Maguito defende união da oposição
Redação DM
Publicado em 30 de março de 2017 às 03:16 | Atualizado há 9 anos
O ex-governador Maguito Vilela defende o diálogo do PMDB com todos os partidos de oposição e àqueles que estão descontentes com o governo do Estado. Auto intitulando-se conselheiro do PMDB, ele esteve reunido na manhã de ontem com a bancada estadual do partido, na Assembleia Legislativa, no gabinete do deputado José Nelto.
Maguito diz que não é candidato a nenhum cargo político nas próximas eleições. Seu esforço é no sentido de garantir uma grande aliança em torno do seu filho, o deputado federal Daniel Vilela. Neste sentido, defende diálogo com o senador Ronaldo Caiado (DEM) para que ambos possam estar juntos no mesmo projeto, ou, se for o caso, criarem pontes para um virtual segundo turno.
O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia ressalta que há espaço na chapa do PMDB para acomodar os interesses de Caiado, da senadora Lúcia Vânia e de outros partidos. Ele diz que o PMDB deve procurar o PP, o PSD, o DEM, o PSB e o PT visando uma grande chapa em 2018.
“O PMDB tem que aceitar muito bem os outros partidos, caso eles tenham melhores condições de eleger um governador, se não, vamos compor a chapa. Temos uma vice, temos duas vagas ao Senado. O PMDB deve ter apenas o candidato a governador, se ele mostrar viabilidade. O PMDB deve esquecer vice e senado, estas vagas tem de ser para outros partidos políticos”, afiança.
O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia falou aos jornalistas em entrevista coletiva após o encontro com os deputados peemedebistas. Ele defender as reformas, mas criticou a retirada de direitos dos trabalhadores, e disse que o mal da política é o poder econômico. “Empresário é empresário e político é político. Quem quer ganhar dinheiro vá para a iniciativa privada. Política é para idealistas, não vamos misturar as coisas”.
De acordo com Maguito Vilela, o deputado Daniel Vilela está preparado para o desafio de lidera o PMDB nas próximas eleições e voltou a dizer que nem ele, nem Iris Rezende devem ser candidatos. Ele elogiou a administração do prefeito Iris, repetiu que apoiaria um projeto nacional liderado pelo governador Marconi Perillo e enfatizou a necessidade de mudanças na política goiana e nacional.
Maguito reafirmou a sua posição de, caso o governador Marconi Perillo venha a lançar-se candidato a presidente ou vice-presidente da República, estará ao lado do tucano. Adiantou que não só apenas dará apoio ao governador, mas, também, ao senador Ronaldo Caiado caso o democrata venha a disputar o Palácio do Planalto.
Confira a íntegra da entrevista
Qual é o papel do senhor nestas articulações do PMDB?
– O meu papel é de conciliador, orientador, de conselheiro mesmo. Eu já passei por todos os cargos púbicos desde vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador e senador. Eu tenho uma experiência para compartilhar aos meus companheiros do PMDB. A bancada do PMDB é composta de jovens competentes, que já mostraram que são excelentes políticos e têm um futuro muito grande. Pela Assembleia (Legislativa) passou o Daniel (Vilela), agora está na Câmara Federal, são jovens que estão fazendo história na política goiana e eu tenho a obrigação de estar conversando com eles, orientando. E o meu papel é este, de dizer que a união faz a força, que política só se ganha com união. O partido tem que estar com a casa arrumada. O partido tem que estar unido e as oposições também.
O PMDB vai conversar com o senador Ronaldo Caiado?
– Tem que chamar o senador Ronaldo Caiado e conversar com ele, ver qual é a pretensão dele, ver como vamos marchar unidos na eleição. Se não der para fazer a união no primeiro turno, que se faça no segundo turno. Não se pode querer lançar um candidato a governador pelo PMDB e impedir que o DEM lance ou que outros partidos lancem. Todos os partidos tem o direito de ter candidato ao governo do Estado, porque senão nem é partido. Eu sempre defendi isto, que todos os partidos podem lançar candidatos no primeiro turno, e depois ter uma união no segundo turno. E se puder unir no primeiro turno, melhor. De repente, o senador e o candidato do PMDB, o Daniel (Vilela) podem ter um acordo: o que tiver melhor nas pesquisas apoiar o outro. Não há problema nenhum.
Em 1994 o senhor disputou as eleições ao governo do Estado contra Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia, agora o sr. defende todos numa mesma chapa com o PMDB?
