Prefeitos do MDB preparam ato de apoio a Caiado
Redação DM
Publicado em 15 de março de 2018 às 01:30 | Atualizado há 1 ano
A chamada ala caiadista do MDB prepara um grande ato de apoio à candidatura de Caiado ao governo do Estado. O evento está marcado para o dia 20, uma terça-feira, e será realizado às 10 horas da manhã no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa. Entre os principais articuladores do ato estão o deputado estadual José Nelto, os prefeito Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa), Renato de Castro (Goianésia), Paulo do Vale (Rio Verde) e Fausto Mariano (Turvânia).
Líder do MDB no Legislativo Estadual, José Nelto diz que também são esperadas as presenças de outros prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, presidentes de comissões provisórias, como Eli Rosa, presidente do MDB de Anápolis, o ex-deputado José Essado e lideranças políticas. “Não vamos cometer o erro de deixar para o período das convenções a formação da chapa do MDB. Em 2014, todos se lembram do embate entre Júnior Friboi e Iris Rezende e naquela ocasião, se não houvesse a aliança com o DEM, nem candidato ao Senado o PMDB teria”, argumenta.
De acordo com José Nelto, “o adversário não é Daniel Vilela, que é um bom nome, o adversário é o Palácio das Esmeraldas. Queremos derrotar o governador Marconi Perillo, o vice-governador José Eliton e todo este grupo que há 20 anos governa Goiás. O que este grupo e a maioria do MDB desejam é estabelecer uma nova ordem política em Goiás”, sintetiza.
EmentrevistarecenteàRádioSagres 730, o prefeito de Catalão, Adib Elias, fez um desabafo: “Eu não quero mais perder as eleições em Goiás”. Sua avaliação é que a liderança de Ronaldo Caiado nas últimas pesquisas é sólidae acredita que se a oposição estiver unida, é possível vislumbrar a vitória até no primeiro turno. Segundo Adib, o MDB não pode subestimarogovernocomofeznaseleições de 2002, 2006, 2010 e 2014. “Nós não estamos disputando com neófito, nãoestamosdisputando comgovernador que não conhece política. O Marconi conhece profundamente a política, e nós perdemos a eleição de 1998 para ele, mas as outras quatro nós entregamos por erros do PMDB. O que nós, os prefeitos de Catalão, Goianésia, Rio Verde, Formosa de Turvânia e muitos outros, juntamente com os deputados estaduais, queremos é que o partido sente e discuta o que é melhor para as oposições”, pondera.
Na opinião do prefeito de Goianésia, Renato de Castro, “o tempo joga a favor de Daniel Vilela. Ele tem 34 anos, é jovem. Pode esperar um pouco mais”, disse em entrevista ao site Goiás Total. Ele recomendou que o presidente do MDB enfrente a candidatura ao Senado para adquirir experiência política. Ainda segundo Renato de Castro, “o senador está liderando as pesquisas desde que seu nome foi colocado. Senador é mais que deputado. E do ponto de vista cronológico, Caiado tem 68 anos de idade, para ele, esperar é complicado. (…) Se perder continua senador, não vai trocar a cadeira no Senado por uma de vice-governador e, se não for candidato agora, será quando?”, questiona.
FATOR TEMER
Pré-candidato ao governo pelo MDB, o deputado federal Daniel Vilela corre contra o tempo. O ato da ala caiadista é simbólico, pois está sendo realizado no período da chamada “janela partidária”, que corresponde ao período de 08 de março a 07 de abril onde os políticos podem trocar de partido sem risco de perda de mandato. Nas suas últimas entrevistas, ele deposita esperança num acordo com partidos que supostamente estão descontentes com a formação da chapa governista – o PP do senador Wilder Morais e o PSD do ex-deputado Vilmar Rocha -, e estariam dispostos a formar chapa com o MDB.
Paraoscaiadistas, estasnegociações não serão frutíferas. José Nelto, que é pré-candidato a deputado federal, afirma que não tem intenção de deixar a legenda, mas que lideranças que não têm mandato ou não disputam eleição este ano podem seguir por este caminho. Ele não crê que PP e PSD deixem a base situacionista em função do “chapão”, a grande chapa proporcional que tradicionalmente os partidos governistas fazem para eleger o maior número de deputados estaduais e federais. “O MDB só pode contar com o DEM e com os partidos que já estão próximos. É ilusão pensar que partidos que são aliados tradicionais do governo venham a largar a teta da máquina administrativa enquanto ela ainda está dando leite”, sintetiza.
Nos bastidores especula-se a construção de uma chapa entre MDB e PSDB nas eleições presidenciais. O presidente Michel Temer teria interesse na aliança entre os dois partidos indicando o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como vice na chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Meirelles, que é filiado ao PSD, aproveitaria a janela para assinar ficha no MDB. Com esta aliança, Temer espera neutralizar os movimentos do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está trabalhando candidatura à presidência, teria interesse na queda de Temer, a partir das novas denúncias enviadas ao Supremo Tribunal Federal.
Desafeto de Caiado, que lhe faz oposição no Senado, o presidente vê com bons olhos o reforço à candidatura do MDB ao governo de de Goiás. Nesta virtual aliança entre MDB e PSDB, em Goiás o MDB indicaria o candidato ao governo e o PSDB uma das vagas ao Senado. Outro partido, o PP poderia ser contemplado neste arranjo com a candidatura de Wilder Morais à reeleição.
ESTRATÉGIAS
É com base nesta e em outras especulações que o grupo caiadista quer antecipar-se à convenção. A expectativa é criar um fato impactante, que venha a criar uma outra hegemonia no partido. Nos moldes atuais, os caiadistas que os danielistas tendem a vencer as convenções. Chega-se à conclusão que, seja qual for o movimento de cada ala, o MDB de 2018 continua tão dividido quanto o PMDB de 1998, 2002, 2006, 2010, 2014. A diferença é que desta vez os candidatos colocados em questão são diferentes. Daniel Vilela representa a chance de renovação do partido, e Ronaldo Caiado, a aposta numa liderança que já está consolidada, cujo recall das eleições de 2014 ainda emite ecos no pleito deste ano.
A campanha de 2018 é curtíssima: pouco mais de 35 dias. Os caiadistas defendem que com Caiado, cujo nome já é majoritariamente conhecido, fica mais fácil pedir votos. Os danielistas apostam que a juventude de Daniel e seu empenho em movimentar o partido podem criar o efeito desejado do MDB se apresentar à sociedade com um nome que representa mudança aos 20 anos de marconismo. Como diria Garrincha, o anjo de pernas tortas, falta as duas alas do MDB combinarem a estratégia com os russos.
