Juiz bloqueia R$ 975 mil de três políticos por fraude na compra de terreno
Redação DM
Publicado em 8 de março de 2018 às 01:58 | Atualizado há 8 anos
O Tribunal de Justiça de Goiás autorizou o bloqueio de R$ 974.744,72 em bens de três políticos de Vila Boa, no nordeste do Estado, denunciados por fraudes na compra do terreno destinado à construção de um polo industrial.
Os alvos do bloqueio são o então prefeito, Anísio dos Santos; o ex-vereador Júlio César, autor do projeto de lei que indicou o terreno; e o dono do terreno, que é ex-vereador e posteriormente foi prefeito da cidade, Antônio Amauri Malaquias de Pinho. O terceiro é advogado e autor de um livro sobre corrupção.
O juiz Marcelo Alexander Carvalho Batista assinou a decisão que tem caráter liminar no último dia 27 de fevereiro. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Antônio Amauri Malaquias de Pinho comprou a área por R$ 12,5 mil em 2007. Cinco anos depois, fechou acordo para receber R$ 574.744,45 pelo terreno, o valor final é 45 vezes superior ao inicial. O projeto de lei, segundo o MP, desrespeitou preceitos legais e distorceu decisões do Tribunal de Contas do Município. A sanção dele ocorreu “em caráter irrevogável e irretratável”, enquanto Anísio dos Santos exercia mandato “tampão”, de menos de 45 dias. Um mês após a sanção do projeto de leite, Antônio Amauri Malaquias de Pinho assumiu a Prefeitura de Vila Boa. Ele é autor do livro “Como Cassar um Prefeito Corrupto e Afastá-lo Imediatamente”.
Na decisão, o juiz disse ter visto indícios de improbidade administrativa e declarou haver um número relevante de documentação comprovando que a intenção deles era enriquecer indevidamente às custas do “pequeno e carente” município de Vila Boa. Ele acrescentou que, se não fossem tomadas medidas urgentes e rápidas, poderia não mais haver bens em valor suficiente para ressarcir os prejuízos e custear a multa civil.
De acordo com a ação de improbidade administrativa proposta pelo promotor de Justiça Asdear Salinas Macias, após a cassação do prefeito Waldir Gualberto de Brito, em 2012, o então presidente da Câmara de Vila Boa, Anísio dos Santos, assumiu a gestão municipal. Apenas 15 dias após assumir o cargo, ele aprovou projeto de lei proposto pelo ex-vereador Júlio César, para declarar de utilidade pública para fins de desapropriação o terreno de Amauri Pinho.