– Temos que conversar. Lúcia Vânia é uma senadora, tem história na política, fez muito por Goiás. Ronaldo Caiado é um senador, está fazendo um excelente papel. E todo mundo tem que respeitar a história, pois são políticos com uma folha de serviços prestados. Eu vejo no PMDB o Iris Rezende, a Dona Iris, que são políticos que precisam ser respeitados, porque tem história, tem serviços prestados. Com acabei de dizer, o governador Marconi Perillo é um grande político, as vezes não faz a gestão correta do Estado, mas é um grande político e temos que respeitar isso. Você tem que aprender a valorizar os méritos de quem tem, e fazer a crítica construtiva, não é ficar aí xingando, destruindo, caindo para a vida particular das pessoas. Isto não é política. Temos que saber distinguir uma coisa da outra.
O PMDB vai dialogar com outros partidos, além do DEM e PSB?
– Eu estou aconselhando o meu partido a buscar alianças com outros partidos, por exemplo, chamar o PSD para conversar, o PP, o PTB, o PSB, enfim, chamar todos os partidos porque temos que fazer boas alianças somar forças para chegar às eleições em condições de ganhar. Nós temos um candidato jovem, que significa renovação, que está se preparando ao longo do tempo. Hoje ele está na Câmara Federal, que é uma boa escola, e naturalmente o PMDB vai lançar o seu candidato.
O PMDB pode abrir mão da cabeça de chapa?
-Pode abrir mão se houver um acordo com outros partidos e se os candidatos de outros partidos de oposição tiverem mais forças do que o PMDB. O PMDB não pode ser intransigente, sectário, discriminador. O PMDB tem que aceitar muito bem os outros partidos, caso eles tenham melhores condições de eleger um governador, se não, vamos compor a chapa. Temos uma vice, temos duas vagas ao Senado. O PMDB deve ter apenas o candidato a governador, se ele mostrar viabilidade. O PMDB deve esquecer vice e senado, estas vagas tem de ser para outros partidos políticos.
O seu nome também está na mesa de negociações como candidato. Quais as chances de uma candidatura de Maguito Vilela?
– Zero. Daniel é o candidato. Ele tem a preferência dos cinco deputados estaduais, tem a preferência da bancada federal e a preferência da maioria dos prefeitos. Não se discute isso. Eu sou pai, já fui governador, a oportunidade é para ele,. É o Daniel que está com ideias novas, tem disposição, força, trabalho e inteligência. A vez é dele. Ele está com todas as condições para ser candidato e ganhar as eleições. Eu já disse isto recentemente: tenho a minha história, o Iris tem a história dele, e é uma história maravilhosa. Nós entendemos que agora é a hora de dar oportunidade aos novos. Nós não demos no passado porque não surgiu. Não havia. O Iris nunca quis ser candidato nas últimas eleições, eu também não, mas as pesquisas nos indicavam, o partido exigia, os deputados apoiavam, os prefeitos apoiavam, então tivemos que ser candidatos. Agora, como surgiu um jovem que está disposto a ser candidato, vamos todos apoiar.
O senhor pretende disputar algum cargo nas próximas eleições?
– Não. Eu não tenho pretensão nenhuma, qualquer passo meu na política como candidato eu atrapalharia o futuro do Daniel e eu não quero isso. O pai quer o bem do filho, e não o contrário.
O senhor disse recentemente que poderia apoiar Marconi Perillo (PSDB), caso ele viesse a ser candidato à presidência da República. O sr. mantém esta decisão?
– Claro, apoio sem duas palavras. Apoio Marconi Perillo para presidente da República, para vice-presidente, assim como apoio Ronaldo Caiado para presidente, para vice-presidente. Eu acho que Goiás precisa aprender que se há um projeto nacional este projeto tem que ser de todos nós do Estado. Não tem outro goiano que vai disputar, então temos que apoiar. Não tenho dúvidas de que o projeto nacional de qualquer goiano tem o meu apoio, principalmente do governador.
O senhor tem dito que apoiaria Marconi, tem elogiado ele em algumas ocasiões, mas o seu filho, o deputado Daniel Vilela tem feito críticas duras ao govenador. Como fica esta relação?
– Eu sempre elogiei o comportamento político do governador. Ele conversa com todo mundo, ele é um grande político, isto ninguém pode negar, agora a questão da gestão pública é que o Daniel faz críticas, como na questão da segurança, da saúde, da educação. Mas não é só o Daniel, as críticas hoje são generalizadas na área da saúde, da educação e da segurança. A gestão é uma outra coisa, agora, como político nós temos que respeitá-lo, até por que ele vem vencendo eleições a 20 anos.
O senhor vê possibilidade de aliança com o PT?
– Por que não? O PT como todos os partidos tem pessoas boas e pessoas que destoam. Mas isto não é só nos partidos políticos, em todos segmentos tem os bons e tem os que destoam. A política é um reflexo da sociedade brasileira e goiana, então não há que se fazer discriminação.
Como avalia a crise política nacional?
