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O fabuloso caminho de Zé Rodrix

Redação DM

Publicado em 12 de janeiro de 2018 às 21:38 | Atualizado há 1 ano

A TV Record, na década de 60, deu notorieda­de a uma série de ar­tistas por meio do Festival da Música Brasileira, que teve quatro edições. Uma das figu­ras que marcou a terceira edi­ção, em 1967, nos palcos do Teatro Paramount foi a de Zé Rodrix. Rodrix fazia parte do grupo Momento4uatro, que se apresentou junto com Marília Medalha e Edu Lobo, concor­rendo com a canção Ponteio. O músico, que faleceu aos 61 anos no ano de 2009, tem ago­ra sua história contada no li­vro O Fabuloso Zé Rodrix, es­crito por Toninho Vaz.

Zé Rodrix foi um multi-artista e tinha o dom de estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Com a lendária Som Imaginário, criada inicialmente para acompanhar Milton Nascimento, foi prota­gonista do flerte da MPB com o rock progressivo. No trio com Sá e Guarabyra fundou o estilo que seria chamado de Rock Rural. Zé Rodrix também aventurou­-se em carreira solo. Foi respon­sável por oito álbuns de estúdio, incluindo duas trilhas sonoras. O mais famoso deles se chama Quem sabe sabe, quem não sabe não precisa saber, lançado em 1974. Esse disco traz uma forte ideia de temporalidade, abarcan­do nostalgia e percepção das ge­rações. Também fala de questões globais como o Muro de Berlim. Rodrix também participou do primeiro disco dos Secos & Mo­lhados, sendo bastante lembra­do pelo instrumental da canção Fala, que fecha o álbum.

Com a gravação de Elis de Casa no Campo, estourou em todas as paradas e teve uma carreira solo de enorme suces­so. Num dado momento, como se entenderá nas páginas do li­vro, parou tudo. Houve muitos Zé Rodrix, antes e depois disso. Compositor, multi-instrumen­tista, publicitário, escritor, ator, gozador, maçon, cozinheiro, era na verdade um grande inventor de histórias – um “fabuloso fa­bulista” que tem agora sua his­tória revelada na biografia escri­ta por Toninho Vaz e publicada em coedição pela Editora Olha­res e Caravela Filmes.

A publicação faz um check­-up geral na trajetória produti­va, provocadora e cativante do artista. A sólida formação mu­sical – atributo que moldou sua carreira – teve início ao receber as primeiras noções musicais de seu pai. No Conservatório Musical do Rio de Janeiro e na Escola Nacional de Música, es­tudou teoria musical, harmonia e contraponto, piano, acorde­om, flauta, saxofone e trompe­te. A trajetória artística se ini­ciou no Colégio de Aplicação da UFRJ, onde fundou um grupo de teatro no qual exercia as fun­ções de ator, diretor, cenógrafo e compositor de trilhas sonoras. O livro conta ainda, com deta­lhes, os desdobramentos dessa empreitada na primeira ativida­de artística profissional, como ator, ainda na época escolar, quando se tornou um dos mais ativos membros do emergente Teatro Tablado, no Rio.

TRAJETÓRIA

A versatilidade musical tor­nou Zé Rodrix uma figura ba­silar nos grupos de que parti­cipou. No Momento4, na Som Imaginário, no trio Sá, Rodrix e Guarabyra, ele compunha e tocava instrumentos diversos. A consagração na música se deu com a gravação de Casa no Campo por Elis Regina, em um compacto lançado pouco depois dele ganhar com a mesma músi­ca o IV Festival de Música Popu­lar Brasileira de Juiz de Fora, em 1968. A versão de Elis também apareceria em seu LP do ano se­guinte, 1972, e foi posteriormen­te apontada pela edição brasilei­ra da revista Rolling Stone como a 93ª Música Brasileira Mais Im­portante de Todos Os Tempos.

Num dado momento, Zé Ro­drix parou tudo. Se retirou do mercado fonográfico por deci­são própria, direcionou seu ta­lento para o jingle publicitário e foi um dos grandes do Brasil nessa área. Ainda ingressou na maçonaria e escreveu uma tri­logia de fôlego, onde misturou, em 1.400 páginas, fatos reais e ficção, abordando a fundação da maçonaria na época do Rei Salomão, ano 1.000 a.C. De­monstrou também uma afiada verve literária.

A biografia do multiartista, foi inspiração para a criação do documentário O fabuloso Zé Ro­drix, pela Caravela Filmes, com direção de Leonardo Cortez e roteiro do autor Toninho Vaz. Em finalização, o filme revela os principais momentos da vida e da carreira do músico através de depoimento de familiares, ami­gos e colegas de profissão.

O AUTOR

Toninho Vaz, nome artístico de Antônio Carlos Martins Vaz (Curitiba, Paraná, 2 de outubro de 1947), é um jornalista, roteiris­ta, escritor e biógrafo brasileiro. Publicou seus primeiros textos – sobre cinema – como colaborador do suplemento cultural do Diário do Paraná, aos 21 anos. No Rio de Janeiro foi repórter da revista IstoÉ e colaborador da Revista de Do­mingo, do Jornal do Brasil.

Publicou artigos e reporta­gens em diversas revistas na­cionais: Fatos & Fotos, Manche­te, Pasquim e Jornal Nicolau. Na televisão, atuou no Jornal da Band e como editor de texto na Rede Globo de Televisão em te­lejornais e programas semanais como: Jornal Nacional, Globo Esporte e Fantástico, onde atuou por mais de cinco anos. Foi edi­tor e produtor na rede norte-a­mericana CBS Television.

Toninho Vaz também foi edi­tor e redator em várias publica­ções da Fundação Darcy Ribei­ro, e é autor das biografias de Paulo Leminski, Torquato Neto, Darcy Ribeiro, Santa Edwiges e Luiz Severiano Ribeiro. Publi­cou em 2011, depois de três anos de pesquisa, o livro Solar da Fos­sa, um território de liberdade, impertinências, ideias e ousa­dias, com prefácio de Ruy Cas­tro, edição esgotada.

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