Críticas aos juros altos
Redação DM
Publicado em 11 de abril de 2018 às 01:09 | Atualizado há 8 anos
A Tecnoshow Comigo, a maior feira de agronegócios do Centro-Oeste, foi instalada, segunda-feira, em Rio Verde, região do Sudoeste goiano, com fortes críticas às altas taxas de juros. O evento contou com as presenças do governador em exercício, José Eliton, dos senadores goianos Ronaldo Caiado, Wilder Morais e Lúcia Vânia, além de dirigentes classistas. Antônio Chavaglia, presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores do Sudoeste Goiano (Comigo), formulou duras críticas ao governo federal. Mais especificamente à área fazendária, onde disse que a atividade econômica, em particular o segmento do agronegócio, “não pode conviver com uma taxa Selic de 6,5% e juros a 8,75%.”
Chavaglia chamou a atenção, também, para a carência de armazenagem num momento em que a safra bate mais um recorde no Brasil, com a colheita anunciada de 226 milhões de toneladas. Goiás produz 10% desse montante, o correspondente a 22 milhões de toneladas. Observou, ainda, que enquanto os Estados Unidos e a China provocam altas em suas commodities agrícolas e minerais, o mercado brasileiro de grãos sofrem as consequências das oscilações em seus preços. O líder cooperativista lembrou também que os preços das máquinas e implementos agrícolas passam por reajustes de até 150%. O arrendatário padece e culmina por abandonar a atividade.
Antônio Chavaglia revelou que em recente encontro com o então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a quem pediu mudanças nas taxas de juros. Meirelles, que é goiano de Anápolis, prometeu mudanças. Nenhuma alteração ocorreu, o que o dirigente classista entende que “ele deve ter sofrido pressão do sistema financeiro”.
BRASIL NOS TRILHOS
Falando na sequência, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Freitas, disse que “quem vai botar o Brasil nos trilhos somos nós, sociedade organizada”. Em sua visão, “precisamos de ações políticas, elegendo gente séria”. Defendeu o movimento cooperativista, baseado em princípios morais e na democracia. Segundo ele, os produtores querem renda em seu negócio. E, para atingir esses objetivos, o produtor necessita eleger pessoas capazes e sérias em seus municípios, nos Estados e no País.
O deputado Carlos Cabral reforçou a manifestação de Chavaglia quanto aos gargalos nas regiões produtoras, exemplificando o Sudoeste Goiano. Citou a necessidade da instalação do porto seco em Santa Helena. O deputado Saulo Oliveira abordou outra questão crítica no meio da cadeia do agronegócio. As cobranças com efeito retroativo pelo Funrural. A justiça deu ganho de causa à cobrança, mas o Congresso Nacional quer anulá-la. José Mario Schreiner, presidente da Faeg, apoiou inteiramente o discurso de Antônio Chavaglia quanto às altas taxas de juros que “sufocam o Brasil”.
O deputado federal Euler Cruvinel, da Frente Parlamentar da Agricultura, elogiou o governador em exercício, José Eliton, por incluir em sua agenda a primeira ação uma visita à Tecnoshow Comigo, em Rio Verde. “Prestigia com sua atitude a maior feira tecnológica do Centro-Oeste, que, ano passado, apresentou volume de negócios da ordem de R$1bi e 700 milhões. Este ano, esses valores podem subir para R$2 bi”. Propôs lutar contra a cobrança com efeito retroativo do Funrural.
RONALDO EM SEU “TERREIRO”
O senador Wilder Morais, novo componente do DEM, voltou a defender o porte de arma para o agropecuarista. E defendeu o polo multimodal em Rio Verde. A senadora Lúcia Vânia demonstrou fé e esperança na reconstrução brasileira com iniciativas arrojadas da Comigo. E no agronegócio que, apesar das adversidades, contribui para fartura de alimentos, baixando os índices inflacionários, mantendo o equilíbrio da balança de pagamentos e gerando e preservando empregos. Prometeu esforços pela melhoria da BR-153, o anel viário de Jataí e conclusão da Ferrovia Norte-Sul.
O senador Ronaldo Caiado, praticamente em seu “terreiro”, foi ovacionado por cada frase de efeito. Discorreu sobre as lutas em prol do produtor rural e considera que “valeu a pena cada esforço”. Hoje, o setor responde como alternativa para a produção e o abastecimento de sete bilhões de pessoas ao redor do mundo. Observou que infelizmente um bilhão de pessoas estão subalimentadas. Lembrou que em 1974 o Brasil produzia 75 milhões de toneladas de grãos. Atualmente, produz 226 milhões de toneladas, ocupando praticamente a mesma área, o que se atribui à pesquisa e a tecnologia empreendidas. Fez ainda coro à questão do Funrural, que os produtores cobram sua extinção.
ELITON DEFENDE PRUDÊNCIA
O governador José Eliton reconheceu o trabalho de Chavaglia à frente da Cooperativa e saudou um de seus fundadores, Jonh Lee, em cadeira de rodas, ao lado de sua senhora, Maria Cândida.
Respondendo, indiretamente, ao discurso de Ronaldo Caiado, seu opositor nas próximas eleições para o cargo de governador, defendeu a “prudência e o equilíbrio na vida pública”. Celebrou as “forças que produzem”, numa referência às crescentes safras agrícolas. E falou da importância dos agricultores e criadores que aram a terra, plantam, acompanha a germinação das sementes e colhem.
Por último, manteve-se ao lado dos produtores que criticam a cobrança retroativa do Funrural e proclamou a necessidade de se baixar as taxas de juros, ampliar a infraestrutura viária e lembrou que a geração de energia contribui também para a geração de empregos.
COMPARECIMENTOS
Prestigiaram a instalação da Tecnoshow Comigo,e entre lideranças classistas, prefeitos da região, além do governador em exercício, José Eliton, os senadores Ronaldo Caiado, Wilder Morais, Lucia Vânia, o presidente da OCB, Márcio Lopes; deputados Heuler Cruvinel, Karlos Cabral, Liasauer Vieira; José Mário Schreiner, presidente da Faeg; Pedro Alves de Oliveira, presidente da Fieg; Joaquim Guilherme Barbosa de Souza, presidente da OCB-Goiás; Paulo do Vale, prefeito de Rio Verde; José Manoel Caixeta, presidente da Agrodefesa; e Pedro Arrais, presidente da Emater.
A feira prossegue até sexta-feira com uma vasta pauta de palestras sobre difusão de tecnologia agropecuária, exposição de máquinas e equipamentos, mostra de animais e dinâmicas da pecuária. A expectativa é de um público superior a cem mil pessoas e os negócios são estimados em R$2 bilhões, superando os valores de R$1 bi e 700 mil do ano passado.