Daniel tenta conter avanços de Caiado
Redação DM
Publicado em 17 de junho de 2017 às 03:23 | Atualizado há 1 ano

O PMDB quer colocar o pé na estrada. A ideia é retomar os encontros regionais. Já foram realizados sete, mas há muito o que ser feito ainda. É o que foi constatado na reunião realizada na última segunda-feira, no diretório regional. O encontro foi promovido pelo presidente estadual do PMDB, o deputado federal Daniel Vilela. Ele estava em convalescência de uma operação de hérnia, mas retornou, após uma semana de repouso, retomando as atividades políticas. Também participaram do encontro o presidente do diretório metropolitano, deputado estadual Bruno Peixoto, o líder da bancada do PMDB, na Assembleia Legislativa, deputado José Nelto, entre outros dirigentes.
Daniel Vilela demonstrou que tem pressa. Quer apressar as conversas com a militância e pôr o PMDB em marcha em todo o Estado. Por isto ele convocou para a próxima segunda-feira, 19/06, na sede do partido, na avenida Paranaíba, uma reunião com todos os 42 prefeitos do PMDB em Goiânia.
Mas em que pesem as diretrizes do presidente, há críticas à sua condução à frente da legenda. Os deputados que vão disputar a reeleição reclamam que faltando um ano para as convenções o PMDB ainda não formatou uma chapa de deputados estaduais e federais. Quem são os candidatos? Quantos são? Quais municípios representam? Estas foram algumas perguntas que estavam no ar na reunião desta segunda-feira. Cabe ao presidente responder a estes questionamentos.
Uma das preocupações dos lua-pretas do PMDB é que a Casa Verde sempre trabalha com uma chapa de deputados federais e estaduais forte, que reúne representantes de todas as regiões do Estado. “O PMDB não pode cometer o erro de sair para uma disputa, mais uma vez, sem uma chapa de deputados bem definida, pois o partido encolheu muito na última eleição, perdendo cadeiras na Assembleia e na Câmara”, confidencia um peemedebista.
Os dirigentes do PMDB estão focados na unidade do partido, mas avaliam que é preciso ir além para derrotar o Palácio das Esmeraldas. “É necessário unir toda a oposição, além de fortalecer a pré-candidatura do PMDB, o partido deve continuar mantendo conversações com pré-candidatos de outras siglas. Quem estiver melhor é que deve ser o candidato”, admite um dirigente consultado pelo DM.
Desde que perdeu o poder, há quase vinte anos, o PMDB não consegue disputar uma eleição em Goiás sem divisões internas. Em 1994, por exemplo, a fase que antecedeu a escolha do candidato a governador marcou intensa disputa entre vários nomes, sendo escolhido, após desgastes, Maguito Vilela, que venceu as eleições. Em 2010 e 2010, também, os peemedebistas travaram batalhas internas e que, ao final, contribuíram com as derrotas do partido. 2018 está chegando e, mais uma vez, o PMDB prenuncia nova fase de crise interna, o que poderá comprometer o desempenho do partido nas urnas, de novo.
Disputa interna revela crise no interior

O que se vê nas falas no diretório, e em manifestações fora dele, é que o PMDB ainda não está unificado para a missão que o aguarda em 2018. É o que se pode deduzir de recados que são dados, aqui e ali por lideranças do partido. Uma delas, foi o veto a qualquer conversação entre lideranças do PMDB e o governador Marconi Perillo (PSDB). “Está fora de questão buscar qualquer tipo de entendimento com o PSDB, ele é o adversário a ser batido nestas eleições”, disse um dirigente peemedebista na reunião do diretóiro. A fala é um recado velado ao ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que tem sido um interlocutor do PMDB junto ao governador Marconi Perillo.
No último sábado, durante a posse da Juventude do PMDB, a ex-deputada Iris Araújo também mandou um recado, no contundente discurso que fez em defesa do papel do PMDB como oposição ao governo do Estado. A primeira-dama de Goiânia também falou sobre a necessidade de fortalecer e preservar o partido. O registro foi feito pela coluna Bastidores, do Jornal Opção: “Construímos o PMDB lá atrás. Lutamos muito pelo PMDB esses anos todos. Não vamos dar, não vamos ceder, não vamos emprestar o partido.” Quem ouviu, entendeu que o recado foi para o senador Ronaldo Caiado (DEM). Daniel Vilela estava presente na mesa e ouviu Iris Araújo fazer uma manifestação favorável ao seu trabalho:
“Já tive divergências com Daniel. Tem coisas que ele faz que às vezes eu não gosto. Mas eu devo reconhecer o papel do Daniel no PMDB. O Daniel é oposição. Ele tem colocado que quer disputar [o governo], que assume a candidatura. E eu tenho que elogiar quem se posiciona assim”, afirmou.
O jornalista Vassil Oliveira, escrevendo para o portal Diário de Goiás, também registrou neste último final de semana a sui generis reunião do senador Ronaldo Caiado com líderes peemedebistas neste domingo (11/06), em Pilar de Goiás, onde participou dos festejos da Festa do Divino. De acordo com Vassil, o senador foi ao município a convite do prefeito prefeito Sávio Batista (PMDB), que o apoiou na disputa pelo Senado. Estavam presentes no evento os deputados José Nelto e Pedro Chaves.
Conforme relato feito pelo jornalista, o senador Ronaldo Caiado foi recebido como pré-candidato ao governo de Goiás por um grupo de lideranças democratas de 14 municípios da região. “É um evento religioso importante em que nós, da oposição, tivemos a possibilidade de demonstrar a nossa fé e, ao mesmo tempo, a responsabilidade que temos com as tradições do nosso Estado”, enfatizou José Nelto.
Daniel, como já foi dito, tem pressa. Caiado, pelo que se vê, come pelas beiradas.