Esculturas intrigantes
Redação DM
Publicado em 11 de março de 2018 às 00:07 | Atualizado há 1 ano
CONFIRA ABAIXO ALGUMAS ESCULTURAS MODERNAS QUE DESAFIAM A PERCEPÇÃO:
Existe quem acredita que a arte tem como solo a realidade. A fotografia, por exemplo, sofre por uma determinação arcaica de que é mero retrato da realidade, o que é real em certos casos mas não único. Ao mesmo tempo, não significa que a realidade não tenho material artístico, muito pelo contrário, certas expressões só encontram sua poética na bruta realidade do asfalta e da vida, nua e crua. Mas a proposta é inovar e até mesmo inventar, em certos casos, trazendo aos olhos momentos e figuras impossíveis. Esse desafio que o artista se dispõe é um avanço, pois através do desafio das possibilidades que o mundo caminha, pensando sempre diferente e sempre e mais.
O trabalho de um escultor também sofre com essa necessidade do real. Os detalhes mais aproximados da realidade são os que encantam no primeiro momento, mas um dos sentidos da arte é propor um aprofundamento em temas, pessoas e lugares. É inexplicável o sentimento ao desvendar um detalhe, como se aquilo se revelasse exclusivamente aos olhos presentes e ali um segredo se firmasse.
A escultura, grosso modo, é a arte de transformar matéria bruta (pedra, metal, madeira etc.) em formas espaciais com significado. Quando dizemos “formas espaciais”, queremos dizer formas em terceira dimensão, isto é, com volume, altura e profundidade. Das artes plásticas, a escultura é uma das que mais estabelecem interação com o grande público. Isso porque, geralmente, elas são pensadas e produzidas com a finalidade de ocupar espaços públicos. É assim, por exemplo, com os conjuntos esculturais gregos e romanos; mas também com as esculturas produzidas na época do Renascimento ou em culturas de religiões tradicionais, como o budismo e o hinduísmo.
Muitas vezes, as esculturas são também projetadas para acompanhar complexos arquitetônicos, com o objetivo de compor um conjunto artístico harmonioso. É o caso das esculturas que acompanham as catedrais góticas da Idade Média e os palácios em estilo clássico do período das monarquias absolutistas. Além disso, de acordo com a época, a civilização e a escola artística, a escultura sofre variações temáticas e formais. Isso se torna evidente quando comparamos as obras de um escultor renascentista (do século XVI), como Michelangelo, com as obras de um escultor primitivista ou cubista, como Picasso (do século XX). A Pietá (ver imagem no topo do texto) de Michelangelo, por exemplo, seguramente, tem uma expressão realista típica do Renascimento, que busca transmitir a dor do tema da deposição do corpo de Cristo da cruz e a contemplação pela mãe.
ESCULTURA MODERNA
É por isso muito importante esquecer a rotina (outro desafio) e deixar que o pensamento se fixe no trabalho a sua frente, percebendo cada detalhe, quase como uma meditação. Fadas metálicas do artista britânico Robin Wight, por exemplo, cria, com um simples arame, esculturas fantásticas que muitas vezes dão a impressão que vão sair voando . Wight descreve seu processo criativo da seguinte forma: “no começo, se cria uma base fixa; em seguida, se forma o esqueleto e os músculos do corpo e ainda completa que em cada uma de suas obras em forma de fada tem um coração de pedra onde ele costuma deixar uma mensagem gravada”.




