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Realismo contemporâneo

Redação DM

Publicado em 5 de março de 2018 às 23:47 | Atualizado há 1 ano

No dia 23 de setembro de 2007, a população do Cana­dá foi pega de surpresa pela morte de um dos mais conhecidos pintores do país. Ken Danby, que tinha 67 anos, entrou em colapso em uma viagem de canoa no Par­que Algonquin, perto de North Tea Lake, quando estava na compa­nhia de sua esposa, Gillian Danby, e de alguns amigos. Apesar de uma equipe médica ter sido solicitada, os paramédicos não conseguiram revivê-lo. A data de hoje marca os 78 anos de seu nascimento. Ele fi­cou conhecido por criar pinturas com alto teor de realismo que tra­zem como tema a vida cotidiana. Sua pintura At the Crease, de 1972, que mostra um goleiro mascarado de hockey defendendo seu gol, é uma das pinturas mais emblemá­ticas e conhecidas do Canadá.

Danby nasceu e cresceu na cidade de Sault Ste, em Ontário, uma das 13 províncias do Cana­dá, localizada no centro-leste do país. Ele começou a pintar no En­sino Médio, e passou a fazer parte da Universidade de Artes de On­tário em 1958, aos 18 anos. No iní­cio da carreira, experimentou o expressionismo abstrato – um es­tilo bem diferente do realismo que o consagrou. Em agosto de 1961, participou da primeira Toronto Outdoor Art Exhibition, no esta­cionamento do Hotel Four Sea­sons, localizado, na época, na Rua Jarvis, em Toronto. Danby ganhou o prêmio de melhor exibição com uma pintura abstrata, que hoje pertence à coleção da família. De­pois, passou a focar no realismo, e também desenvolveu técnicas em aquarela. Sua primeira exibi­ção solo foi em 1964.

BIOGRAFIA

Na biografia do site oficial de­dicado à memória do artista, ele é descrito como um verdadeiro divi­sor de águas da pintura canaden­se. “Ken Danby foi um dos pou­cos artistas a criar pinturas que, de forma eficiente, transitaram do status de obras de arte para íco­nes da cultura. Enquanto a popu­laridade de seu trabalho e suas contribuições à arte fizeram-no famoso no Canadá, foram suas imagens atemporais que trouxe­ram a ele reconhecimento inter­nacional como um dos poucos artistas a dar foco ao realismo em sua época.” Danby começou cedo a se dedicar às telas. Apesar de ter morrido aos 67 anos de idade, de­senvolveu sua carreira ao longo de cinco décadas, mantendo o realis­mo canadense em evidência du­rante a virada do milênio.

Os métodos de pintura não convencionais utilizados por Dan­by elevaram o teor de originali­dade de sua obra, de acordo com a biografia. “Suas pinturas mais famosas foram criadas em têm­pera de ovo, um método difícil e desafiador que ele utilizou exten­sivamente durante os anos 1960 e 1970.” O artista foi migrando para técnicas mais comuns para que pudesse desenvolver traba­lhos mais complexos e em maior tamanho. “Danby passou a usar óleo e acrílico progressivamen­te durante o fim dos anos 1980. Um método que permitiu que ele pintasse peças bem mais lar­gas, como o formidável ‘Stampe­de’, que mede cerca de dois metros de altura.” Ao longo da carreira, também utilizou, em alguns mo­mentos, a aquarela.

Suas habilidades não eram res­tritas à pintura. “Danby também era um talentoso gravurista, crian­do 18 litografias em preto e bran­co, além de 32 serigrafias coloridas ao longo da carreira.” Em 2017, aos 10 anos de sua morte, foi tema do curta-metragem Ken Danby: Re­flections, criado por seu filho mais velho, Sean Danby, para a retros­pectiva anual da Hamilton Art Gal­lery. Ele também vem motivan­do a criação de vários livros, como Ken Danby, de Clarke Irwin e Dan­by: Images of Sport, publicado pela editora canadense MacMillan, en­tre outros. Nas três décadas que an­tecederam sua morte, Danby viveu e pintou em uma propriedade ru­ral em Guelph, Ontario. Além dis­so, passou anos restaurando o Moi­nho Armstrong, um patrimônio histórico da região.

TOM THOMSON

Ele não foi o primeiro artista ca­nadense a perder a vida no Parque Algonquin. Tom Thomson, um jo­vem e influente pintor que desen­volveu sua curta carreira no início do século XX também teve a vida in­terrompida enquanto estava no par­que. Thomson desapareceu duran­te uma viagem de canoa no Canoe Lake, no dia 8 de julho de 1917. Seu corpo foi encontrado apenas oito dias depois. Apesar de existirem al­gumas teorias da conspiração en­volvendo a morte do artista – que estava num momento de bastan­te evidência da carreira –, o laudo médico oficial apontou afogamento como causa da morte. Sua obra teve influência decisiva para a formação do conhecido Group of Seven, um coletivo de artistas que documen­tou paisagens canadense dos anos 1920 aos anos 1930.


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