Bem recebido o regulamento de produtos de origem animal
Redação DM
Publicado em 31 de março de 2017 às 02:46 | Atualizado há 1 ano
O presidente do Sindicarne, José Mago Pato, elogiou a medida, justamente ele que defendeu em entrevista ao Diário da Manhã a atualização da “naquilo que comporta modernização, porque o segmento da carne adotou providências visando uma ordem sanitária animal digna do consumidor em qualquer parte do mundo”. Da parte dos pecuaristas, a revisão mereceu elogios também por parte da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) e da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura (Faeg).
O novo documento inseriu a definição de estabelecimentos de produtos de origem animal de pequeno porte, o que, para o governo Temer, possibilita a legalização de pequenas agroindústrias e flexibiliza exigências relacionadas a características de equipamentos.
“Nós estamos hoje atualizando o regulamento de inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Vamos atender demandas de todo o setor ligado a produtos de origem animal. Com o novo regulamento estamos olhando para a pequena agroindústria. As regras eram muitas para os pequenos produtores e estamos melhorando, simplificando”, disse o secretário do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki.
“A desburocratização vem sendo feita com muita intensidade”, comentou Michel Temer. Outra alteração diz respeito às penalidades. A lei redefine as sanções passíveis de aplicação de penalidades e gradua as infrações em leve, moderada, grave e gravíssima. Na versão anterior do decreto, a multa mais alta era de R$ 15 mil. Agora, passa a R$ 500 mil.
“Há tempos atrás eu me recordo que fizemos uma solenidade para desburocratizar o Ministério da Agricultura. O Blairo [Maggi, ministro] criou uma comissão e fez uma intensa desburocratização, que tem sido a regra do nosso governo. A desburocratização vem sendo feita com muita intensidade”, comentou Michel Temer.
“O decreto que assinamos hoje é parte do esforço que significa uma fiscalização rigorosa e também uma desburocratização desse setor. Embora tenhamos penas mais duras para infrações no processamento dos produtos de origem animal, também teremos mais transparência e objetividade nessa fiscalização”, completou.

A emoção do líder
Durante o GAF Talks, em São Paulo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, falou a respeito da operação Carne Fraca, destacando como um caso isolado pode manchar a imagem do país perante aos mercados internacionais.
Em sua fala, Turra destacou que há uma guerra da informação que gerou efeitos controversos em relação ao verdadeiro foco da operação. Ele citou o caso das empresas grandes, como BRF e JBS, que tiveram um problema em apenas uma unidade e, logo, “confundiu-se um nome construído com uma planta”.
Alguns mercados, como a China e a Coreia da Sul, reabriram suas portas. Para o presidente, agora a situação é outra: o Brasil precisa saber como reabrir esses mercados efetivamente. “Abriu pra valer e para voltar ao passado ou abriu por uma gentileza, para que a gente recomece tudo de novo?”, questionou Turra, destacando que a desconfiança gerada em torno da carne brasileira precisará de um trabalho de reaproximação dos destinos.
Ele apontou também que o trabalho realizado por décadas por algumas marcas não deve ser jogado no lixo, ressaltando a importância de “valorizar quem empreende”. Com isso, Turra salienta que a produção de carnes faz parte de um produto muito maior, que é o Brasil. “Não vi um frigorífico chamado Brasil. Não vi um açougue chamado Brasil. E saiu nos jornais que o Brasil vende carne podre”, disse, apontando que houve uma generalização em torno dos produtos do país.
Em defesa da carne
“O que adianta a gente comemorar uma grande safra se, de repente, uma leviandade, uma irresponsabilidade nos joga na lata do lixo?”, reflete, pedindo também o apoio da imprensa que acompanha sua fala para compreender o país enquanto uma grande reserva na produção mundial.
Emocionado, Turra diz que a missão agora é “recuperar, chegar e correr atrás”. Com isso, os representantes, como ele e o vice-presidente da ABPA, Ricardo Santin, irão realizar viagens para ressaltar a qualidade da carne brasileira. “Em nome do emprego, da nossa dignidade e em nome desse milagre que se chama Brasil”, concluiu.