Cotidiano

Incentivar o novilho precoce é meta da AGNP

Redação DM

Publicado em 10 de abril de 2018 às 02:34 | Atualizado há 8 anos

Ao assumir em janeiro deste ano a presidência da Associação Goiana do Novilho Precoce, Maurício Vel­loso pretende reativar segmento, retraído depois que o governo re­tirou o incentivo, negociando prê­mios com as indústrias e garantin­do escala. Segundo ele, o governo do Estado retirou a bonificação, de­sestimulando em consequência o produtor de novilho precoce.

No Mato Grosso, por exem­plo, o governo oferece isenção de até 67% no imposto sobre circula­ção de serviços em mercadorias (ICMS). Além do benefício esta­dual, o produtor pode sair ganhan­do duplamente caso seja também filiado à Associação Sul-Mato­-Grossense dos Produtores de No­vilho Precoce (ASPNP), atuante já há 14 anos. A primeira exigência para poder ganhar os incentivos é a idade de abate dos animais.

O novilho precoce é o animal que tem no máximo quatro den­tes permanentes. Na criação tra­dicional, a rês é abatida com qua­tro, cinco ou mais anos. Com o novilho precoce o abate se dá aos dois anos. A adoção do sistema leva o produtor a economizar pas­to, e ganha na economia do tem­po da criação. O mercado de con­sumo, por outro lado, dispõe de uma carne mais macia.

Seria mais ou menos nesses mol­des que Velloso gostaria de operar, estabelecendo uma negociação com o governo de Goiás e com os frigoríficos que atuam no Estado. Os pecuaristas do novilho preco­ce ofereciam às indústrias uma carcaça de padrão di­ferenciado e melhores re­munerações pela arroba.

NA BRONCA COM FRIGORÍFICOS

O presidente da Asso­ciação Goiana do Novilho Precoce (AGNP), Maurí­cio Velloso, aponta os fri­goríficos como responsá­veis por forçar baixa nos valores dos preços da ar­roba do boi gordo. “A in­dústria faz o jogo ao não comprar os animais com o intuito de ter melhores condições”, observa.

Os bois ficam no pas­to ou nos confinamentos e esse excedente é ruim para os pecuaristas. De janeiro e meados de março deste ano ocor­reu aumento de 65% no núme­ro de abates. E, segundo Velloso, “há demanda de carnes no mer­cado externo”.

Para segurar a onda baixista, o recém assumido presidente da As­sociação Goiana do Novilho Preco­ce, orienta os produtores a vende­rem no limite, ou seja, “seguraram o rebanho no pasto ou no confina­mento o que for possível”.

Em sua visão, o criador não pode comprometer os seus custos de produção. Os preços dos insu­mos básicos sofreram altas cons­tantes. Os preços da arroba do boi gordo alcançam R$133,00, inferio­res, portanto, às ofertas de 2016.

CONFIRMAÇÃO DA SCOT

A Scot Consultoria, conceitua­da na cadeia da carne bovina, con­firma a preocupação de Velloso. Apesar de estar no início do mês, período que sazonalmente o con­sumo cresce, e as vendas não evo­luem como esperado. As cotações no mercado atacadista da carne sem osso acumulam, o que cor­robora com o cenário de dificulda­des no escoamento da carne. An­tes disso, os frigoríficos seguram as vendas, devido ao respaldo da ca­pacidade de corte das pastagens. Isso está limitando a pressão im­posta pelos frigoríficos.

A Scot ressalta, ainda, que “esta­mos no período de descarte das fê­meas e isso, naturalmente, aumen­ta a oferta para as indústrias, logo a estratégia de retenção deve ser mensurada com cuidado”

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