– Eu estou muito feliz, acho que estamos numa fase boa da política nacional. É o momento de reinventar a política, de mudar este político eleitoral nosso que é perverso. É momento de acabar com a corrupção em todos os poderes, em todos os setores. Isto é importante, ajuda a humanidade. O mundo hoje está conturbado, não é só o Brasil não. Politicamente, eticamente, economicamente, socialmente o mundo está conturbado e nós precisamos de líderes apaziguadores, líderes que apontem caminhos, que apontem soluções para população, e não (apontem) problemas, guerra, violência, terrorismo como temos assistido.
O senhor foi deputado Constituinte como o senhor vê o desmanche que é feito hoje, da Constituição de 1988, pelo atual governo de Michel Temer, sobretudo nas questões trabalhistas, de seguridade social, enfim, o Estado de Bem Estar Social está sendo destruído agora, 30 anos depois. Como avalia esta situação?
– A Constituição tem que estar constantemente sendo reformada. O tempo muda, as coisas mudam. O mundo muda e as constituições tem que mudar, até mesmo porque apareceram novas ferramentas tecnológicas e tem que haver a mudanças, mas sem prejudicar direitos adquiridos, sem prejudicar os trabalhadores, sem prejudicar a população. Eu acho que temos que ter maturidade e equilíbrio para fazer as reformas sem prejudicar naturalmente os trabalhadores. Eu vejo que precisa fazer uma reforma trabalhista, mas não pode tirar direitos de quem trabalha ou trabalhou a vida inteira, de servidores públicos ou trabalhadores da iniciativa privada. Mas há que se melhorar a negociação entre trabalhadores e empregadores.
O senhor é contra as reformas propostas pelo presidente Temer?
– Sou contra alguns pontos, mas a reforma como um todo tem que ser feita. A reforma política, por exemplo, não pode continuar este absurdo de poder econômico, poder da máquina. A política é para os idealistas, para os honestos, para as pessoas de bem. Mas hoje não, vocês não se iludam: o mal da política são os grandes empresários deste país que montam verdadeiros esquemas de corrupção e levam uma Petrobrás à derrocada, que levam muitos políticos e diretos à cadeia.
O poder econômico tomou conta da politica?
– Eu acho que tem que desmistificar isto, separar o joio do trigo: empresário é empresário, político é político. Hoje não temos mais Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e tantos outros políticos idealistas, porque o poder econômico tomou conta de tudo. Para se eleger senador basta ter dinheiro, para se eleger deputado basta ter dinheiro, para se eleger governador não precisa ter ideal, precisa ter dinheiro. Então precisa acabar com isto. Política é de idealistas, e quem quer ganhar dinheiro vá para a iniciativa privada, vá montar empresa, vá para o seu negócio, mas não misture política com negócios. Hoje a classe política está totalmente desmoralizada, está toda numa mesma vala. E não é a política única responsável por esses desmandos no Brasil. Por que a Petrobrás foi aceitar, por que os diretores da Petrobrás foram aceitar esta promiscuidade que aconteceu lá. Político tem que ser politico e empresário tem que ser empresário, não pode misturar as duas coisas.
Tem havido muitas críticas a administração do prefeito Iris Rezende. Qual a avaliação o senhor faz da gestão municipal de Goiânia?
– Ninguém pode criticar um gestor nos seus primeiros 90 dias, até porque ainda não deu tempo dele sentar na cadeira direito e ver todos os problemas. Eu tenho consciência de que o Iris vai fazer uma grande gestão. Ele já está fazendo, acertando, procurando acertar nas suas decisões, pois a cidade precisa ter uma limpeza adequada, tapa-buracos, recapeamento, asfalto, e ele vai fazer tudo isso. Três meses é muito pouco e ninguém pode criticar, tem que aguardar e tenho certeza de que ele fará uma grande administração.
“Apoio Marconi Perillo para presidente da República, para vice-presidente, assim como apoio Ronaldo Caiado para presidente, para vice-presidente. Eu acho que Goiás precisa aprender que se há um projeto nacional este projeto tem que ser de todos nós do Estado”
“Eu sempre elogiei o comportamento político do governador. Ele conversa com todo mundo, ele é um grande político, isto ninguém pode negar. Agora, a questão da gestão pública é que o Daniel Vilela faz críticas, como na questão da segurança, da saúde, da educação”
“O PMDB tem que buscar a unidade da oposição, conversar com Caiado, Lúcia Vânia, Gomide, com todos. Temos que ter um discurso consiste também para que o partido vença as eleições para o governo”
“De repente, o senador Ronaldo Caiado e o candidato do PMDB, o Daniel (Vilela) podem ter um acordo: o que tiver melhor nas pesquisas apoiar o outro para governador. Não há problema nenhum. Se não der acordo no primeiro turno, que estejam juntos no segundo turno”