Política

Kajuru protocola pedido para investigar gestão PT/PMDB

Redação DM

Publicado em 2 de fevereiro de 2017 às 01:30 | Atualizado há 1 ano

A Câmara Municipal de Goiânia iniciou o trabalho legislativo ontem  com vereadores solicitando uma série de requerimentos como limpeza urbana, reabertura de Cais, audiências públicas, entre outras demandas. Com o intuito de apurar irregularidades e inconsistências financeiras em relação à gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT), o vereador Jorge Kajuru (PRP) protocolou na primeira sessão ordinária da Câmara, junto à presidência, documento que solicita a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão PT/PMDB. “Precisamos saber quem está mentindo. Se Iris [Rezende], que fala que a prefeitura  está em uma situação caótica  ou o Paulo [Garcia], que disse ter deixado dinheiro em caixa”, questionou o vereador.

O atual presidente da Câmara, Andrey Azeredo (PMDB) aceitou o pedido de Kajuru e informou que a presidência tomará as devidas providências,  encaminhando o pedido da CEI para a procuradoria emitir parecer se ela cumpre os requisitos legais. Após essa manifestação, a instalação da Comissão é publicada no Diário Oficial do Município. Aprovada a CEI, o presidente da Casa deverá convocar os partidos para indicar os membros que vão compor a Comissão. Ao todo, serão sete membros, escolhidos de acordo com a representatividade partidária, sendo estes quem decidirão o presidente e o relator da Comissão. Conforme o Regimento Interno da Câmara, a CEI terá duração de 60 dias, prorrogáveis pelo mesmo período e, ao fim do processo será elaborado um relatório sobre o que foi apurado pela Comissão e encaminhado ao prefeito Iris Rezende (PMDB) e ao Ministério Público.

Em entrevista à imprensa, o vereador Jorge Kajuru destacou sua intenção em ser o presidente da Comissão, após definição de membros e todo procedimento legal. “Gostaria de ser o presidente, não pelo cargo, mas porque me sinto mais preparado, o mais informado e o possuidor de toda a documentação. Me sinto muito preparado, não sei se outro vereador tem o mesmo conteúdo de informação. Não estou criticando o colega, mas me preparei para essa causa”, explicou. O vereador ressalta que ao analisar documentos é possível constatar um déficit financeiro deixado na prefeitura, o que justifica a instalação da Comissão para investigar a gestão passada. “Fui ao Ministério Público e Procuradoria Geral do Município e pude constatar documentalmente o déficit mensal deixado para esta prefeitura de R$ 30,7 milhões. Pude constatar mais oito causas gravíssimas, entre elas crime como a questão da previdência, do IMAS, das áreas públicas, de contratos, de gastos e de licitações. Creio que tudo isso seja altamente suficiente para a abertura de uma CEI”.

Assinaturas

Para que a Comissão pudesse ser aberta eram necessárias 12 assinaturas, mas surpreendentemente, como classificou Kajuru, 31 vereadores assinaram o documento. Kajuru ainda ressaltou que não procurou nenhum vereador para assinar o documento, mas que os vereadores o procuram de forma espontânea para que a CEI seja instalada. “Não convidei ninguém para assinar. Vieram espontaneamente”, reforçou e completou: “Creio que isso deveria ser pedagógico daqui para frente, todo  governante ao deixar o mandato deveria aceitar espontaneamente uma investigação no seu mandato para que a sociedade soubesse, de fato, o que fez de errado e de certo”.

Propositor da criação da CEI, Kajuru esclarece que não tem nada contra o ex-prefeito Paulo Garcia, mas reforça que a população tem o direito de saber com transparência como está a situação do município. “Não há nada pessoal contra Paulo. Mas é isso que queremos saber, abrir uma caixa preta, investigar a herança deixada por Paulo Garcia, concluir se foi realmente incompetente e deixou uma prefeitura falida ou não, que o prefeito Iris Rezende é que não está tendo capacidade administrativa para viabilizar o seu mandato. Vamos saber a verdade”, concluiu.

Resposta de Paulo Garcia

Em contato por telefone, o ex-prefeito Paulo Garcia informou encarar a abertura da CEI com muita tranquilidade, visto que se trata de um dispositivo legal que a Câmara detém. “Não vejo problema em investigar a minha gestão. Vejo isso com muita tranquilidade”, afirmou. Questionado sobre o possível déficit de R$ 30 milhões deixados na prefeitura, Paulo Garcia esclarece que a prestação de contas de sua gestão foi protocolada junto ao Tribunal de Contas e está disponível para quem quiser ver.

 

 

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