Política

Na oposição, quem sonha com o Senado

Redação DM

Publicado em 11 de março de 2017 às 02:10 | Atualizado há 1 ano

Dizem que ser eleito senador é ir para o céu sem precisar morrer. A chamada Câmara Alta, é fruto de cobiça de todos os líderes políticos, principalmente aqueles que alcançaram renome em seus estados. É o caso de deputados federais com múltiplos mandatos ou ex-governadores e ex-prefeitos de capital. Tanto no governo, como na oposição, não são poucos que querem chegar lá.

No PMDB, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela já sentiu o gosto de passear pelos carpetes azuis do Senado. Eleito em 1998, exerceu seu mandato até 2006. É de sua autoria o projeto de criação dos campus avançados da Universidade Federal em Jataí e em Catalão. Maguito não esconde o desejo de retomar a cadeira que ocupou no Senado, fazendo uso das novas experiências no Executivo, com os dois mandatos à frente da segunda maior cidade do Estado de Goiás.

Maguito foi deputado constituinte em 1986 ao lado do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Foi nas discussões sobre as garantias individuais e os direitos dos trabalhadores que o peemedebista e o petista selaram amizade, que se reforçava na dupla que faziam no futebol dos deputados, nas partidas entre a bancada Progressista (deputados do PMDB e do PT) contra o time do Centrão (deputados da ala conservadora da Câmara). Se Lula superar as adversidades e conseguir ser candidato à presidência da República, é possível que a dupla entre em campo juntos novamente nas eleições de 2018.

Suplente de senadora no mandato de Maguito Vilela, a ex-deputada federal Iris Araújo também é um nome que o PMDB pode colocar na disputa pela senatoria em 2018. Sua presença na chapa reforçaria a presença do seu esposo, o prefeito Iris Rezende Machado, na sucessão estadual. Mas há outros nomes do PMDB a serem levados em conta, um deles é o do deputado federal Pedro Chaves, um dos decanos da Câmara Federal, com cinco mandatos (foi eleito pela primeira vez em 1998).

Chaves sempre atuou nas comissões de Agricultura e do Orçamento, tendo se posicionado à favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef (PT). Na campanha de 2014 foi um dos primeiros a apoiar a pré-candidatura ao governo do Estado do empresário Júnior Friboi. Ele avisou que não tem interesse em disputar novo mandato de deputado e só se interessa pela eleição ao Senado.

Prefeito de Jataí por quatro mandatos, Humberto Machado é um outsider no PMDB. Embora seja próximo a Maguito Vilela, o ex-prefeito costuma tomar decisões próprias, por vezes isoladas. Neste sentido, pode se colocar perfeitamente como pré-candidato ao Senado e disputar a convenção do PMDB.

A esquerda tem três nomes para a senatoria. No PT o ex-prefeito de Anápolis, Antônio Roberto Gomide e o seu irmão, o deputado federal Rubens Otoni Gomide. No PC do B, a ex-deputada estadual Denise Carvalho. A comunista representaria a força da mulher, enquanto Antônio e Rubens têm como principal base eleitoral a Manchester Goiana.

No passado recente Anápolis elegeu dois senadores: Henrique Santillo (1979-1986) e Onofre Quinan (1991-1998). A cidade com maior número de indústrias do Estado tem tradição na política e um deles pode reivindicar a candidatura ao Senado. Antônio Roberto, que atualmente exerce o mandato de vereador, recebeu a maior votação proporcional do país para este cargo nas eleições de 2016. Rubens Otoni, que está no seu quarto mandato na Câmara Federal, tem ampla base eleitoral no interior do Estado

O DEM do senador Ronaldo Caiado não pode ficar de fora das projeções para a senatoria. Caiado busca o “entendimento” do PMDB para ser o candidato a governador, e caso os peemedebistas admitam apoiar o candidato do DEM, o partido provavelmente não irá indicar candidato ao Senado, mas caso o caminho de Caiado seja uma candidatura solo, em vôo próprio, um dos nomes do DEM para Câmara Alta é ex-secretário Joel Sant´Anna Braga Filho, irmão do deputado federal Alexandre Baldy e genro do ex-senador Marco Maciel, um dos fundadores do PFL (atual DEM).

Jorge Kajuru, eleito o vereador mais votado de Goiânia, com 37.796 votos tem declarado o desejo de ser candidato a deputado federal nas próximas eleições, mas é de conhecimento público a sua amizade com o senador Ronaldo Caiado. No período da Rádio K (atual Rádio 730), Caiado foi um dos políticos que hipotecou apoio a Kajuru na sua demanda contra o governo do Estado. A verve afiada de Kajuru pode formar dupla com o discurso lacerdista de Caiado e fazer queimar as orelhas marconistas nas eleições de 2018.

Com o cenário nacional ainda indefinido – ninguém sabe se Michel Temer (PMDB-SP) será deposto ou governa até 2018 -, fica difícil saber como se darão as composições de chapa para as eleições nacionais e regionais. Se o governo Temer tivesse indo bem (e não fosse o mais rejeitado da história), seria normal prever uma aliança entre PMDB e PSDB para disputa presidencial, com reflexos nas chapas nos estados. A cada semana Temer e um de seus ministros se afundam em denúncias de delatores da Lava Jato e de outros esquemas. A tendência é que Temer se torne objeto de repulsa e não de atração, e por isto, tucanos e peemedebistas tendem a buscar outros caminhos.

Em Goiás o PMDB conversa com o PT e o DEM na busca de uma chapa alternativa ao marconismo. O problema é que o PT não quer conversa com o DEM e vice-versa. O presidente do PMDB, e pré-candidato ao governo, Daniel Vilela, quer o PT na chapa majoritária e não admite a hipótese de seu partido apoiar a candidatura de Caiado ao governo do Estado pelo DEM. Caiado diz que não deixa o seu partido para se filiar ao PMDB.

Estas, no entanto, são situações do agora. O período das decisões é outro. O martelo das alianças só será batido nas convenções de junho de 2018. Até lá, muita coisa pode mudar: Quem hoje pleiteia o Senado pode ser convencido a disputar o governo (caso do ex-prefeito Maguito Vilela), ou ser convidado para ocupar a candidatura de vice-governador. Outros nomes podem surgir na oposição, como os ex-prefeitos Pedro Wilson e Paulo Garcia, o ex-reitor da UFG, Edward Madureira, ou dissidentes do governo podem mudar esta equação. Mas, o que fica de certeza é que, qualquer conversa sobre aliança ou chapa majoritária na oposição, passa preferencialmente por estes partidos e estas lideranças.

 

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