Daniel: maioria dos prefeitos do MDB defende nome próprio
Redação DM
Publicado em 21 de março de 2018 às 03:29 | Atualizado há 2 anos
A oficialização do apoio de cinco prefeitos do MDB à pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado (MDB) ao governo de Goiás, realizada, ontem, não trouxe novidades em vista do que já se sabia. O evento, realizado em um auditório da Assembleia Legislativa com 181 lugares, não apresentou nenhuma nova liderança e nem uma perspectiva de um projeto novo para a oposição. Permanece, portanto, o quadro de 19 apoiadores do pré-candidatura do MDB, deputado federal Daniel Vilela, incluindo Iris Rezende, que já disse várias vezes que é homem de partido e não deixará de apoiar o nome apresentado pelo MDB.
Enquanto os prefeitos que defendem Ronaldo Caiado se fiam em pesquisas eleitorais realizadas muito antes das eleições, que só ocorrerão daqui quase sete meses, os apoiadores de Daniel Vilela destacam as qualidades do pré-candidato: “Temos reparado que o perfil do Daniel bate com aquilo que o cidadão espera, de acordo com as pesquisas qualitativas. Estas, sim, são as pesquisas válidas neste momento. Se eu fosse confiar em pesquisa quantitativa antes da eleição nunca teria me candidato e não teria vencido a eleição no primeiro turno”, afirma o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, lembrando que tinha menos de 3% das intenções de voto poucos meses antes das eleições.
O prefeito de Buriti Alegre, André Chaves, defende a fidelidade partidária, além das qualidades que enxerga em Daniel Vilela: “Além de ser do MDB, ele tem representado o partido e atendido bem aos prefeitos e demais lideranças. Ele encarna a renovação que a gente precisa.” O prefeito de Anhanguera, Francisco da Silva, critica os colegas que querem apoiar candidatura de outros partidos enquanto o MDB coloca um nome na disputa: “Vem meia dúzia de emedebista querer apoiar candidato de outro partido? Eu, não, eu sou Daniel até debaixo d’água.”
A prefeita de Caçu, Ana Cláudia Lemos, destacou em entrevistas recentes a humildade de Daniel Vilela. “A gente vê que ele é humilde e está preparado.” Para o presidente da Federação Goiana dos Municípios (FGM) e prefeito de Campos Verdes, Haroldo Naves, o pré-candidato do MDB “tem o perfil para ganhar eleição”. “Ele consegue aglutinar e transita bem”, destaca. A prefeita de Doverlândia, Zilda Rezende, a Zildinha, lamenta que Caiado não esteja apoiando o projeto do MDB. “Se o Caiado nos apoiasse seria perfeito mas, de todo modo, Daniel é o nome que apoiamos.”
RETRIBUIÇÃO
Prefeita de Jandaia, Milena Lopes também deseja o apoio de Caiado, mas é firme ao dizer que o “o MDB tem que ter candidato e apoio Daniel Vilela”. Esse sentimento da necessidade de retribuição de Caiado ao MDB pelo apoio e estrutura recebidos em sua eleição ao Senado, em 2014, é latente entre os prefeitos consultados recentemente em enquete realizada pelo jornal O Popular. “Somos o maior partido de Goiás e vamos eleger o governador. E acho que o Caiado deveria retribuir o apoio que demos em 2014”, afirma o prefeito de Ouvidor, Onofre Galdino, o Onofrinho.
Silvio Isac, prefeito de Amorinópolis, segue esta linha: “Não tenho nada contra o Caiado, mas quando ele disputou ao Senado o MDB o abraçou e agora ele não quer ir com a gente.” Com a experiência de quem foi governador do Estado e desfila mandatos como prefeito de Mineiros, Agenor Rezende afirma que Daniel é o pré-candidato com maior capacidade de vencer: “Eu e a maioria dos prefeitos do MDB apoiamos Daniel Vilela porque ele é o candidato com maior capacidade e possibilidade de vencer.”
Prefeito de Pilar de Goiás, Sávio Soares, mantémaesperançaemuma união em torno da candidatura do MDB. Para Gilmar Alves, prefeito de Quirinópolis e um dos principais defensores da pré-candidatura de Daniel Vilela, a situação é simples: “O MDB decidiu ter candidatura própria, como sempre fez e não poderia deixar de fazer, posto que é o maior partido de Goiás. Esse o desejo da maioria absoluta da base partidária e de nós, prefeitos.”
Ainda que haja esperança entre alguns, as falas dos prefeitos de Portelândia, Manoel do Elizer (“Vamos tentar união mas se não der vou de Daniel”), e de Novo Brasil, Sebastião Sabino, parecem resumir o sentimento da maioria: “Vamos buscar coligação. Se não der, cada um tem o seu candidato.”
FORÇA
Embora digam representar o MDB e tentem fazer barulho, a ala dissidente do partido não conseguiu ainda convencer a grande maioria dos prefeitos e presidentes de diretório a aderirem à candidatura do DEM e têm gerado insatisfações dentro da sigla, devido à atitude desagregadora. A mobilização da militância em cada evento realizado em apoio a pré-candidaturas fala por si. O último dos 17 encontros do MDB realizados em 2017 aconteceu em dezembro, em Goiânia, no Centro de Convenções. O Auditório Lago Azul, com capacidade para 600 pessoas, ficou lotado, e o amplo lobby ao lado também estava cheio. Cerca de 1.200 pessoas compareceram ao evento.
O evento de ontem foi abaixo das expectativas em termos de adesão. Estima-se que não mais do que 300 pessoas estiveram presentes. Apesar do prefeito de Catalão, Adib Elias, ser um dos organizadores do evento, nenhum outro município da Região Sudeste apareceu no evento. Os prefeitos da região estão fechados com Daniel Vilela. O ato de ontem ainda teve um episódio que vale registro: um grupo de apoiadores de Daniel Vilela, que portavam faixas em defesa do nome do MDB, foi proibido de entrar na Assembleia, denominada pelos próprios parlamentares como “a casa do povo”.
Além disso, os dissidentes caiadistas apostam numa estratégia arriscada: partem para cima de Daniel Vilela e criticam publicamente os ex-governadores Maguito Vilela e Iris Rezende, prefeito de Goiânia. Os dois são as duas maiores lideranças da sigla. É um jogo perigoso e que praticamente inviabiliza uma aliança no 1º turno e ainda coloca em risco uma união no 2º turno.

