Vilmar: “PSD dialoga com todos, inclusive com PMDB de Maguito”
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2017 às 01:40 | Atualizado há 10 anos
- Secretário estadual de Cidades e presidente estadual do PSD diz que todos os partidos da base devem estar abertos às conversações para definir alianças às eleições de 2018 “sem fechar as portas a ninguém”
- “Não apenas sou membro da base aliada, ajudei a construí-la em 1998
Com a experiência de cinco mandatos de deputado estadual e dois de deputado estadual, professor universitário (Direito) e duas vezes em cargos no governo de Goiás (Casa Civil e Cidades), Vilmar Rocha se orgulha de ter sido um dos “criadores” da base aliada que levou o jovem Marconi Perillo ao Palácio das Esmeraldas em 1998.
Como presidente do Partido Social Democrático (PSD), que um dia pertenceu a Juscelino Kubitschek e há seis anos revivido pelo paulistano Gilberto Kassab, Vilmar Rocha apimenta os bastidores da base aliada do governo Marconi: propõe o diálogo entre os partidos para a formação da chapa majoritária de 2018 (governador, vice e dois senadores) entre todos da base aliada, incluindo setores da oposição, como a ala do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, do histórico adversário, o PMDB.
Para Vilmar Rocha, ele não está “debandando” da base aliada, onde, reitera, “ajudou a construir” em favor de Marconi Perillo, mas propondo uma “ampla aliança” política que possa “reciclar” o “Tempo Novo”, que já chega a 20 anos de poder em Goiás. “Essa fadiga de poder existe, é real. Agora, quero dizer que o saldo desses anos todos é positivo para Goiás, com erros, acertos, omissões, insuficiências. Goiás avançou nas áreas social e econômica. O Estado é melhor na infraestrutura. Sou orgulhoso do “Tempo Novo” desde 1998, quando foi implantado em Goiás. Goiás é um Estado melhor”.
MAGUITO
O presidente do PSD goiano diz que o diálogo iniciado com o peemedebista Maguito Vilela, durante visita “administrativa” a Aparecida de Goiânia, em dezembro passado, não representa acordo ou aliança político-eleitoral. “Abri o diálogo, não se pode fechar as portas para ninguém.” Vilmar não acredita que Maguito irá encerrar a carreira política em 2018. “Quem tem serviços prestados na vida pública, quem tem o perfil de Maguito Vilela não pode pendurar as chuteiras prematuramente”.
Vilmar Rocha acha natural o governador Marconi Perillo ter lançado o vice-governador José Eliton como a “opção” do PSDB para a disputa à sucessão estadual daqui a dois anos e reafirma a sua decisão de colocar o nome à disposição do PSD para candidatura a governador ou a uma das duas vagas ao Senado, pela base aliada.
Para Vilmar Rocha, Michel Temer irá concluir o seu mandato em 31 de dezembro de 2018, mesmo porque, no caso de antecipação da eleição presidencial para 2017, não há nome. “Tirar o Temer e colocar quem?” Ele diz que as lideranças políticas partidárias e o Congresso Nacional precisam respaldar o presidente para implementar as reformas administrativas necessárias para retomar o crescimento da economia e melhorar a qualidade de vida da população brasileira.
A ENTREVISTA COM VILMAR ROCHA
Diário da Manhã – Quais são os planos para o PSD de Goiás às eleições de 2018?
Vilmar – Quero registrar que o PSD consolidou-se, nas eleições de 2016 como a terceira força político-partidária de Goiás. Na eleição de 2012, ficamos também ficamos em terceiro lugar em número de votos para prefeito, vereador, atrás apenas do PMDB e do PSDB. O PSD é um partido novo, pois completa agora em setembro seis anos de existência e já é a terceira estrutura político-partidária do Estado. O PSD é, também, a terceira força, em nível nacional, em número de prefeito e vereador. Para 2018, queremos participar de uma aliança, de uma coligação, em que o PSD tenha um nome na eleição majoritária: ou para governador ou para senador. Queremos eleger, no mínimo, quatro deputados federais e, no mínimo, seis deputados estaduais.
DM – O nome do senhor está à disposição do PSD para qual candidatura?
Vilmar – Meu nome está à disposição do partido para uma eleição majoritária: governador ou senador. Não disputarei eleição para deputado federal e para deputado estadual porque já fui duas vezes cinco vezes deputado federal e duas vezes deputado estadual. Entendo que estou preparado para concorrer a uma eleição majoritária. Em 2014, disputei, pela primeira vez, uma eleição majoritária e saí muito bem, pois tive mais de um milhão de votos. Essa votação me estimula a disputar nova eleição majoritária em 2018.
DM – Por integrar a base aliada e por ter cargos no governo Marconi, o PSD se sente à vontade para promover conversações com a oposição, especificamente o PMDB?
