Aparecida de Goiânia do zero ao infinito – XX
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2017 às 22:50 | Atualizado há 8 anos
As favelas não proliferaram a mais na cidade de Goiânia, porque os pretensos invasores de terras (lotes) vieram morar em Aparecida em razão das muitas conveniências, como o baixo valor de seus lotes, farto material básico de construção existente no território aparecidense, como pedra, cascalho, areia de toda espécie para uso com cimento, assentamento de tijolos, areia fina para reboco, saibro, madeira para escoramento, terra de boa qualidade para jardinamento, disponibilidade de farta e barata mão de obra, vantagem topográfica de seus terrenos que facilitam as diversas construções, apropriada para se fazer fundação (alicerce) de grandes prédios que geralmente esbarram e se firmam em pedras que se aproximam da superfície.
Os grandes edifícios construídos em Aparecida não sofrem abalos de qualquer natureza em suas construções, dado o amparo e segurança “pedrifera”, existente em seu território, pois, mais de 50% das terras pertencentes a circunscrição territorial de Aparecida são ocupadas por lajes ou lajedos existentes em seu subsolo que fortalecem qualquer alicerce construtivo. Por isso é que em Aparecida existem instaladas legalmente o maior número de “pedreiras” no Estado de Goiás. É bom registrar que na edificação da cidade de Goiânia, construída pelo visionário e idealista Pedro Ludovico, até os dias de hoje, 80% desse material utilizado nas diferentes construções da belíssima Goiânia, foram produzidos e originários do município aparecidense, bem como asfaltamento das rodovias estaduais e federais que chegam a capital, em diferentes rumos, utilizaram-se de pedras, britas de todos os tamanhos, etc., e foram produzidas em Aparecida. Goiânia é, portanto, em matéria produtiva, o resultado daquilo que até hoje é originário do município aparecidense, em matéria de construção.
Com certeza, para abrigar a população migrante de Goiânia para Aparecida é que justificou de minha parte, como prefeito eleito de Aparecida de Goiânia lotear mais de 75% do seu território, fato único acontecido em todo território brasileiro, visando trazer para o município aparecidense o setor residencial sobrante na capital, certo de que as atividades comerciais e industriais teriam o mesmo destino, o que de fato vem acontecendo e continuará ainda por muito tempo.
Logo no inicio do meu período prefeitural e administrativo, com o advento da proliferação imobiliária, estrondosamente iniciada em Aparecida, muito mais do que em Goiânia transformou para melhor o “modus vivendi” da sua população, com gente vinda de todas as unidades federativas do Brasil e até mesmo do exterior, rumo ao crescente Estado de Goiás, na busca de ganhar dinheiro e se estabelecer gradativamente, com objetivo de chegar à Aparecida e montar em diferentes lugares os seus improvisados barracos, geralmente cobertos com insuficientes lonas pretas, as vezes de má qualidade, que não rexistiam a volumosas chuvas, criando problema de toda natureza.
De certa feita, em própria pesquisa feita por este articulista na condição de prefeito eleito em Aparecida de Goiânia, constatei a existência de uma sobra de terras, ou terras devolutas, que sobraram e eram remanescentes de vários outros loteamentos a ela circundante, com outros loteamentos periféricos, como Colina Azul, Monte Cristo, Marista Sul e outros mais. Na aprovação desses loteamentos foi constatada uma sobra de terras de aproximadamente 15 alqueires goianos (48.400m²), e em seu redor, como num acampamento de invasores de terras, pretendiam viver, inicialmente debaixo de coberturas com lonas pretas, cerca de mais de 100 pessoas que preparavam-se para invadir a área sobrante a outros loteamentos circundantes, já aprovados, para se apossarem das terras e ali, por invasão, construírem as suas moradias, sem uma normal delimitação dos seus lotes, o que seria uma balbúrdia de graves conseqüências urbanísticas, porque certamente não abririam necessárias e disciplinadas ruas e avenidas, bem como não deixariam áreas destinadas a construção de praças e próprios públicos necessários a uma vida normal de uma comunidade.
Verificando a existência dessa cruel realidade, de imediato, como chefe do executivo aparecidense, no cumprimento dos deveres e responsabilidades do meu cargo e mandato eletivo frente ao povo que representava, com alguns funcionários da municipalidade, dirigi-me a uma das minhas propriedades rurais, essa denominada “Sítio Céu Aberto” e dali retirei mais de 2.000 estacas de bambu, destinadas ao balizamento, com aproximadamente 2 metros de comprimento cada uma, colocando-as num caminhão da prefeitura, dirigindo-me com alguns assessores, à área prestes a ser invadida e ali, de imediato, a olho nu, na falta de um profissional habilitado para essa finalidade, fui estaqueando os rumos pretendidos de avenidas e ruas, contando com mais de 100 pessoas voluntarias e mesmo parte daqueles que desejavam obter o seu lote para construção. Esses serviços ocuparam quase um dia inteiro e, logo que terminaram esses serviços, chamei um operador de máquinas (tratorista) da prefeitura de nome Benedito (Dito da patrola), determinando a ele que seguindo os rumos das balizas estaqueadas, ao seu meio, fosse abrindo ruas e avenidas transversais, para que, posteriormente, retirarmos dali os lotes que seriam graciosamente e sem nenhuma outra despesa entregues com normalidade aos pretensos invasores.
