Política

Iris não cede cargos e enfrenta resistências

Redação DM

Publicado em 1 de março de 2017 às 00:46 | Atualizado há 9 anos

O prefeito Iris Rezende (PMDB) não está tendo vida fácil na Câmara de Goiânia. Três blocos independentes e três CEI’s (Comissão Especial de Inquérito) criam dificuldade no relacionamento do Executivo com o Legislativo municipal.

Nem mesmo vereadores do PMDB, partido do prefeito, estão imunes à onda de independência. Wellington Peixoto integra bloco liderado pelo vereador Zander Carlos (PTN), juntamente com a vereadora Tatiana Lemos (PCdoB) e os vereadores Rogério Cruz (PRB), Alysson Lima (PRB) e Juarez Lopes (PRTB). Colega de Peixoto no PMDB, o vereador Clécio Alves também tem feito críticas aos secretários, que, segundo ele, “não estão dando moral para os vereadores”. Não bastassem as críticas, Clécio também é o proponete da CEI do Transporte Coletivo, que pretende investigar as empresas que prestam serviços de ônibus em Goiânia.

A insatisfação dos vereadores tem nome: abstinência de cargos. Iris não fez generosa distribuição de cargos de confiança na prefeitura. Ao contrário, na Saúde e na Educação, deixou que os gestores destas pastas indicassem quadros técnicos para áreas-chave, como as diretorias, direção de postos de saúde e superintendências, que são sempre postos muito cobiçados pelos vereadores, devido ao contato direto destes com a categoria e a população. O prefeito sequer atendeu ao pleito usualmente feito pela Câmara em todas as legislaturas, de cessão de três funcionários municipais para os gabinetes dos vereadores. Em tempos de contenção de gastos, o prefeito tem sido austero nos gastos públicos e comedido na concessão de benefícios.

Iris não parece disposto a fazer um loteamento de sua administração e, pelo perfil dos secretários, sinaliza que vai  fazer uma gestão que apresente resultados à população. Não custa lembrar, por exemplo, que  os secretários de Finanças, Oseias Peixoto, de Educação, Marcelo Fereira, e de Saúde, Fátima Mrue, são todos funcionários públicos, especialistas em suas áreas, e, portanto, têm perfil mais técnico do que político.

O bloco de oposição ainda é restrito a cinco vereadores: Elias Vaz (PSB), Dra. Cristina (PSDB), Jorge Kajuru (PRP), Lucas Kitão (PSL) e Priscila Tejoa (PSD). Quatro vereadores não fazem parte de nenhum bloco: Clécio Alves (PMDB), Izídio Alves (PR), Edson Automóveis (PMN) e o presidente da Câmara, Andrey Azeredo (PMDB).  Entre os independentes não há ainda uma disposição de ruptura com o Paço Municpal. É o que declara o vereador Zander Carlos, líder do bloco Juntos Por Goiânia. Paulinho Graus (PDT) diz que o bloco em que atua visa os trabalhos nas comissões técnicas e CEI’s da casa. O verador Lucas Kitão (PSL) tem a mesma argumentação.

O fato é que a pulverização de partidos na Casa dificulta as relações entre o Paço e a Câmara.  Ao todo são 23 partidos com representação no Legislativo: PMDB (3), PRP(3), PSDC (3). Com dois membros  cada estão o PRB, PSD, PSB, PV, PSDB, PTN  e com um representante estão o PDT, PCdoB, PPS, PMN, PMB, PSL, PSC, PRTB, Pros, PEN, PTC, DEM, PSC e PR.

Trabalhar com 35 vereadores divididos em 23 partidos e quatro blocos palarmentares não será tarefa fácil para Iris. Esta tarefa se torna mais árdua levando em conta que o Paço terá que lidar com as três CEI’s instaladas na Câmara: A CEI da SMT, criada pelo vereador Elias Vaz (PSB), que apura a gestão da Secretaria Municipal de Trânsito nos períodos dos prefeitos Iris Rezende e Paulo Garcia. O vereador Jorge Kajuru (PRP) coordena a CEI das Contas Públicas, que deve analisar a gestão municipal de 2009 a 2016, e a já citada CEI dos Transportes proposta pelo vereador Clécio Alves (PMDB).

O desafio do prefeito, talvez, será fazer uma comunicação direta com a população. Neste sentido, a ideia de criar as sub-prefeituras – descentralizando a administração municipal – pode ser o anteparo nas relações entre a Câmara e o Paço. Ao aumentar a presença do Executivo nos bairros, o prefeito mostra que não está disposto a ser refém de pressões do Legislativo.

 

 

Blocos parlamentares na Câmara de Goiânia

Frente Parlamentar Independente – nove membros

Líder: Dra. Cristina Lopes (PSDB). Membros: Jorge Kajuru (PRP), Priscilla Tejota (PSD), Paulo Magalhães (PSD), Anselmo Pereira (PSDB), Cabo Sena (PRP), Elias Vaz (PSB), Milton Mercêz (PRP) e Sargento Novandir (PTN).

 

Uma Goiânia Melhor, dez membros

Líder:  Eduardo Prado (PV). Membros: Paulinho Graus (PDT), Léia Klébia (PSC), Emilson Pereira (PTN), Jair Diamantino (PSDC), GCM Romário Policárpio (PTC), Paulo Daher (DEM), Anderson Sales (PSDC), Kleybe Morais (PSDC) e Oseias Varão (PSB).

 

Juntos por Goiânia, seis membros

Líder:  Zander Carlos (PEN). Membros: Juarez Lopes (PRTB), Tatiana Lemos (PCdoB), Alysson Lima (PRB), Rogerio Cruz (PRB), Wellington Peixoto (PMDB).

 

Pró-Goiânia – seis membros

Líder: Lucas Kitão (PSL). Membros:  Carlin Café (PPS),  Sabrina Garcêz (PMB), Tiãozinho Porto (Pros), Gustavo Cruvinel (PV), Vinícius Cirqueira (Pros).

 

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