Vilmar – Em primeiro lugar, quero dizer que o PSD e eu, especificamente, não apenas estou na base, mas construí a base do governo Marconi. Vou repetir: não só estou na base, como ajudei a construir essa base. Isso é muito forte. Se se citar cinco nomes que construíram a base aliada em 1998, um deles é Vilmar Rocha. E me orgulho disso, porque valeu a pena. Em segundo lugar, de todos os políticos de Goiás talvez eu seja o único caso que fui ao sacrifício político em defesa da base, em 2006, quando reagi, ao não apoiar a candidatura do Demóstenes Torres, pelo PFL, a governador para ficar ao lado da base e, em consequência disso, fiquei sem mandato federal. Fui capaz de ir sacrifício político em defesa da base. Então, quem age assim tem muita autoridade para defender a base aliada.
DM – E as conversações com a oposição agora….
Vilmar – É legítimo que o PSD e todos os partidos da base tenham os seus projetos e lutem para participar das eleições majoritáarias de 2018. O PTB, PSDB, PP, PSB, PPS e o PR podem e devem ter projetos para lançar candidatos a governador, vice, senador, deputado federal e estadual, isso é plenamente normal.
DM – Como o PSD vê a iniciativa do governador Marconi Perillo de lançar a candidatura do vice-governador José Eliton à sucessão estadual, pelo PSDB?
Vilmar – O governador Marconi Perillo, que é inteligente, democrata, o que ele quis dizer ao lançar o nome do vice governador José Eliton? Quis dizer que estava lançando um candidato do seu partido, o PSDB. O governador não falou que o candidato seria da base aliada. Ele foi correto e adequado quando disse: “Olha, esse é o nome do PSDB”. Acho isso normal e legítimo, da mesma maneira que acho normal e legítimo que outros partidos da base também lancem os seus nomes. Defendo um amplo debate, nos partidos da base, até as convenções de 2018, quando as definições sobre candidaturas serão tomadas.
DM – Volto a insistir: o senhor iniciou conversações com setores do PMDB visando as eleições de 2018. É possível trocar a base do governo Marconi pelo PMDB?
Vilmar – Não se trata disso, isso não está em discussão. Houve e há uma certa exacerbação e uma má interpretação em relação a essas conversas que estamos tendo. O que sempre defendi e defendo é um diálogo com todos os partidos até uma definição sobre candidaturas majoritárias.
DM – Inclusive com o PMDB?
Vilmar – Inclusive com o PMDB. Quero dizer que, em Goiás, é difícil termos um diálogo com todo o PMDB. Com a ela do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia é possível o diálogo. Não se pode fechar as portas a ninguém, a nenhum partido.
DM – Seria uma filiação do Maguito Vilela ao PSD?
Vilmar – Quero esclarecer que não houve convite de filiação de Maguito Vilela ao PSD, coligação partidária. Não houve definição, apenas estamos conversando, dialogando. Tivemos um diálogo com Paulo Garcia, do PT, em Goiânia, tivemos diálogo com Antônio quando exercia mandato de prefeito de Anápolis, depois com João Gomes, que o sucedeu, tivemos conversas sobre administração com Maguito Vilela em Aparecida de Goiânia. Isso pode evoluir para um diálogo político? Pode. Esse cenário de alianças, composições só ocorrerão no futuro, não agora.
DM – O ex-prefeito Maguito Vilela declarou que, se depender do desejo dele, não irá mais disputar eleições… O senhor acredita nisso?
Vilmar – Eu não acredito nisso não. Eu fui fazer uma visita ao prefeito Maguito Vilela, em dezembro, que acabou sendo exacerbada. Durante os mandatos de Maguito, ele me convidou para visitar a Prefeitura de Aparecida de Goiânia para falarmos sobre as parceiras existentes de seu governo com o Estado. Vários secretários do governo estadual atenderam convites do prefeito, inclusive o vice-governador. O governador esteve em Aparecida de Goiânia várias vezes com o prefeito. Eu ainda não tinha ido. No final do ano passado, fui a Aparecida de Goiânia e discutindo vários assuntos relacionados com a prefeitura e a minha secretaria. Então, não há acordo, há diálogo. Isso é natural.
DM – Como o senhor vê uma possível candidatura de Maguito Vilela ao governo de Goiás?
Vilmar – Primeiro, eu não acredito que Maguito Vilela pendurou as chuteiras. Maguito tem uma longa experiência na vida pública, fez uma boa administração em Aparecida de Goiânia, reconhecida por todos, tanto que a população elegeu o candidato dele, Gustavo Mendanha, no primeiro turno. Então, uma pessoa com esse perfil, não pode ir para casa. Essa tese minha vale para Marconi Perillo, para mim. A gente trabalhou tanto, dedicou tanto à causa pública, agora que a gente está pleno politicamente de saúde e experiência, vai para a casa? Não. Entendo que Maguito Vilela não pode deixar a vida pública.
DM – Qual a sua opinião sobre o projeto de Lúcia Vânia para 2018? Seria concorrer a governadora?
