Política

Ex-secretários não conseguem explicar “sumiço” de cavaletes

Redação DM

Publicado em 27 de junho de 2017 às 00:30 | Atualizado há 9 anos

A Comissão Especial de Inquérito que apura irregularidades na SMT ouviu, ontem, dois ex-secretários, José Geraldo Fagundes Freire e Fradique Machado, sobre o contrato que permitiu o pagamento de R$175 mil por 7.150 cavaletes entre 2015 e 2016.

Os depoimentos comprovaram problemas de gestão na SMT, na avaliação do presidente da CEI, vereador Elias Vaz (PSB). “Não havia controle na aquisição de cavaletes. Ninguém consegue explicar aonde foram parar. Quem estava no almoxarifado diz que nunca recebeu, os diretores de Trânsito falam que essa quantidade está muito acima do necessário em um ano. Fica evidente que, no mínimo, os que ocuparam a Secretaria não tiveram a competência de verificar que o que estava sendo pago não foi entregue na verdade”, afirmou o vereador.

José Geraldo ocupou o cargo de secretário de fevereiro de 2014 a maio de 2015. Foi ele quem assinou pouco antes de deixar o cargo, no dia 19 de maio de 2015, o contrato com a JBA Comercial Ltda para fornecimento dos cavaletes. Ele informou aos vereadores que não autorizou por escrito a entrega do material antes da assinatura do contrato, mas, consultado informalmente, disse que poderia ser feita. “Não sei se entregou, mas perguntou se podia e eu disse que sim. O risco é da empresa”.

Descontrole

O relator da CEI, delegado Eduardo do Prado (PV), questionou o ex-secretário sobre a nomeação do chefe de almoxarifado na época, José Carlos Martins. “Ele esteve aqui e admitiu que não tinha competência para assumir o cargo. Também disse que recebeu ordens superiores para dar entrada em quatro mil cavaletes no sistema, sendo que só havia visto 800”, relembrou o relator.

José Geraldo afirmou que não deu ordens ao chefe do almoxarifado. “Nunca imaginei que ele não tinha capacidade técnica”, explicou. Alegou ainda que as retiradas de cavaletes eram gradativas.  Segundo ele, métodos mais rigorosos de controle gastam muito tempo, então o ajuste de estoque era feito depois. “É uma forma de gestão. A prefeitura não é a mais organizada nisso, mas existia uma cobrança nossa”, justificou.

Divergências

Fradique Machado foi chefe de gabinete da SMT entre junho de 2015 e março de 2016 e depois ocupou interinamente o cargo de secretário. Disse não saber detalhes do contrato de fornecimento de cavaletes porque foi firmado quando ainda não estava na Secretaria. Não soube precisar o gasto anual de cavaletes e informou dados discrepantes dos repassados por servidores. “Eles disseram que foram gastos no evento de visita da tocha olímpica 250 cavaletes e o depoente de hoje disse que foram usados 1,3 mil”, assinalou Elias Vaz.

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