Governo acata proposta de goiano
Redação DM
Publicado em 25 de março de 2017 às 02:22 | Atualizado há 9 anos
O governo federal acata recomendação de mudança no sistema de defesa sanitária proposta pelo presidente do Sindicarne (Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Goiás), José Magno Pato, com larga folha de serviços prestados à agropecuária brasileira. No último dia 21, Pato concedeu entrevista exclusiva ao Diário da Manhã em que sugeriu novos sistemas de controle da qualidade. Ontem, o dirigente classista ligou para este repórter demonstrando satisfação pela novidade do Palácio do Planalto. “É o caminho”, observou ao ver que sua ideia está sendo aceita.
No próximo dia 29, que cai numa quarta-feira, exatamente no aniversário de 65 anos do decreto 30.691, de 29 de março de 1952, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, o governo deverá alterar o Riispoa (Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal). O decreto define as regras da inspeção industrial e sanitária de alimentos no País.
O governo vai anunciar uma série de medidas que visam a aprimorar o sistema de inspeção. Entre elas estão as que buscam desburocratizar o setor, com a eliminação de carimbos a outros procedimentos. Além disso, a fiscalização deve apertar o cerco na questão de desvios da função de fiscais sanitários.
“Precisamos virar essa página”, considera Nilson Leitão (PSDB-MT), presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária).
Embora a regulamentação do controle sanitário tenha sofrido alterações ao longo desses 65 anos, sua estrutura básica ainda permanece. Parte de seus quase mil artigos foi modificada em vários governos, como os de Médici, Geisel, FHC e Dilma. Agora, ante a repercussão da Operação Carne Fraca, o governo viu a necessidade de antecipar as mudanças nesse setor de fiscalização.
Além desse olhar de momento sobre a fiscalização, as mudanças do decreto 30.961 atendem à necessidade de adaptação das regras a conceitos mais modernos, diante da nova conjuntura econômica interna e internacional.
Essas novas medidas vão contemplar ferramentas que garantam, com mais eficiência, a qualidade do produto que chega ao consumidor e ao mercado externo.
Ministro mostra frigorífico goiano a jornalistas chineses
“Não há problemas com a carne brasileira”, garantiu o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a equipes da imprensa chinesa que o acompanharam em visita a um frigorífico, situado em Rio Verde, região sudoeste de Goiás. O pedido para conhecer as instalações de uma planta frigorífica e seu funcionamento foi feito pelos próprios jornalistas da China.
O ministro tem se esforçado para fornecer a maior quantidade de informações à imprensa do país e do exterior e a autoridades dos países que importam carne brasileira, desde que foi anunciada a Operação Carne Fraca da Polícia Federal. “Agir com transparência, nessa hora, é o melhor que temos a fazer”, disse o ministro, observando que essa é também uma determinação do presidente Michel Temer.
Além de determinar o auto – embargo de frigoríficos apontados na operação, deixando de emitir certificados de exportação nesses casos, uma das iniciativas do ministro é esclarecer informações que foram truncadas.
O autoembargo visa evitar que frigoríficos não mencionados também sejam prejudicados. Uma das explicações que Blairo Maggi tem reforçado é de que, está claro em áudios da PF, que o uso de papelão se referia a embalagens e não à utilização na produção, como chegou a ser veiculado.
Drauzio Varella defende carne vermelha
Não existe nenhuma comprovação científica que a carne vermelha causa malefícios à saúde da população, como doenças cardiovasculares ou derrames cerebrais. A afirmação é do médico oncologista Drauzio Varella, que ministrou palestra na Expopec 2017 – Exposição das tecnologias voltadas ao desenvolvimento da pecuária. O evento ocorre até o dia 26 de março, em Porangatu, norte goiano.
Segundo Drauzio, houve uma ‘demonização’ de certa parte da sociedade – especialmente aquela considerada intelectualizada – em relação à carne vermelha. “Isso começou na metade do século 20, com informações erradas de que o alimento era responsável por ataques cardíacos, derrames e outras doenças cardiovasculares. Mas isso nunca foi comprovado. Não existe nenhuma evidência. Criaram uma ideologia apresentada de forma pseudocientífica que convenceu parcela da população que o problema do homem moderno estava na carne. E com isso nós engordamos a população”, enfatiza.
Ele acrescenta que ao reduzir a carne da dieta, a sociedade passou a consumir mais carboidratos e alimentos processados com açúcar, e isso resultou na obesidade. Tanto é que no Brasil, 52% da população estão acima do peso, enquanto nos Estados Unidos, 75%. “Substituíram a carne por batata frita, pão, macarrão. Isso está na ‘cara’ que ia dar errado”, destaca. Para Drauzio, é importante é evitar exageros. “Coma de tudo um pouco. Eu brinco que a gente deve comer o que nossa avó considerada comida. Porque se você chegava na hora do jantar e pegava um sanduíche, ela dizia que aquilo não era comida. Comida era arroz, feijão, bife, pedaço de frango, legumes, peixe. Ou seja, uma dieta variada”, reforça.
Prática esportiva
Drauzio Varella defende o consumo de carne, mas também afirma que a população precisa sair do sedentarismo. De acordo com ele, ninguém mais anda ou prática uma atividade física e ao mesmo tempo gosta de comer. “Daí temos um binômio que leva à obesidade. A população come muito, come errado e se exercita pouco. O corpo humano foi feito para se movimentar e não para ficar parado. Antigamente, você não via tantas pessoas gordas. Isso porque elas andavam muito. Hoje, a maioria das pessoas come na rua, por causa do ritmo de trabalho, e a dieta costuma ser ruim. Aí você vai engordando a população sem parar”, afirma.
Expopec 2017
O objetivo do evento é divulgar as tecnologias voltadas ao aprimoramento da produção de carne bovina, ovina e suína no Centro-Oeste, além de discutir e apresentar o que há de mais novo no mercado nacional e internacional. A exposição terá em sua programação palestras, demonstrações e oficinas, feiras de touros, espaço para negócios, exposição de animais, shopping de cavalos, visitas técnicas, vitrine da carne, leilão, festival gastronômico e outras atividades.