Blairo prorroga o zoneamento de milho em Goiás
Redação DM
Publicado em 15 de março de 2018 às 01:14 | Atualizado há 1 ano
A prorrogação do calendário recomendado para o plantio de milho segunda safra em Goiás foi divulgada em portaria do Ministério da Agricultura nessa terça-feira. O documento retifica o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a cultura este ano. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, recebeu o apelo do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho em Goiás (Aprosoja-Go), Bartolomeu Braz Pereira, e assim o pleito se encaminhou com maior agilidade e foi atendido.
A atualização ampliou o período de plantio das cultivares mais precoces (Grupo I) para os solos com teores médios (Tipo 2) e altos (Tipo 3) de argila. A prorrogação foi de um decêndio, ou 10 dias, em relação ao prazo estabelecido anteriormente. Assim, municípios definidos como aptos ao cultivo de milho até 20 de fevereiro, por exemplo, passaram a ter indicação de plantio até 28 de fevereiro. Municípios aptos à semeadura do cereal até 28 de fevereiro tiveram ampliação desse período para 10 de março.
A prorrogação foi solicitada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-Go) ao Ministério da Agricultura, em Brasília, em função dos atrasos observados na colheita de soja. Além da chegada mais tardia das chuvas na época de plantio, em outubro, os elevados volumes de água registrados nas últimas semanas retardaram a retirada da oleaginosa das lavouras e, em consequência, a implementação do milho safrinha.

MAIOR SEGURANÇA
Agora os produtores de Goiás que atrasaram o plantio de milho e não conseguiram realizar a implementação das lavouras dentro da janela recomendada anteriormente pelo ZARC, poderão ter mais segurança em casos de eventuais perdas nas áreas financiadas ou seguradas, já que o cumprimento do Zoneamento é obrigatório para deferimento de sinistros ou renegociações.
“A gente sabe que muitas regiões não conseguiram fazer o plantio na janela ideal e os produtores que têm áreas financiadas precisam cumprir o zoneamento do Mapa. Por isso, nosso pedido foi unicamente para resguardar esses produtores, e não para incentivar o aumento da área plantada, até porque o histórico nos mostra que plantar em março é sempre mais arriscado”, ressalta o presidente da Aprosoja-Go, Bartolomeu Braz Pereira.
“Essa prorrogação mostra o bom relacionamento da nossa entidade junto ao ministério e o respaldo que temos conseguido para solicitar aos órgãos competentes o que for demanda dos produtores de grãos”, completa.
ANDAMENTO DA SAFRA
Rendimento médio gira em torno de 62 a 65 sacas de soja por hectare. Preços subiram na região e saca é cotada entre R$ 65,00 a R$ 65,50. Cerca de 70% da safra já foi comercializada na localidade. No milho, em torno de 80% da safrinha foi plantada dentro da janela, no mês de fevereiro. Cotações estão próximas de R$ 20,00 a R$ 22,00 a saca. Isto em Mineiros, região produtora por excelência de grãos, segundo o presidente do Sindicato Rural, Ionaldo Morais Vilela.
A comercialização da safra 2017/18 de soja em Goiás chegou a 60%, segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO). “O mercado internacional está aquecido. Assim como em outros Estados, a comercialização avançou rapidamente nas últimas semanas”, diz a associação, em nota.
Com dados do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária Goiana (Ifag), a instituição diz que a colheita de soja foi concluída em 65% dos quase 3,4 milhões de hectares plantados neste ano, mas está atrasada na comparação com 2017, quando 80% das lavouras já haviam sido colhidas nesse mesmo período. Com crescimento de 3,3% na área plantada, a produção goiana deve superar a marca de 11 milhões de toneladas este ano.
O preço da soja disponível em Goiás subiu 10% em pouco mais de um mês. De acordo com o Ifag, a saca de 60 quilos era comercializada a R$ 60,94 no dia 1º de fevereiro. Já na última quarta-feira, a média foi de R$ 67,03 por saca.

BOVESPA
Na BM&F Bovespa, os futuros do milho dão continuidade ao movimento positivo no pregão desta terça-feira. As principais posições do cereal subiam entre 2,66% e 4,31%, perto das 12h12 (horário de Brasília). O março/18 era cotado a R$ 42,80 a saca, com valorização de 2,39%. Já o maio/18 trabalhava a R$ 40,51 a saca.
As cotações continuam sendo impulsionadas pela retração vendedora que tem sido observada no mercado. Além disso, as preocupações com o clima na Argentina, e as perdas já consolidadas, e as incertezas com a segunda safra no Brasil também contribuem para a formação do cenário positivo.
Ainda no pregão desta segunda-feira, as cotações subiram mais de 2%. O março/18 finalizou o dia a R$ 41,80 a saca.
BOLSA DE CHICAGO
As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) ampliaram os ganhos nesta terça-feira. Por volta das 12h10 (horário de Brasília), os vencimentos do cereal exibiam valorizações entre 2,75 e 4,25 pontos. O março/18 operava a US$ 3,88 por bushel e o maio/18 trabalhava a US$ 3,93 por bushel.
As cotações continuam sendo sustentadas pelas preocupações com o clima na Argentina. As lavouras já apresentam perdas consolidadas e segundo dados da Reuters internacional “é improvável que as plantações sejam ajudadas significativamente por chuvas ao longo dessa semana”.
Do mesmo modo, as agências internacionais destacam que as reduções da safra da Argentina e dos estoques americanos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) também dão suporte aos preços. Por outro lado, a demanda tem mostrado a sua força e ainda nesta segunda-feira o departamento reportou duas vendas de 362,552 mil toneladas do cereal.
O USDA reportou, ontem, a venda de 210 mil toneladas de milho para a Coreia do Sul. Porém, a venda é de origem opcional, que pode ser dos EUA ou de outro país exportador. O volume negociado deverá ser entregue ao longo da campanha 2017/18.