Araguatins: encontro no presente para resgatar o passado (9)
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2018 às 23:44 | Atualizado há 9 anos
Ao narrar minha infância araguatinense, bastante saudável sobre os múltiplos pontos de vista, de liberdade, de moral familiar e religiosa, ética e de luta contra as adversidades de diferente natureza, outras pessoas do lugar passaram a me enviar suas histórias ou de familiares ou ainda amigos.
Outros acusaram leitura de meus despretensiosos artigos no Caderno de Opinião do Diário da Manhã. São cidadãos não necessariamente araguatinenses de Goiânia, Palmas, Araguatins, Belém e até de Curitiba. Tenho procurado demonstrar o valor de uma cidade, situada no Bico do Papagaio no Estado do Tocantins, uma verdadeira porta de entrada da Amazônia Brasileira.
O que é uma cidade? É a sua população, sua gente, seu humor, o resultado de sua labuta, seu exemplo. A cidade é banhada pelo Araguaia e sua gente acolhedora. Suas praias são atraentes e as águas servem para reduzir o calor tropical.
Já situei pessoas memoráveis de Araguatins. O Enéas Lopes de Freitas é lembrado como o “senhor das águas”. Está nos seus 90 anos de idade, bem vivido. Muita história por contar. Se já citei outros pilotos exímios dos rios Araguaia e Tocantins. Mestre Enéas consagrou-se comandando o barco a motor Floriano Moura, de propriedade do comerciante Antônio Rodrigues Pereira, um dos pioneiros da cidade.
O seu barco transportava babaçu para Belém, capital do Pará, e trazia na volta querosene, tecidos, entre outras mercadorias para revenda em sua loja em Araguatins. Eram transpostos no trajeto cerca de 1.500 quilômetros. Múltiplas cachoeiras e correntezas eram enfrentadas pelo comandante Enéas.
Houve um naufrágio no Tocantins, precisamente no canal do Inferno (o nome já resume tudo) na cachoeira do Capitariquara. As costumeiras orações de Delza Parrião da Silva Freitas contribuíram para sobrevivência do seu marido e assim a poder contar a história de um terrível acidente. Nem sempre a perícia do piloto nas traiçoeiras correntezas é tudo.
Matias Rocha e Vicência foram comerciantes do lugar. José Ferreira da Silva, marido de Anália Monteiro, apelidado de Zé Crente, foi agente do IBGE e ela funcionária da Prefeitura. Ele morreu num acidente de avião na Serra de Uruaçu. Anália Monteiro e Benvinda Monteiro eram irmãs. Filhas de Josias Monteiro Leal (Dãozinho) e dona Bela (Anésia Borges Monteiro). Ele era dono Hotel Leal, pioneiro na cidade.
A série continua.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histadrut, em Tel Aviv, Israel. Autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)