Vilmar – Eu acredito que a pretensão legítima de Lúcia Vânia de ser candidata ao Senado novamente. E, na base aliada, existem outros pretendentes ao Senado, como Jovair Arantes, Roberto Balestra, Magda Mofatto, João Campos, Wilder Morais. Marconi Perillo, se não for candidato a presidente ou vice-presidente da República será candidato a senador em 2018. E quero dizer que irei votar e trabalhar para Marconi Perillo, porque a eleição dele para o Senado é importante para o Estado e também porque ele foi muito correto na minha campanha, me apoiou para o Senado em 2014. O próprio Maguito Vilela pode ser candidato ao Senado. Qual é o problema? Temos que estar com a cabeça aberta. Democraticamente, todos aqueles que têm pretensões de ser candidatos e os partidos que têm projetos, deixa o processo e o debate fluírem. As decisões serão tomadas em 2018, após ampla e profunda avaliação sobre as candidaturas, as alianças e as coligações.
DM – Então, não há atrito entre base aliada e PSD…
Vilmar – Não há atrito nenhum, pois somos da base do governo Marconi. Pelo contrário…
DM – Mas o deputado federal Thiago Peixoto, depois que deixou o governo estadual, faz muitas críticas à administração…
Vilmar – Temos que estar abertos para a autocrítica. Autocrítica às posições da gente, autocrítica às posições do partido e autocrítica às posições inclusive da base aliada. Às vezes não estamos preparados para exercitar a autocrítica. Muitas vezes o que deputado Thiago Peixoto fala é correto, trata-se de uma autocrítica. São posições a favor da base. Quero lembrar aqui uma citação que gosto muito: “Eu prefiro aqueles que me criticam porque me corrigem do que aqueles que bajulam e me corrompem”. Isso é fundamental na vida pública.
DM – Não acha que, em 2018, poderá haver uma “fadiga do Tempo Novo”, como houve ao PMDB em 1998, com a ascensão de Marconi Perillo?
Vilmar – Sim. Essa fadiga existe, é real. Agora, quero dizer que o saldo desses anos todos é positivo para Goiás, com erros, acertos, omissões, insuficiências. Goiás avançou nas áreas áreas social e econômica. O Estado é melhor na infraestrutura. Sou orgulhoso do “Tempo Novo” desde 1998, quando foi implantado em Goiás. Goiás é um estado melhor. Agora, para continuarmos no poder, temos que fazer reciclagens, mudanças, abrir ao diálogo. Fazer uma aliança ou uma agenda política nova. É natural. É isso que estou propondo. Há uma diferença entre continuísmo e continuidade. É preciso dar continuidade a muitas coisas que foram feitas e deram resultados em Goiás. Outras coisas não precisam de continuidade. O futuro governador de Goiás terá que dar continuidade a algumas coisas e reformar completamente outras. O Brasil está mudando e precisamos estar atentos. Qualquer plataforma ou projeto de governo futuro terá que estar antenado com essas mudanças que o país vem experimentando, tanto na questão política quanto na gestão.
DM – O presidente Michel Temer vai concluir o seu mandato? O País terá eleição antecipada em 2017?
Vilmar – O presidente Michel Temer vai concluir o seu mandato em 31 de dezembro de 2018. O governo precisa chegar ao final sabe por que? Se tirar o Temer vamos colocar quem? Todas as lideranças políticas responsáveis do país precisam apoiar o governo Temer para fazer a transição até 2018. Não interessa ao país uma nova mudança de poder. Michel Temer tem uma característica: ele é mais um primeiro-ministro do que presidente. Por que? O grande sucesso de Temer é a experiência em marejar o Congresso Nacional, em formar maioria no Legislativo, aproveitando a sua experiência de ex-presidente, por duas vezes, da Câmara dos Deputados. Nessa hora, as lideranças partidárias e o Congresso Nacional precisam respaldar o Presidente para que possa implementar as reformas administrativas necessárias para a retomada da economia e melhoria da qualidade de vida da população brasileira.
Para continuarmos no poder, temos que fazer reciclagens, mudanças, abrir ao diálogo. Fazer uma aliança ou uma agenda política nova. É natural. É isso que estou propondo”
Meu nome está à disposição do partido para uma eleição majoritária: governador ou senador. Não disputarei para deputado federal ou estadual”
Não acredito que Maguito pendurou as chuteiras. Ele tem uma longa experiência na vida pública, fez uma boa administração em Aparecida, reconhecida por todos”
PERFIL
Vilmar da Silva Rocha
Naturalidade: Niquelândia (GO)
Instrução: formado em Direito
Ocupação: professor de Ensino Superior (UFG e PUC/Goiás); deputado estadual por dois mandatos; deputado federal por cinco mandatos
Filiação: PDS, PFL, DEM, PSD
Ex-presidente da Fundação Tancredo Neves (DEM)
Cargo público: secretário-chefe da Casa Civil e secretário de Cidades nos governos de Marconi Perillo
Autor: “O fascínio do neopopulismo” e “O liberalismo social: uma visão doutrinária”