Fogo amigo
Redação DM
Publicado em 6 de abril de 2017 às 01:48 | Atualizado há 9 anos
Cuidado com o ”Fogo Amigo”. A época em que somente os gerentes avaliavam seus subordinados acabou. Caso persistam, cuidado, para não ouvirem cobras e lagartos.
Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz. Victor Hugo.
Este é o assunto; não tem como não falar de fatos que ocorrem no dia a dia das organizações que não deixa de serem plausíveis de uma boa discussão. Quando fulano ou sicrano – próximo do “chefe”, fala pelos corredores de assuntos já considerados encerrados (suponho que esteja), e os subordinados estão meio saidinhos, acendam o sinal vermelho: coloquem as barbas de molho, olhos de butuca, afinal, estamos diante do perigoso “Fogo Amigo”.
É uma expressão inglesa (Friendy Fire), e é um eufemismo – figura de linguagem que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão.
Muito utilizada militarmente no que tange aos aspectos de ataques aliados a aliados ou inimigos a inimigos.
Ninguém quer ser mais tratado de subordinado, ou seja, quer sentir-se membro de uma equipe. E você chefe, gerente, tem de ouvir todos os dias a velha máxima de que está ali somente para ajuda-los. Ops; não seria o contrário?
Eu lamento em informá-los, que se esta é a sua situação atual, preparem-se para o pior. Os seus colaboradores querem de fato, dizer a verdade sobre “você”.
Atualmente nos programas de 360 graus de avaliação, todo mundo fala o que pensa sobre todos. E, sejamos francos, nem sempre são elogios. A situação para aqueles que estão em cargos de gerencia é sempre delicada e poucos sobrevivem.
Aos sobreviventes, passem a encarar esta avaliação informal como uma chance para que você saiba o que precisa melhorar com o seu grupo.
Se conselho fosse bom, vendia. Mas, não custa nada recomendarmos o que muitos especialistas (que já passaram pelo crivo desagradável do fogo amigo e ouviram cobras e lagartos -@#**$$&&&#*), nos ensina:
- O mercado mudou e os programas de avaliação vão agora fazer parte do dia a dia e da vida de todos dentro de uma organização. Os relacionamentos agora são igualitários. Trate de aceitá-los.
- Toda crítica negativa pode tornar-se pessoal. Aprendam a separar as coisas. Ninguém é um exterminador do futuro que está ali para persegui-lo e eliminá-lo. Se você se sente assim, procure uma orientação psicológica.
- Hoje, as empresas não adotam um programa de avaliação porque quer prejudicar especialmente você. É a sua chance de desenvolvimento. Você precisa saber o que tem de melhorar. Caia a ficha; ninguém coloca o seu emprego em jogo diante de um chefe que sabidamente só gosta de receber elogios.
- Ajoelhou, tem que rezar! Fica feio aproveitar a primeira oportunidade para demitir aquele funcionário que falou a verdade sobre você. Mesmo que, para alguns, seja uma punhalada nas costas, nunca, mas, nunca parta para a vingança.
- Ensine e estimule sua equipe a formular críticas construtivas. Troquem o “você é assim”; pelo “ você pode melhorar se…”
- Sabe-se que toda avaliação no começo é difícil, inclusive para os subordinados. Você, como um líder, tenha o hábito de incentivar sua equipe a falar a verdade. A indústria de punições tem como produto final: bajulação. Evite ser o cardápio do almoço.
E, para encerrar esta missiva, quando aquele garoto (a) vinte anos mais novo que você, resolver em uma reunião, contradizer o que você fala, não se assuste ou queira ser o exterminador do futuro em sua conhecida frase: “I’ll be back”; pergunte a si mesmo: será que não foi uma boa ideia? Neste mundo pós-moderno, nem nossos filhos aceitam mais serem tratados como um ser não pensante.
Palavras-Chave: Fogo Amigo, Avaliação 360º, Eufemismo.
Leitura/recomendada: O 8º Hábito – da eficácia à grandeza. Stephen R. Covey.(Capítulo 14).
E vamos à luta! Tenham uma boa semana.
(Cezar Tadeu S. Veiga, administrador de empresas, especialista em Docência Universitária, especialista andragógico em Gestão de Pessoas. E-mail: [email protected])