reagir. Tenho, no fundo, uma esperança meio boba, mas sincera.
LANÇAMENTO ZATOPEKZINE #06
Quando: Hoje, das 19h às 23h
Onde: Plus Galeria (Rua 114 nº 70, Setor Sul, Goiânia-GO)
Entrada franca. Fanzine, obras de arte, bebidas e comidas à venda