Maguito Vilela sugere que dissidentes saiam do MDB

O ex-governador de Goiás e liderança do MDB Maguito Vilela sugere que aqueles que desejam apoiar candidato de outra legenda que não o MDB deixem o partido. “Não tem problema nenhum discordar e defender um projeto diferente, mas espero que quem declara apoio a um candidato de outro partido enquanto o MDB tem candidato, que tenham a dignidade de se desfiliar e entregar os diretórios de suas cidades.”
Maguito lembra que alguns dos dissidentes se filiaram ao MDB recentemente, foram recebidos de braços abertos e tiveram todo apoio e suporte do partido, de suas lideranças e deseusparlamentares.“Seutilizaram do MDB para serem eleitos”, afirma.
Maguito Vilela sustenta que, ano passado, a maioria esmagadora das bases do MDB – prefeitos, vereadores e membros de diretórios municipais – manifestou, durante 17 encontros regionais, pelo lançamento de candidato próprio ao governo do Estado. “Daniel Vilela recebeu o apoio expressivo dos companheiros do partido porque representa renovação, projeto novo para a gestão pública em Goiás”.
O ex-prefeito ressalta que a unidade da oposição vai acontecer, no segundo turno da disputa ao governo de Goiás. “O primeiro turno existe para que os partidos apresentem seus candidatos, levem os planos de governo à sociedade e a decisão final ocorre no segundo turno das eleições”
PC Martins diz estar repensando dobradinhas com José Nelto

O apoio antecipado à candidatura de outro partido que não o MDB pode custar muitos votos ao deputado estadual e pré-candidato a deputado federal José Nelto. O deputado estadual Paulo Cezar Martins, o mais votado do partido em 2014 e candidato à reeleição, diz estar repensando as dobradinhas que havia acertado com Nelto.
“Eu fui pego de surpresa e fiquei até assustado com esse apoio do José Nelto a outro candidato. Como um deputado do MDB, faz parte da Executiva do MDB vai fazer esse movimento?”, questiona. Para PC, não é uma estratégia inteligente se posicionar contra a base partidária há quase sete meses das eleições.
Ele defende que a pré-campanha é o momento dos pré-candidatos fazerem seus trabalhos de mobilização de alianças e apresentação para a sociedade organizada. “Temos que exaurir o momento do candidato e o momento é do Daniel Vilela e ele está evoluindo. Ele (Nelto) está me desmotivando e estou pensando em não apoiar ele para deputado federal”.
CONTRA O PARTIDO
O deputado estadual Wagner Siqueira lamenta que integrantes do MDB ajam contra o partido. “Respeito os companheiros de partido mas lamento suas decisões. Se tem algum enfraquecimento do partido hoje está sendo causado por esses que estão indo contra o desejo da maioria da base partidária e da maioria das lideranças. Mas espero que no segundo turno eles estejam conosco, nos apoiando.”
Siqueira destaca ainda que o MDB é o único partido que está há 20 anos na oposição ao atual governo. “O MDB está há 20 anos na oposição. É o único partido de oposição legítima a esse governo. Nunca esteve ao lado de Marconi e é a legenda mais adequada para carregar a bandeira da oposição e ter consigo aqueles que defendem a verdadeira alternância de poder.”