Pensamento e vontade da providência divina
Redação DM
Publicado em 23 de novembro de 2017 às 00:04 | Atualizado há 9 anos
É através do pensamento e da vontade que Deus concebeu, criou e governa o Universo, assim como é também por esses dois atributos que os seres pensantes agem e se movimentam nos mundos de relação, em sua infinda caminhada evolutiva, no afã de aproximar-se mais e mais, lá um dia, do Pai de misericórdia e justiça.
Falando de nossa aproximação do Pai, vem-nos à memória o que Emmanuel escreveu em “Fonte Viva” , psicografia de Francisco Cândido Xavier – A Palavra da Cruz –, ao final do nº 97:
“…Repitamos a mensagem da cruz ao irmão que se afoga na carne e ele nos classificará à conta de loucos, mas todos nós, que temos sido salvos de maiores quedas pelos avisos da fé renovadora, estamos informados de que, nos supremos testemunhos, segue o discípulo para o Mestre, quanto o Mestre subiu para o Pai, na glória oculta da crucificação.”
2 – Relativamente a esses dois atributos da mente, Ernesto Bozzano (1862 -1943), em seu excelente livro, “Pensamento e Vontade”, estabelecendo o paralelo do finito para com o infinito no que toca a esses atributos , destacando que é da vontade e do pensamento divino que tudo promana, inclusive o Cosmos, escreve:
“…Tudo quanto até aqui tenho dito, concerne ao ponto de vista científico da questão.
Passando ao ponto de vista filosófico, importa considerar certas induções grandiosas, que abrolham espontaneamente da tese de que nos ocupamos.
O professor Hyslop, partindo de algumas pesquisas muito mais circunscritas do que as encaradas nesta obra, pois que se limitava a examinar os fenômenos de “telecinesia” (movimento de objetos sem contato), chegou às mesmas conclusões quanto ao fato de a Ideia exercer um poder direto sobre a matéria, e aproveitou o ensejo para assinalar o grande alcance filosófico dessas constatações.
É assim que escreve ele:
Se conseguíssemos um dia demonstrar a existência autenticamente supranormal de fenômenos físicos ligados a fenômenos intelectuais de natureza supranormal, de modo a podermos atribuir ambos à mesma causa, atingiríamos, assim, a conclusões de enorme valor cósmico.
A descoberta de uma inteligência extra-orgânica, capaz de mover a matéria sem intervenção dos meios normais – mesmo estando a mediunidade associada a esses movimentos na maior parte do tempo – equivaleria a considerar aberto o problema concernente às relações de inteligência e movimento.
Se, por outro lado, chegássemos a estabelecer o outro fato concomitante da “telecinesia”, devido a inteligências estranhas, isto é, se chegássemos a estabelecer a realidade do movimento de objetos sem contato, graças à intervenção direta de entidades desencarnadas, isso equivaleria a considerar aberto outro problema, relativo à existência de uma Inteligência que superintendesse o Movimento Universal (Contact with the other World, p. 337).
3 – E, argumentando que a vontade e o pensamento finitos, dos seres pensantes, têm origem e co-participam, embora em caráter infinitesimal, da vontade e do pensamento infinitos e, portanto, de Deus, encerra sua prédica, que se adequa com perfeição à nossa Tese:
“…Como vemos, o professor Hyslop, firmando-se em deduções tiradas dos poderes da inteligência humana “encarnada”, sobre os movimentos de objetos sem contato e dos poderes análogos, inerentes às inteligências humanas “desencarnadas”, se compraz a encarar esses mesmos poderes em suas relações incontestáveis com a potência análoga, imanente no Universo infinito, o que leva a concluir pela existência, na inteligência humana e finita, de um atributo característico da Inteligência infinita, que determina e regula o movimento universal.
Por outro lado, se adicionarmos às especulações do professor Hyslop, relativas aos fenômenos da “telecinesia”, os resultados já enunciados a respeito dos outros poderes da Ideia, muito mais prodigiosos por capazes de organizar até a matéria viva, notaremos que o paralelismo, assim completado, manifesta mais que nunca a existência de atributos comuns entre a “Inteligência finita“ e a Inteligência infinita”.
Tais atributos são partilhados em proporções infinitesimais pelas individualidades pensantes, e, por quantitativamente insignificantes em face da divina onipotência, não deixam, todavia, de ser qualitativamente análogos a esta, o que prova que a inteligência humana deve ser encarada como parcela individual da “Inteligência infinita”, imanente no Universo.
Filosoficamente legítimas estas grandiosas induções, há, contudo, muitas outras analogias, que ressaltam espontaneamente do nosso conceito de ser.
Assim, observa o professor William Barret :
A Criação não é mais que o pensamento divino exteriorizado, e desse atributo divino nós partilhamos muito limitadamente, como parcelas da Inteligência Infinita (On the Threshold of the Unseen, p. 154).
Nota: de meu livro, inédito: “Deduções Filosóficas e Induções Científicas da Existência de Deus”, 5ª parte.
(Weimar Muniz de Oliveira – wei[email protected])