Reflexão e consciência
Redação DM
Publicado em 19 de novembro de 2017 às 05:43 | Atualizado há 9 anosO dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro e representa a luta dos negros contra a discriminação racial. A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações que sucederam a época de escravidão sofreram diversos níveis de preconceito. No dia 9 de janeiro de 2003, a Lei Federal 10.639 instituiu o “Dia Nacional da Consciência Negra”, com o intuito de conscientizar a população para a importância desse povo na formação social, histórica e cultural de nosso país.
Vivenciamos um contexto de discriminações das mais variadas formas em que coloca o ser humano à margem. Mas uma das formas mais violentas e que fere a dignidade das pessoas é o racismo. A história nos conta que nos primórdios da nossa colonização, os negros foram utilizados nos mais diversos trabalhos, na condição de escravos. Depois, com a abolição da escravatura no ano de 1888, muitos dos libertos ficaram sem saber como iam sobreviver e foram, desde então, estigmatizados em todas as situações; escola, trabalho, lazer etc. Nascidos sob os grilhões de ferro e o estalar da chibata, nem sabiam o valor de poder andar, saltar e rir livremente… Menos ainda, sabiam o que é ser livre da opressão espiritual ou a liberdade real. Então, como construiriam uma vida independente, e de valor social, moral e profissional na terra em que sempre viveram, trabalharam e sofreram? Estes fatos nos levam a crer que o racismo foi construído, mas a verdade é que vivemos em outro tempo, quando não mais existe uma divisa de cor. É preciso entender que somos alma, que somos sangue e que devemos preconizar a igualdade e a paz.
Neste mês de novembro estamos comemorando o “Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher” e a Secretaria de Políticas para as mulheres, está empenhada na campanha que leva para as escolas a informação, que comunica com a sociedade os mecanismos preventivos pela eliminação da violência. A violência começa na sociedade que discrimina, haja vista as mulheres negras estarem mais suscetíveis aos atos de violência. Nossa cultura machista as coloca como objetificadas, pois possuem traços eurocêntricos. As mulheres negras são minoria nos espaços públicos, principalmente os “elitizados”. É perceptível a quase ausência de negros em shoppings, restaurantes mais caros e baladas em geral. E as pessoas estão acostumadas com essa invisibilidade. Quase ninguém olha em volta e se questiona: aqui não tem negros? Com um número relevante de mais de 50% da população negra do país que não tem condições financeiras e acesso à educação, cultura, lazer e entretenimento.
Zumbi dos Palmares, Luther King, Castro Alves, Nelson Mandela, João de Camargo e tantos outros abnegados líderes e mártires, tiveram uma importância muito grande no rompimento de muitos elos das correntes físicas e psíquicas que prendiam o negro. Agora compete aos negros da atualidade se conscientizarem de que a “liberdade” espiritual, o crescimento intelectual, a valorização profissional e social, só acontecerão com competência e dedicação. Com muito empenho e real seriedade nos estudos e nas atividades profissionais. Entretanto, esse período em que a mídia, as escolas, os órgão públicos se voltam para debater este tema, está sinalizando apenas para um chamamento, para os inúmeros fatos que ocorrem cotidianamente, os quais são noticiados e logo após, esquecidos. O que é preciso de fato é uma mudança de concepção, de valorizar o ser humano pelas competências e pelas possibilidades. É bom lembrar de que a relevância ao tema VIOLÊNCIA, não é apenas relacionado ao espancamento; não é apenas quando se trata de violência doméstica; a pior delas é indiscutivelmente a violência social. Este modelo aniquila os homens e mulheres e empobrece a mente de quem comete os crimes racistas. Este é um tema instigante. Espero que seja também contagiante para que homens e mulheres, de qualquer cor, raça ou credo político e religioso possam refletir mais no 20 de novembro, “Dia da Consciência Negra” e conscientizar-se de que somos todos filhos de um único Deus do qual não sabemos de que cor é.
(Célia Valadão. Secretária Municipal de Políticas para as Mulheres, cantora, bacharel em Direito)