O patrolista Benedito (Dito da patrola), humildemente, de maneira trêmula, descumprindo as minhas ordens, com feições abatidas, receando represálias, disse-me: “Dr. Freud, muitas pessoas estão me advertindo que se eu iniciar à abertura dessas ruas e avenidas terei no futuro, grandes aborrecimentos, com graves conseqüências. Entendi com certa normalidade que ele poderia ter razão, até porque a Lei estabelece que a pena não passa da pessoa do criminoso, e não era justo eu por em risco por mando ou determinação administrativa que um funcionário viesse pagar por um erro que não cometeu e não havia iniciado.
Assim, de imediato, como prefeito e chefe do executivo aparecidense, determinadamente, subi na patrol (motoniveladora) e com uma certa incompetência de dirigibilidade, comecei a movimentar aquela máquina no rumo do estaqueamento realizado, com certa dificuldade no seu manuseio, ocasião em que em razão de certo declínio das terras ali existentes, onde se fazia o improvisado serviço, em dado momento a lamina da patrol, encostava-se na parte declinada mais alta, alterando o seu verdadeiro rumo, dado as minhas limitações nas manobras que deveriam ser feitas. Por isso é que, até hoje, certas ruas e avenidas da atual e chamada “Cidade Livre”, são tortuosas no seu direcionamento. Felizmente, depois da incapacitada manobra inicial do patrolamento levado a efeito e caracterizada a minha responsabilidade, o patrolista Benedito da patrola, ainda hoje vivo e residente em Aparecida de Goiânia, por conta própria, em presença de muitas testemunhas, se dispôs a continuar fazendo os serviços que iniciei na minha natural incapacidade manobrista, que não foi possível completar. Graças a Deus e a colaboração de muitos os que precisava fazer naquele determinado momento foi feito e o povo através dos seus pretensos invasores alcançaram o seu objetivo, conforme determina a Lei, o Direito e a Justiça administrativa.
Hoje, a quem possa interessar e constatar, os residentes e com ânimo definitivo morando no município de Aparecida de Goiânia e ali trabalhando, ganhando honestamente o pão de cada dia, aumentando e valorizando o seu patrimônio, até mesmo por comprovação estatística, sabem e tem consciência que a “Cidade Livre” possui um setor residencial e comercial superior a própria sede municipal, oferecendo muitos empregos, colaborando no aumento da arrecadação municipal, estadual e federal, trazendo agrado e satisfação da população ali existente, constituindo-se num setor aparecidense de grande número de pessoas, com habitantes superiores as existentes em mais dos 200 municípios goianos, dentre as suas 246 unidades municipais, em pleno desenvolvimento sócio, político e econômico. Um exemplo a ser seguido Brasil afora, como resultado de ser a única e disciplinada invasão consentida no Brasil, permitida conscientemente pelo poder público, e completamente vitoriosa na sua destinação.
Se em estados e municípios brasileiros, hoje favelados, houvessem previsionalmente disciplinado as invasões de terras em suas periferias, seguindo o exemplo de Aparecida de Goiânia, em relação a “Cidade Livre”, não haveriam as indisciplinadas invasões como acontecem no Rio de Janeiro, São Paulo e outras grandes metrópoles brasileiras onde, por direta invasão, se constrói um amontoado de construções favelantes, sem o devido e normal acesso de penetração, verdadeiros antros e esconderijos de marginais que dificultam a ação policial no oferecimento de segurança a seus moradores, lugar permanentemente funcionando como esconderijo de mal feitores que praticam a desordem, praticando toda sorte de criminalidade. A existência de favelas com acontecem no Brasil, não é bom para ninguém. Os culpados da existência de criminosas favelas é culpa única e exclusiva dos governantes que não se previnem para evitar que isso aconteça.
Em Aparecida não tem invasão. Tem assentamento, de forma disciplinada como é o caso do Jardim Tiradentes, aberto pelo então governador Henrique Santillo, Colina Azul por Freud de Melo, quando prefeito aparecidense, Serras das Brisas, Setor Residencial Norte Sul, Setor Pôr do Sol, estes três últimos que não foram devidamente aprovados e registrados no Cartório de Registro Imobiliário (CRI) de Aparecida de Goiânia, por conta e responsabilidade do poder público municipal da época, que mesmo assim, autorizou criminosamente a venda desses lotes a humildes e pobres adquirentes que até hoje não receberam as escrituras correspondentes, prejudicando milhares de inocentes compradores. Este articulista que aprovou 95% dos loteamentos existentes em Aparecida de Goiânia, nenhum deles tem qualquer irregularidade, foram legalmente aprovados e devidamente registrados. É preciso que o povo saiba dessa verdade.
Tudo que for bom para Aparecida de Goiânia, Goiás e o Brasil, terá o meu acolhimento. Porém, todo aquele que prejudicar Aparecida, me verá pela frente. Seja quem for.
A par de reconhecer que até agora, dentre os vários chefes do executivo goiano, aquele que mais trouxe genéricos benefícios ao Município de Aparecida de Goiânia, por extensão ao Estado de Goiás e com reflexos no Brasil inteiro, foi e tem sido o governador Marconi Perillo. O reconhecimento e sua declaração é uma qualidade dos justos.
(Freud de Melo, ex-vereador, ex-prefeito e criador do município de Aparecida de Goiânia)