Nível de estresse na equipe multiprofissional da UTI
Redação DM
Publicado em 3 de março de 2017 às 01:10 | Atualizado há 9 anosAo longo dos anos, o processo de trabalho tem sofrido sucessivas mudanças, iniciando pela economia de subsistência onde o homem produzia somente o que era necessário para o seu próprio consumo e logo depois com os trabalhos artesanais que eram produzidos manualmente e vendidos em uma escala menos, até chegar ao mercado capitalista dos tempos atuais. As últimas décadas foram palco de consideráveis mudanças no mundo do trabalho, resultando em danos, muitas vezes irreversíveis, para homens e mulheres que realizam suas atividades.
Diversos autores afirmam que as transformações que estão ocorrendo no cotidiano dos trabalhadores ao longo do tempo vêm desenhando um novo modo de vida e definindo diferentes padrões de saúde-doença, o que causa forte influência sobre o cotidiano de trabalho.
Neste sentido, para entender as implicações que os processos de trabalho trazem para a saúde do trabalhador, faz-se necessária a compreensão da lógica que rege a intensificação das atividades laborais e da exploração da força de trabalho na contemporaneidade.
Diversas pesquisas têm apontado que o estresse ocupacional é uma doença decorrente das atividades laborais e que acomete, com maior frequência, os trabalhadores da saúde, trazendo prejuízos, não só a saúde desses profissionais, como também à qualidade da assistência prestada pelos mesmos.
O estresse faz parte da vida do ser humano desde a antiguidade, quando o homem lutava para garantir sua sobrevivência na natureza. Ao longo dos anos, várias abordagens foram surgindo. Selye, considerado o pai da teoria do estresse, definiu o chamado estresse biológico com a descrição da Síndrome da Adaptação Geral (SAG).
A SAG é produzida especialmente por agentes que têm efeito geral sobre grandes partes do corpo, bem como estimula defesas, facilitando o estabelecimento e a manutenção de uma fase de reação. Quando perfeitamente desenvolvida, é composta por três estágios ou fases: a reação de alarme, a fase de resistência e a fase de exaustão. Em qualquer momento dessas três fases, registra-se o estresse, embora exista uma diversidade de manifestações na medida em que se passa o tempo. Também não se faz necessário que as três fases de desenvolvam para que se possa registrar a SAG.
Retomar o equilíbrio do organismo torna-se uma tarefa muito difícil nessa fase. Assim, o desgaste emocional não significa, necessariamente, uma doença diagnosticada e, muitas vezes, pode ser reversível pela possibilidade de o corpo humano recuperar perdas e capacidades, desenvolvendo potencialidades frente aos sofrimentos. Dessa forma, estar saudável ou não está relacionado à interação do trabalhador, suas estruturas de suporte emocional e os elementos do processo de trabalho.
É importante que a instituição procure identificar as fontes de estresse, para que se possa estabelecer estratégias de combate à doença. Caso os estressores não sejam erradicados ou minimizados, esses trabalhadores evoluirão para a fase mais crítica do estresse, o que acarretará em grandes prejuízos não só para a saúde destes como também para a organização de trabalho da instituição.
Nesse sentido, tornam-se necessárias intervenções para a prevenção ou controle do estresse ocupacional. Programas de manejo podem ser focados na organização de trabalho e/ou no trabalhador. Intervenções focadas na organização são voltadas para a modificação de estressores do ambiente de trabalho, podendo incluir mudanças na estrutura organizacional, condições de trabalho, treinamento e desenvolvimento, participação e autonomia no trabalho e relações interpessoais nesse ambiente.
Nessa perspectiva, acredita-se que a mudança de atitude permite uma melhor forma de lidar com os fatores estressantes presentes no ambiente de trabalho, principalmente quando há o investimento em relações humanas saudáveis.
(Érica Mayane Holanda Santos Carvalho, enfermeira, mestre em saúde pública e docente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás – Fesgo)