“É preciso radicalizar a democracia”
Redação DM
Publicado em 7 de março de 2018 às 02:12 | Atualizado há 8 anos
Pré-candidata a presidente, a deputada estadual Manuela D´Avila (PCdoB-RS) foi entrevistada de ontem no programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Ela diz que não há saída para crise fora da política. “O Brasil vive uma crise econômica e política muito severa, precisamos transformar estas eleições num momento de debate para encontrarmos soluções para o País: como enfrentá-la e como superá-la, para que o Brasil reencontre o caminho do desenvolvimento econômico, que nossa indústria aposte nos caminhos da inovação e gere empregos aqui. O Brasil precisa fazer este debate durante a eleição e não há jeito: nós precisamos ocupar a política. Sou alguém que há 20 anos escolheu militar num partido porque acredito que não há saída fora da política. Precisamos ocupar a política, radicalizar a democracia para mudar o Brasil. É por isto que sou candidata à presidência”, frisa.
ENTREVISTA
- Debate
De acordo com a presidenciável, “a eleição é um momento raro. Ela abre espaços e quem não tem proposta vai ser desmascarado”, afirmou a pré-candidata. “Quero discutir propostas. O brasileiro tem medo da instabilidade e da incerteza em relação ao futuro. Temos 13 milhões de desempregados, 5 milhões há mais de 1 ano, ou seja, são estáveis na condição de desempregados. Metade desses cinco milhões tem até 29 anos, ou seja, são jovens brasileiros. Isso vai gerando medo, insegurança e as pessoas–e o Bolsonaro tem feito isso–transformam o medo em ódio. Mas precisamos entender que isso não vai resolver a crise da política e economia do país. Precisamos de um projeto. Não é fácil. Temos que debater a economia. Temos um povo diverso, precisamos encontrar um caminho juntos”, observa.
- Lula
Manuela defende o direito do ex-presidente Lula ser candidato nestas eleições. Ela considera que sua condenação é fruto de perseguição política, e considera importante que ele participa do debate político destas eleições. Questionada se acha o petista inocente, ela disse: “eu acho que ele foi julgado sem provas”. “Isso manifesta a judicialização da política”, afirmou a comunista. A representante do histórico aliado do PT diz que pretende “enfrentá-lo nas urnas”. Manuela D’Ávila quer “estar junto no segundo turno” com o pré-candidato Ciro Gomes (PDT), de quem se diz amiga.
- Reação
Durante a entrevista na Jovem Pan, Manuela D’Avilla estava trajada com uma camista com os dizeres: “Rebele-se”. Questionada sobre a frase, a presidenciável diz que Vestindo uma camisa com a frase “rebele-se”, a pré-candidata do PCdoB conclama o “povo brasileiro” a “reagir com indignação à desigualdade e à entrega do País que Temer e seus aliados têm feito”. Segundo ela, “99% do povo deve governar o Brasil, e não apenas os multimilionários e os bancos”, resume
- Previdência
Para Manuela, a não votação da reforma da Previdência foi uma “grande vitória” do povo brasileiro. Ela considera que a mudança na aposentadoria proposta pelo governo de Michel Temer “acabaria com a Previdência pública e entregaria a previdência para os banqueiros, acabaria com as perspectivas de os trabalhadores e trabalhadores mais pobres de terem uma vida digna na velhice”. Questionada sobre o rombo da Previdência que afeta as contas do País, citou CPI no Congresso que apontou no ano passado que não haveria déficit na Previdência pública. Ela defendeu um governo “de”paredes de vidro” que dê acesso aos dados.
- Emprego
D’Ávila defende que o Brasil faça um “pacto que passe pela redução de jornada de seus trabalhadores, para que a gente viva a vida com dignidade e depois debata com qual idade nós iremos nos aposentar”. Para ela, o Estado deve existir para nos ajudar o país a sair da crise e garantir geração de emprego de qualidade, “apostando em inovação, fazendo a reforma do Estado para desburocratizar a máquina e permitir que os investimentos privados cheguem”.
- Negros
Ao lembrar que as “mulheres negras são as mais excluídas na estrutura do Estado brasileiro e por isso carregam a marca da desigualdade social”, Manuela afirmou que o centro do seu programa é garantir que o Estado esteja a serviço dos 99% da população formados por negros, moradores de favelas, mulheres, jovens e outras parcelas que trabalham e produzem a riqueza do país, não a serviço do 1% que compõe a elite representada por Temer e o capital financeiro. “Queremos construir juntos um projeto para o Brasil se desenvolver, garantir direitos e justiça social, oferecer oportunidades
- Aliança
Questionada como pretende vencer as eleições com um tempo de TV tão reduzido, Manuela disse que, apesar do PCdoB ter 90 anos de história, não é um partido com tradição de disputa eleitoral majoritária. “Nós não lançamos candidato a presidente desde 1947. Então, em que contexto eu posso ganhar? Só serei eleita presidente do Brasil se existir um grande movimento popular e de rebeldia da população brasileira contra as injustiças. Isso irá subverter a lógica da política tradicional”, aponta. Ela avalia que uma reação popular contra “esse governo que é golpista, misógino e antidemocrático” poderá “subverter a lógica das campanhas eleitorais”.