Cotidiano

A SOLUÇÃO PARA A CORRUPÇÃO DO BRASIL

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2017 às 01:33 | Atualizado há 2 anos

Alunos elaboradores:

7º ano A – Elisa Mazon, Érika Costa, Sophia Lunardelli e Vitória Kanjo; 7º ano B – Ana Clara Rezende, Carolina Paranhos e Gustavo Ribeiro; 7º ano C – Ana Laura Costa, Bruna Rassi, João Marcos Kanjo, Paulo Henrique Rizzo e Victor  Veloso

Professora orientadora:

Ana Paula de Melo Fernandes Reis.

 

ÉTICA, você sabe o que significa esta palavra fundamental? Ética pode ser definida como o conjunto de princípios e condutas que devem ser seguidos por uma sociedade para o seu  bem geral. Uma das suas origens está no livro de Aristóteles, “Ética a Nicômaco”, dedicado  ao pai do autor cujo nome era Nicômaco. Na obra, composta por dez livros, Aristóteles age como um pai que ensinava a seu filho os princípios básicos para se tornar um ser humano justo, educado, feliz. Porém o objetivo do livro vai além, tentando fazer com que as pessoas reflitam sobre suas ações (razão acima da paixão), buscando a felicidade individual  e  coletiva, já que os homens vivem em sociedade e suas ações precisam estar voltadas para o bem comum. Tudo começa na família, ou seja, ela era o princípio de todas as regras, constituindo o dever dos pais ensinar a seus filhos a serem pessoas éticas, de bom caráter, justas. E assim, a ideia central dessa obra, que aborda as virtudes, os valores das ações humanas tendo em vista o bem maior, a felicidade,  espalhou-se pelo mundo, influenciando  o pensamento e as ações de gerações e gerações. Mas, em certo ponto, à medida em que as sociedades foram se desenvolvendo, começaram a abolir parte da ÉTICA, dando início às práticas da antiética.

A não prática da Ética é o mais grave defeito que uma sociedade pode adquirir, é o mais   grave defeito que uma família pode deixar em seus filhos, pois se os pais forem antiéticos, injustos e sempre buscarem fugir da verdade com uma “mentirinha branca”, seus filhos sofrerão influência e serão semelhantes a seus pais,   antiéticos.

A falta de Ética no mundo tem causado esta triste realidade em que vivemos. Pessoas sendo mortas a preço de nada (afinal, uma vida não tem preço), desigualdade extrema, fome, miséria, violência, discriminação, racismo, intolerância religiosa, guerras, atentados terroristas, enfim, desrespeito ao ser humano como um todo e no geral. Certamente, o mais desastroso legado deixado por uma sociedade marcada pela antiética é a influência dessas ações sobre as gerações  futuras.

No Brasil, podemos afirmar que a falta de Ética vem desde a colonização pelos portugueses.   É uma herança maldita. Estes sempre buscavam proveito em benefício próprio, explorando a força  de  trabalho  humano  (indígena,  escravo,  mestiço,  branco),  sem  nem  ao  menos   se

preocupar com as péssimas condições de vida dos escravos e dos explorados. Estes, para    não sofrerem ainda mais, muitas vezes adulavam seus senhores, cometiam atos ilegais para não serem submetidos a mais humilhações, praticamente “vendiam” seu corpo, alma e pensamentos em troca de pequenos benefícios materiais ou menos sofrimento.  Para  atitudes antiéticas dos senhores, atitudes antiéticas dos   explorados.

Percebemos que nada mudou significativamente desde aquela época. Nosso país se transformou em um Brasil sem Ética, principalmente na política. Os políticos, grupo essencial para o convívio ético e pacífico de uma sociedade, deveriam ser exemplo de pessoas éticas e justas. Porém, foram  completamente tomados pela corrupção e falta de Ética, sendo um  mau exemplo para as  pessoas.

É na política que nossos dirigentes desviam verbas, compram, articulam, traem uns  aos outros em busca de poder e dinheiro, repetindo, de certa forma, atitudes de nossos colonizadores. Temos o retrato real de um país pobre e corrupto, do qual não nos orgulhamos.

Só que não para por aí não! A falta de ética no Brasil não se manifesta somente na política: ela é apresentada de vários modos, ofensiva ou passivamente. Está presente em atos de o egoísmo, violência, discriminação, mentiras, tráfico de influência, etc. Das menores atitudes (não devolver o troco a mais, colar na escola, mentir para se livrar ou tirar proveito, etc.) às maiores (sonegação de impostos, falsidade ideológica, etc.), quando espalhadas para a sociedade brasileira, tornam-se os piores atos. Pode se dizer que a maioria dos brasileiros apresentam em seu dia a dia pelo menos uma situação em que desrespeitam a Ética. E as consequências de sua prática estão sendo vistas e sentidas pela maioria da população, desastrosas!

No Brasil, a falta de Ética dos políticos e dos cidadãos ganhou destaque na mídia mundial, fazendo com que nosso país seja considerado um dos países mais antiéticos do mundo.  Temos uma geração que tinha tudo para ser vitoriosa na vida e lembrada por históricos e marcantes feitos, tristemente manchada e que será lembrada pela ausência de    Ética.

