Brasil

Reflexões sobre o mundo

Redação DM

Publicado em 1 de junho de 2017 às 02:51 | Atualizado há 9 anos

O júbilo dos povos, em todo o mundo, com o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi um registro histórico e incontestável de que somos da paz. Foi o conflito mais devastador da história.  Milhões de vítimas. Travado, sobretudo nos palcos da Europa, nos Oceanos Atlântico e Pacífico, Oriente Médio, China, Mediterrâneo, Norte da África e Sudeste Asiático. Arrasando, principalmente a Europa e o Japão, onde foram despejadas impiedosamente pela Força Aérea dos Estados Unidos, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, duas mortíferas bombas atômicas, produzindo um caos generalizado naquele país oriental. Milhares de mortos. Na Europa, os temidos campos de concentração de Auschwitz e Treblinka, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, onde se mantinham presos centenas de milhares de pessoas, inclusive crianças, enquanto os algozes do nazismo decidiam suas idas para as câmaras de extermínio. Genocídios em massa. O Holocausto que abalou a humanidade!

A cronologia da história sinaliza que inúmeras guerras já sacudiram o mundo, em distintos períodos, mas ainda continuamos incapazes de conviver entre todos os seres, em todos os lugares, por todo o tempo, sem que a intolerância seja aflorada, de alguma forma, causando danos irreparáveis nas partes envolvidas. É lamentável. Certamente caminhamos porque a maioria da humanidade é provida de valores imprescindíveis naqueles que buscam a paz e tem na família o seu maior patrimônio. Caso contrário, só haveria vestígios da nossa civilização num cenário apocalíptico!

Necessitamos, sim, da educação como paradigma das grandes transformações por um mundo melhor, como já vislumbravam o pedagogo alemão Fröbel (1782-1852), fundador do primeiro Jardim de Infância do mundo, em 1837 e o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire (1921-1997), considerado um dos grandes pensadores na pedagogia mundial. Freire influenciou o movimento chamado pedagogia crítica, teoria do estudioso e crítico cultural americano Henry Giroux: “Movimento educacional, guiado por paixão e princípio, para ajudar estudantes a desenvolverem consciência de liberdade, reconhecer tendências autoritárias, e conectar o conhecimento ao poder e à habilidade de tomar atitudes construtivas”.

Alcançamos níveis significativos de progresso, em todo o mundo, seja, em tecnologia de ponta na indústria naval, aeroespacial, automobilista e na agropecuária, mas, infelizmente ainda temos conhecimento, no limiar do terceiro milênio, do homem sendo submetido ao degradante trabalho escravo. A comunidade científica internacional deu saltos extraordinários na prevenção, controle e cura de inúmeras enfermidades como é o caso das células-tronco potencialmente úteis em terapias de combate a doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, por exemplo, mas ainda nos deparamos com a intolerável homofobia, com o racismo e o preconceito. Navegamos por todos os oceanos, desde a Era dos Descobrimentos, que decorreu entre o século XV e o início do XVII, mas ainda destruímos impiedosamente a natureza, que é a nossa fonte de vida, sem pensarmos nas futuras gerações. É incompreensível como alguém de forma deliberada, e consciente, destrói a mata ciliar que é a proteção natural das nascentes dos rios contribuindo, assim, para o assoreamento dos mesmos e podendo fazer desaparecer essas correntes de água tão essencial à vida.

A globalização, como o próprio nome diz, interliga todos os continentes via satélite proporcionando, em tempo real, a oportunidade de negócios, intercâmbios culturais e das redes sociais propiciarem laços de amizade entre todos. Mas, ainda assistimos estarrecidos à violência covarde contra as mulheres, crianças e indefesos. Construímos obras monumentais: túneis, pontes, hidrelétricas, ferrovias e ligamos os oceanos Atlântico ao Pacífico (Canal do Panamá), mas, os corredores palacianos e corporações privadas, em todo o mundo, são cúmplices da corrupção que mata! Uma guerra silenciosa que destrói sonhos, vidas e constrói o inaceitável: a coisificação do homem!

Somos imperfeitos, sim, mas de extraordinária capacidade de discernimento, criatividade e construtiva. Portanto, somos privilegiados de aguçada inteligência que pode nos proporcionar em sermos verdadeiramente melhores. Temos o livre-arbítrio de escolhermos onde semearemos as nossas lavouras, visando constituir as nossas famílias, almejando um mundo para chamarmos de nosso, onde as fronteiras entre as nações sejam apenas uma mera formalidade. Onde as pessoas exerçam plenamente o sagrado direito de ir e vir. Onde a igualdade de direitos e a prosperidade estejam ao alcance de todos, independentemente de classes sociais, de credo, gênero ou intelecto. Um mundo verdadeiramente nosso baseado no lema da Revolução Francesa (1789-1799) de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Paz!

 

(Brasilmar Nascimento Araújo, articulista e poeta. [email protected])


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