Brasil doente
Redação DM
Publicado em 19 de novembro de 2017 às 06:01 | Atualizado há 9 anos
A tristeza é enorme, mas ainda cresce! E cresce para o alto, causa formigamento nas pernas, cólicas intestinais, hiperacidez no estômago, refluxo e coriza… E turva os olhos, chama as lágrimas e finaliza em enxaqueca.
– É uma virose – diagnosticou Ademir Hamu, confirmado por Abdalla Amuy e Ciro Ricardo.
Talvez um laxante resolvesse, mas o distúrbio é de tal ordem que não se pode arriscar, o paciente corre risco de vida – o que um professor radiofônico condena, conclamando o populacho e os locutores a “nunca mais“ falarem assim, pois o certo é risco de morte”. Os da locução, contaminados por discrepâncias gramaticais e violência contra a regência, dizem amém e acreditam piamente que não existe “margem”, no singular.
O festival de esquisitice, bancado nos palácios federais, em Brasília, não havia chegado ao ápice na semana anterior, não… O mestre-sala dessa alegoria carnavalesca ainda tinha muito o que girar, sem reverências nem arte, mas com a indisfarçável associação deletéria com eminências pardas poderosíssimas! Seus bafejadores palacianos não se cansam em articular anomalias que envergonham a Nação e corroem o Erário. Os negócios na bacia das almas resultaram em sangria que não se estanca. E esta não é do interesse do senador que preside o partido dos déspotas descarados.
E nós, do populacho anônimo e quase que totalmente ignaro, ficamos por entender um monte de coisas. Uma delas foi o fato de a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, a que investigou o famigerado “rombo da previdência” ter concluído que não existe tal rombo. Inexplicavelmente, a Rádio CBN noticiou isso – mas parece-me que foi uma vez só. A tevê – por todos os canais – decidiu também omitir-se sobre isso. E o Merlin Meirelles continua a vociferar quanto à urgência de se aprovar tal reforma.
Poxa! Não lhes bastava a reforma trabalhista, essa que extinguiu benefícios arduamente conquistados? O fantoche remunerado com o teto salarial e agraciado com as mordomias de praxe falou no rádio e na tevê… E falava com a hiena que ri, tentava convencer, “principalmente os jovens em seu primeiro emprego”, de que o Brasil se moderniza etc. e abobrinha!
Nas horas anteriores a essa pantomima, o dono da caneta e do destino de seus áulicos, aquele que só age em detrimento do bem-estar da Nação e da Pátria, “canetou” e nomeou um apaniguado de Sarney para a Polícia Federal – e uma de suas primeiras medidas foi substituir o superintendente da PF em Curitiba, sem sequer tentar disfarçar quanto às ordens recebidas de seus padrinhos. Depois, correu até a Procuradora Dodge, cortejando a titular da PGR para mascarar um possível acordo de harmonia entre as instituições.
Mas o xou não havia acabado, não. Outra canetada temerária e o manda-brasa humilhou sua assessoria de comunicação ao transferir para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, o encanecido Moreira, que de Franco só tem o nome, as incumbências naturais do órgão de comunicação.
Ora, ora! Nada disso causa espanto. Há poucas semanas, a imprensa divulgou gastos extravagantes do casal-presidente com o famoso cartão corporativo, aquele cartão de crédito confiado a detentores de cargos importantes. O chefe, ao que parece, não gostou. E um general, figura importante no mais alto gabinete desta malfadada república, “decretou” sigilo sobre os gastos da família presidencial.
Ou seja: no atual governo, ministros e chefes de agências têm o poder de violar a Constituição e as leis que deveriam ser muito bem aplicadas por eles próprios. Mas o que esperar de um governo que institui, de novo, a escravidão no país?
Sei não… Receio que a cura esteja ainda distante.
(Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras)