Cotidiano

Elas derrotam o bullying

Redação DM

Publicado em 26 de janeiro de 2018 às 01:54 | Atualizado há 1 ano

A cada dia que passa, o bullying se torna um tema cada vez mais atual e que deve ter total atenção dos gestores, professores e pais para prevenir as agressões dentro e fora da esco­la. Existem diversos projetos que visam proteger as vítimas dessas ações, especialmente os mais atin­gidos, que são as crianças e ado­lescentes. E muitos professores já começaram a fazer sua parte como a professora americana Kathy Pitt, que está tentando colocar um fim nesta ‘‘epidemia’’.

Quando uma professora deu vá­rios cartões à sua turma do 5º ano, ninguém adivinhou que tinha um plano muito brilhante em mente. A adorada professora, Kathy Pitt, tem praticado um método anti-bullying efetivo desde 1999. O método de Kathy para prevenir o bullying en­tre os seus alunos começa com car­tões passados pela turma.

Kathy mandou os seus alunos escrever os nomes dos colegas com quem gostariam de se sentar na se­mana seguinte, ou nomear alguém que tenha sido um bom amigo, tudo por votação secreta.

No final, são os nomes que não foram escolhidos que Kathy está à procura. Afinal, estas são as crian­ças que provavelmente não estão a ser incluídas, ou estão em maior risco de ser intimidadas.

Escritor e mãe de três, Glennon Doyle Melton, foi quem descobriu o método de Kathy e quis contá-lo ao mundo. Glennon quis ver Kathy para obter ajuda para o seu filho, que tinha dificuldades em mate­mática. Glennon confessou que não sabia como fazer os trabalhos de casa e diz que enquanto estava na sala de aula, descobriu que Ka­thy estava a ensinar aos seus alu­nos mais do que apenas conheci­mentos académicos.

O método de Kathy é agora uma verdadeira forma de iden­tificar quais crianças podem ser solitários e ajudar a evitar que o bullying ocorra em primeiro lu­gar. É um método notável que está a ganhar popularidade.

COMO IDENTIFICAR

Na escola eles acontecem, em geral, da seguinte forma: o agres­sor, normalmente alguém popu­lar, líder de pequenos grupos, es­colhe alvos frágeis e começa atos de agressão verbal e/ou física de forma contínua e conta com espectadores, que muitas vezes não deixam de rir ou denunciam esses atos por medo de se tornarem as próximas vítimas.

Os principais tipos de vítimas são os alunos diferentes, seja pela cor do cabelo, cor da pele, deficiências, formas de vestir, peso ou sotaque. Também são vítimas os indefesos, que mostram medo e choram e os que são poucos sociáveis e que têm dificuldade de relacionamento e de se defender. A escola pode prestar atenção nos estudantes que se en­caixam nessas características para perceber se há algum tipo de agres­são recorrente contra eles.

Há alguns sinais que podem in­dicar se um estudante é vítima de bullying. Entre eles estão: a criança não querer ir ou pedir para trocar de escola, voltar dela com roupas ou li­vros rasgados, apresentar baixo ren­dimento escolar e isolamento. Os sintomas que a vítima de bullying pode apresentar são a depressão, agressividade, baixa autoestima, ansiedade, medo, entre outros.

PESQUISA

Uma pesquisa realizada pelas Nações Unidas em 2016, com 100 mil crianças e jovens de 18 paí­ses mostrou que, em média, me­tade deles sofreu algum tipo de bullying por razões como aparên­cia física, gênero, orientação se­xual, etnia ou país de origem.

Os números constam no relató­rio “Pondo fim à tormenta: com­batendo o bullying do jardim de infância ao ciberespaço”, realiza­do pelo representante do secretá­rio-geral da ONU para o combate à violência contra a criança e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

No Brasil, esse percentual é de 43%, taxa semelhante a outros paí­ses da região: Argentina (47,8%), Chile (33,2%), Uruguai (36,7%) e Colômbia (43,5%). Em países de­senvolvidos, a taxa também gira em torno de 40% a 50%, como é o caso de Alemanha (35,7%), Norue­ga (40,4%) e Espanha (39,8%).

“O bullying é uma experiência danosa, apesar de evitável, para muitas crianças no mundo. Não importa como seja definida, as pesquisas internacionais recen­tes com crianças relatam uma taxa entre 29% e 46% de crianças alvo de bullying nos países estudados”, afirmou o relatório.

Segundo o documento, evidên­cias mostram que tanto as vítimas como os perpetuadores desse tipo de violência na infância sofrem em termos de desenvolvimento pes­soal, educação e saúde, com efeitos negativos persistindo na vida adulta.

“Quando as crianças são afeta­das pelo bullying, elas não conse­guem tirar vantagens das oportuni­dades de desenvolvimento aberta a elas nas comunidades e escolas nas quais vivem”, afirmou o relatório.

O estudo mostrou que o bullying é um fenômeno comple­xo que toma múltiplas formas, e é experimentado de diversas formas no mundo. Normalmente definido como provocação, exclusão ou vio­lência física, em torno de um em cada três crianças em idade escolar no mundo informaram ter passa­do por alguma experiência envol­vendo bullying ao menos uma vez nos meses precedentes.

O fenômeno também é mais co­mum entre crianças de idade es­colar em países mais pobres, e na maior parte dos países os meninos e crianças mais jovens enfrentam o problema mais frequentemente.

O UNICEF está trabalhando com governos, sociedade civil e setor pri­vado para estabelecer mecanismos para que as crianças possam repor­tar casos de violência, como atendi­mento por telefone, plataformas on­line e aplicativos móveis. Isso está ocorrendo em diversos países, en­tre eles Albânia, Algéria, Brasil, Hun­gria, Quênia, Madagascar e Sérvia.

No Brasil, o UNICEF, em cola­boração com o governo federal e a ONG CEDECA e a empresa Ilha­Soft, lançaram a plataforma “Pro­teja Brasil” em 2014, por meio do qual é possível reportar violência e abusos para as autoridades.

COMO COMBATER

A conscientização e a criação de um ambiente positivo na es­cola são as melhores maneiras de prevenir problemas. Porém, quan­do casos desse problema já estão acontecendo, a rápida ação da es­cola, a adoção de medidas de pu­nição adequadas e o diálogo com as famílias de vítimas e agressores são recursos fundamentais para resolver o problema.

É dever da escola, portanto, montar uma estrutura que per­mita o combate permanente aos casos de intimidações. Vale criar programas e ações pontuais (como palestras) para conscien­tizar sobre o bullying. Fora isso, também é importante manter os pais sempre a par da vida escolar dos filhos, pois o contato próxi­mo entre escolas e famílias é um dos melhores meios de identificar qualquer problema. Em resumo, é preciso melhorar a comunica­ção escolar e investir na preven­ção do bullying.


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