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Através da NEBLINA

Redação DM

Publicado em 27 de fevereiro de 2018 às 22:35 | Atualizado há 1 ano

O trabalho do pintor dina­marquês Albert Bertelsen ficou conhecido primeira­mente por sua frequência em retra­tar paisagens e trabalhos gráficos com um visível foco na cor verde. Seu trabalho consegue chamar a atenção para a presença da nebli­na nos ambientes que ilustra, mas longe de se restringir a tal fenôme­no natural, quase todas as suas pin­turas conseguem transmitir uma certa influência atmosférica, que coloca uma camada gasosa sempre à frente dos objetos que ganham forma na profundidade dos planos. Bertelsen nasceu em Vejle, uma ci­dade que existe desde o século XIII e que é conhecida principalmente pela vegetação de suas montanhas. O artista completa nesta semana seu 95º aniversário.

Bertelsen é conhecido por seu autodidatismo, e além de produzir pinturas também trabalha com ou­tros tipos de artes gráficas. Sua ins­piração mais recorrente está nas belezas naturais das Ilhas Faroe, um arquipélago entre o Mar da No­ruega e o norte do Oceano Atlân­tico, localizado praticamente no meio do caminho entre a Islândia e a Noruega. Começou a dedicar­-se à carreira artística por incenti­vo de sua esposa, depois de traba­lhar por mais de 25 anos em uma empresa. Além do arquipélago, o artista também busca inspiração em paisagens da França, da Islân­dia e da Noruega. A textura porosa de suas telas, aplicada em estrutu­ras monocromáticas, causa a im­pressão de vista embaçada em boa parte de sua obra.

Além de criar pinturas com pai­sagens como tema central, Bertel­sen também produz retratos de pessoas de uma maneira bastan­te particular. Toda a população hu­mana que habita o universo cria­do pelo artista tem referência em sua própria memória visual de um período bastante específico: a in­fância. Os rostos retratados por ele compuseram o imaginário do pin­tor durante os primeiros anos de sua vida, e é nessas memórias e fa­ces que ele encontra o ponto ideal para transcender através das cores aquilo que guarda consigo dessa fase tão sensível e delicada da vida. Também podemos observar gatos a passear por seus quadros, bem como as construções históricas da Dinamarca, repletas de geometria e torres pontiagudas.

O artista é conhecido ainda por sua grande produtividade, mesmo em idade avançada. Ele também desenvolveu longos trabalhos ao analisar objetos específicos, crian­do sequências de telas que per­mitem observar o progresso das formas em seu estilo. Outra área explorada por Bertelsen foi a pro­dução retratos humorísticos. Seu trabalho está constantemente re­presentado em museus e institui­ções, principalmente na Dinamar­ca e na Noruega. Seu talento como ilustrador também pode ser confe­rido em inúmeros livros. O artista também possui um interesse es­pecífico pelas paisagens e cons­truções rurais dos países nórdicos, detalhando galpões e telhados em grandes dimensões em meio ao verde dos pastos.

ASSOCIAÇÕES

Uma das influências artísticas de Albert Bertelsen encontra-se no artista Henry Heerup, um dos fundadores do movimento artís­tico denominado CoBrA. Apesar das pinturas de Bertelsen não esta­rem diretamente associadas de for­ma estética às obras apresentadas pelo grupo, o boom artístico cau­sado por ele fez com que a pintura ficasse visível para as gerações se­guintes na região da Europa, onde o artista cresceu. Quando o movi­mento estourou, Bertelsen tinha cerca de 20 anos, mas não produ­zia arte profissionalmente. O gru­po CoBrA foi um movimento artís­tico da vanguarda europeia, criada na Europa em 8 de novembro de 1948, influenciado pela arte popu­lar nórdica, expressionismo e sur­realismo, atuante entre 1948 e 1951.

Apesar de ter tomado forma em um continente específico, espa­lhou-se pelo mundo e acabou reco­nhecido internacionalmente, prin­cipalmente nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960. O nome foi criado pelo poeta e pintor belga Christian Dotremont (o teó­rico e mecenas do grupo), e resul­ta da agregação das letras iniciais das cidades que constituíram os núcleos de formação do movimen­to: Asger Jorn de Copenhaga (Co), Cornelis Van Beverloo de Bruxelas (Br), Nieuwenhuis Constant e Karel Appel de Amesterdão (A). Um im­portante artista do grupo é Luce­bert. CoBrA não era um movimen­to específico da pintura, e também englobava artistas que cultivam a pintura, a música e a poesia.


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