Um clássico hiper-realista
Redação DM
Publicado em 26 de dezembro de 2017 às 01:14 | Atualizado há 1 ano
É retrato ou pintura? Este é o tipo de confusão que o artista plástico Diego Freitas faz questão de despertar no público. Adepto do hiperrealismo unido à pintura classicista de Rafael, Michelangelo e Da Vinci, o pintor e desenhista busca ir além da perfeição, para atingir o mais alto grau de expressividade. Assim, lhe interessa produzir obras com carga dramática, em que a figura humana impera soberana e, quase viva, contam alguma história, sensibilizam ou pelo menos atiçam a curiosidade do espectador.
Sua obra até agora se destaca em duas linhas: desenho e pintura a óleo. Mas, o artista autodidata que pouco frequentou aulas de arte, acredita ter sido sua maior escola, que lhe deu base para as pinturas e até as esculturas, técnica que começou a se aventurar este ano. “O desenho meu ofereceu muita noção de dimensão e proporção. Acho que se a pessoa tem noção de desenhar já tem meio caminho andado na arte. Tanto que o desenho é o princípio de muitas profissões, arquitetura, designer gráficos”, argumenta o artista.
Através do desenho, ele apresenta a sua faceta mais hiper-realista. Este estilo que nasceu nos Estados Unidos na Europa, no final da década de 60 e é uma evolução do fotorrealismo. Utilizando-se sempre de fotografia, para reproduzir imagens, o artista deste gênero busca captar os detalhes das fotos em alta definição, se tornando a impressão de que o desenho é mais real do que a própria fotografia.
“O hiperrealismo tem essa coisa de confundir com a imagem da câmera fotográfica full HD. Busca os detalhes milimétricos, poros, fios, meus quadros ainda não tem isso. Mas é algo que irei fazer quando tiver mais tempo, coisa que ainda não tenho”, disse o artista que em média demora até um mês para fazer um desenho hiperrealista
De fato este é um estilo, que retrata o que a maioria das pessoas querem esconder no photoshops. Mas as rugas, por exemplo, são um prato cheio para dar mais realidade aos desenhos de Diego Freitas e, é justamente por isso que, muitos de seus desenhos são baseados no trabalho do fotógrafo inglês Lee Jeffries, que ganhou fama internacional ao produzir retratos autênticos de moradores de rua.
“Lee Jeffries faz um trabalho da realidade nua e crua. E, quanto mais rugas, fios de cabelo e detalhes fica mais difícil de acreditar que as minhas obras são desenhos. É demorado para fazer, mais o resultado sempre impressiona”, destaca o artista.
CLÁSSICO MODERNO
Porém, nas pinturas, Diego gosta mais é de retratar pessoas próximas de seu convívio. Amigos, namorada, ou ainda pessoas que chamam a sua atenção atenção e, curtem entrar em seu universo artístico, ele conta que já foram retratados. “As vezes eu olho pra uma pessoa e tenho uma ideia, já outras vezes eu tenho uma ideia e fico aguardando a pessoa certa aparecer. Eu tenho várias ideias que eu ainda não encontrei o perfil certo do modelo”, comenta.
Nos pincéis que ele exerce mais a criatividade, mas mantém sempre em mente o realismo a favor da expressividade. “Gosto muito da figura humana, as expressões e sentimentos que elas passam, os olhares. Muita gente fala que meus quadros chamam mais atenção pelo olhar. Tento dar um contraste dramático para cada obra, um jogo de luz e sombra”, detalha.
O contexto das telas quase sempre remete ao classicismo, período que ocorreu no período do Renascimento Cultural (entre os séculos XIV ao XVI). Nesta época nomes, simplesmente, como Leonardo Da Vinci, buscavam na arte harmonia, regularidade de forma e de cores, com intuito de possibilitar a sensação de ordem, equilíbrio e segurança.
Já os temas variam muito dos interesses do artista, que já exibiu pintura sacras, a considerados vilões da mitologia. Em uma das suas telas, por exemplo, a infância de Jesus Cristo é representada através do olhar angelical de um colega. Já outra amiga, deu a face à leitura do artista sobre o monstro mitológico Meduza.
“Em muitos quadros, retratam a Medusa com uma cara de pânico porque ela foi degolada. Mas eu queria trazer essa ideia de medusa como vítima, porque ela foi violentada e amaldiçoada para ter esta imagem, com as cobras no lugar dos cabelos, para afugentar todos os homens transformando-os em pedra. Logo eu a vejo como vítima. Mas que no decorrer da história, se torna vilã”, argumenta artista que também pintou uma versão de Lúcifer. “Queria tirar este estereótipo de sua figura. A pintura retrata um anjo que errou. E, se ele errou imagina nós? Então fiz um olhar de revolta e cicatrizes devido à sua expulsão do paraíso”, disse o artista, mostrando que a composição de seus personagens vem de uma pesquisa elaborada.
DESCOBERTA
Com tantas nuances, é difícil acreditar que Diego Freitas tenha pouco tempo de estrada como artista profissional. Apesar de ser um artista precoce, pois começou a desenhar na infância, demorou um tempo até ele assumir as paletas. Antes da arte, trabalhou como designer, músico e auxiliar de eletricista, e há apenas dois anos que se dedica exclusivamente às cores.
O ofício começou a ser levado a sério após o convite de uma amigo para participar de uma pequena exposição beneficente em uma igreja. “Fiz alguns trabalhos e gostei de comercializar as obras e ver a reação das pessoas. Então, me senti motivado a trabalhar com isso e busquei aprimorar minha técnica”, conta.
Foi, inclusive, no final este ano que fez a primeira exposição individual, na Assembléia Legislativa. A estreia nas mostras contou com a ajuda de um nome famoso para literatura goiana, Gabriel Nascente. Quando conheceu a obra de Diego Freitas, o convidou para ilustrar seu livro celebrativo “Gabriel Nascente 50 anos de Poesia”, desde então tem sido um guia no caminho tortuoso da arte, em busca de visibilidade e reconhecimento.
“A obra de arte que não nos causa estranheza não sairá do lugar. O artista cuja obra gera uma inquietação na mente, arranca suspiros e arrepios é sinal que é brilhante. Pois as obras de Diego são assim”, disse Gabriel Nascente ao site da Assembléia Legislativa no dia da abertura da mostra.












