Visões pós-soviéticas
Redação DM
Publicado em 21 de março de 2018 às 01:01 | Atualizado há 1 ano
Após a queda do Muro de Berlim (1989), da dissolução da União Soviética (1991) e de outros eventos simbólicos que colocaram fim à Guerra Fria – que polarizou o mundo em zonas de influência capitalista e socialista – muita coisa mudou na “região vermelha” da “Cortina de Ferro” que dividia a Europa. A exposição fotográfica Post-Soviet Visions, aberta desde o final de fevereiro no espaço Calvert 22, em Londres, traz um conjunto de imagens capturadas por fotógrafos que cresceram durante o período de reconfiguração econômica de países do leste da Europa. A exposição é dividida em seis categorias que exibem os contrastes, a vida privada, a moda, a arquitetura e a identidade que definem o novo comportamento visual daquela parte do planeta.
A exposição foi tema de uma matéria publicada no site do jornal britânico The Guardian, que a anuncia como um importante registro das mudanças de comportamento das pessoas e do visual das cidades, consequências de um longo e imprevisível período de transição. “Post-Soviet Visions: image and identity in the new Eastern Europe é uma exibição fotográfica que explora novas representações visuais do estilo de vida e das paisagens do leste Europeu. A exibição reúne o trabalho de uma geração jovem de artistas que vem ganhando destaque um quarto de século após o fim do comunismo”. Além das fotos, será exibido o longa-metragem A dupla vida de Veronique, do cineasta Krzysztof Kieslowski que se passa entre as cidades de Varsóvia (Polônia) e Paris (França).
TEMAS
No site do espaço Calvert 22, os curadores explicam um pouco de cada evento relacionado à mostra, como a exibição específica dedicada à arquitetura pós comunista, que tem início na próxima quinta (22). “Como nós entendemos a arquitetura comunista de um passado que não existe mais? E que lugar essa arquitetura – de esqueletos de estruturas socialistas outrora grandiosas a habitações sociais da era comunista – possui em um mundo hoje pertencente ao capitalismo?”, questionam os organizadoresdaexibição. Escritores, antropologistas e ativistas participam de uma roda de discussão que pretende considerar a representatividade dos traços físicos do passado comunista no mundo globalizado do século XXI.
De acordo com os curadores Ekow Eshun and Anastasiia Fedorova, os fotógrafos em exibição, que sintetizaram sua visão de mundo vivendo sobre as regras de um regime extinto, trazem sentidos novos e particulares para a fotografia européia. “Os fotógrafos em Post-Soviet Visions vem da Geórgia, Alemanha, Letônia, Polônia, Rússia, Ucrânia e Uzbequistão”, contam. Os relatos visuais, em forma de fotografia, passam pelo filtro de pessoas que mesmo distantes enfrentaram regimes semelhantes. “Apesar das circunstâncias pessoais dos fotógrafos que nasceram no leste europeu serem diferentes em vários pontos, eles, assim como boa parte de seus pais, compartilham um passado comum, crescendo em países que uma vez existiram sobre o regime comunista”.
ARTISTAS
Um dos destaques da exibição é o fotógrafo georgiano (com base em Berlim) David Meshki. Ele nasceu em Tbilisi, Geórgia. “Antes de se formar academicamente, trabalhou com fotografia para revistas culturais da Geórgia”, expõe o jornal The Guardian. “Suas fotos culturais entraram para o acervo nacional da Geórgia, e após sua primeira exibição, que consistia em fotografias analógicas de skatistas e atletas de seu país, co-dirigiu um documentário premiado chamado When Earth Seems to be Light, baseado em sua própria obra”. Outro artista a exibir na Post-Soviet é o polonês Michal Korta, que graduou-se em filologia e fotografia na Alemanha. Seus temas principais são identidade, identificação e coincidências, com referências nas ex Repúblicas Soviéticas.
Hassar Kurbanbaev é conhecido pelas imagens de sua cidade, Tashkent, capital do Uzbequistão, um lugar em que 60% do total da população possui menos de 25 anos. “A ideia do meu projeto atual começou através de retratos de jovens que encontrei nas ruas da minha cidade natal. Faltavam poucos meses para a comemoração de 25 anos de independência do país. Eu me dei conta que através deste período de nossa história, toda uma nova geração emergiu”, disse o fotógrafo ao site Dazed Digital. Outro destaque é a fotógrafa Paulina Korobkiewicz, que recentemente lançou o fotolivro Disco Polo, que documenta a nova estética da Polônia, afetada pelo capitalismo global que consome as paisagens com publicidade colorida.