No entanto… É isso que desejamos de alma e coração brasileiros? De acordo com Leonardo Boff (2016), “para superarmos a crise da ética não bastam apelos, mas uma transformação  da sociedade”. Nossa escolha tem poder de influência na vida dos futuros cidadãos.  Que  tipos de exemplos nós queremos deixar de inspiração para o futuro: Ética ou corrupção?

Definindo e relacionando

A  palavra  Ética tem origem grega, ethos, cujo significado é “caráter”, “costume” ou “modo  de ser”. Com inspiração na expressão grega ethike philosophia, que quer dizer “filosofia moral” ou “filosofia do modo de ser”, adquire o sentido de tudo aquilo pertencente ao caráter.

Já a palavra Moral origina-se do latim mores, o que é relativo aos costumes. Aprofundando  tal ideia, seria um conjunto de regras praticadas no cotidiano e utilizadas constantemente pelo cidadão na sociedade. Orienta racional, científica e teoricamente cada indivíduo, como regras que direcionarão suas ações, seus julgamentos sobre o que é certo ou errado, moral  ou imoral, bom ou mau. É fruto de uma convenção   social.

Ao traduzir o ethos   grego para o latim mos (ou mores, no plural), os romanos lhe associaram à Moral. É assim que ethos e mos referem-se a um tipo de comportamento que não é inato, ou seja, não nasce com o ser humano como um instinto, mas é “adquirido ou conquistado  por hábito” (VÁZQUEZ, 2002). E é assim que tanto a Ética quanto a Moral se relacionam, inserindo-se na vida em sociedade, já que é nela que os homens nascem, vivem e constroem histórica e socialmente essa realidade humana através de suas relações coletivas. Seria, então, a Ética, uma reflexão sobre a  Moral.

Tendo em vista a praticidade, a Ética e a Moral possuem finalidades semelhantes, porque    são elas que oferecem as bases para conduzir a conduta humana, o que determinará seu caráter, suas virtudes, seu altruísmo; e também porque ensinam como o ser humano precisará agir e se comportar em  sociedade.

 

 

Em um país repleto de maus exemplos, de corrupção por todos os lados, não podemos ficar calados, apenas assistindo às situações. É preciso uma atitude! Mas essa atitude tem que ser consciente. A formação de nossa consciência para o agir ético necessita de uma passagem… Uma passagem pela Ética e por tudo o que ela envolve, como suas relações com a Moral, a Cidadania, a Educação, os mais diversos setores da sociedade em que ela está presente e até mesmo com a corrupção. Só assim poderemos visualizar um Brasil menos corrupto, mais ético, mais justo, mais cidadão, o espaço de nossas ações éticas, o palco da Cidadania!”

Alunos autores da reportagem

 

A realidade brasileira

4-1

Já sabemos que Ética se refere a tudo o que pertence ao caráter dos seres humanos e que Moral se  remete aos costumes, às regras convencionadas socialmente. Ambas se relacionam à condução do comportamento humano em sociedade. Onde entraria a Cidadania nessa relação?

Cidadania, por sua vez, trata-se do conjunto de direitos e deveres ao qual o ser humano, entendido agora como cidadão, é submetido em seu relacionamento com a sociedade onde vive. Sua origem é latina, do termo civitas, que significa “cidade”. O conceito de Cidadania tem se ampliado com o tempo, está em constante construção, uma vez que se baseia em um conjunto de parâmetros  sociais.

Há dois tipos de Cidadania: a formal, que se refere à nacionalidade de um indivíduo por fazer parte de uma nação; e a substantiva, de caráter mais amplo, relacionando-se com direitos sociais, políticos e civis. Segundo o sociólogo britânico T.H. Marshall, só há Cidadania plena quando é dotada de direito civil, político e  social.

Podemos afirmar, então, que a Ética e a Moral influenciam em muito a Cidadania, porque referem-se à conduta do ser  humano.

No Brasil, apesar de sofrido uma evolução pela conquista de direitos políticos, sociais e civis,  a Cidadania ainda está longe de ser plena. Há milhões de pessoas vivendo na miséria, altas taxas de desemprego, baixo nível de escolarização, violência, extrema desigualdade social (muito dinheiro concentrado em poucas “mãos” e bastante pobreza da maioria), corrupção (uns têm mais direitos, privilégios, diferentemente da maioria da   população).

Assistimos, em nosso país, a um quadro que revela a falta de Ética, de Moral e, consequentemente, a não existência da Cidadania para muitas pessoas. Quantos brasileiros são antiéticos, não respeitam uns aos outros, vivem “quebrando” regras, não obedecendo às leis, cometendo assaltos, ultrapassando a velocidade, jogando lixo nas ruas, manipulando resultados de campeonatos esportivos, comprando juízes, apropriando-se de dinheiro público,  desviando  verbas  em benefício próprio, entre outros absurdos os quais vivenciamos diariamente em todos os setores de nossa  sociedade?

 

As heranças

Não é possível que não haja uma razão, não tenha uma origem… É tanta gente corrupta, de ricos e poderosos, aos mais simples e humildes, que, se estivessem no poder, agiriam igualzinho aos políticos  corruptos…

Leonardo Boff, doutor em teologia pela Universidade de Munique, ex-professor de teologia sistemática e ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e ex-professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em Heidelberg, um dos autores da Teologia da Libertação e atualmente membro do grupo de reforma  da ONU, especialmente quanto à Declaração Universal do Bem Comum da Terra e  da Humanidade, escreveu um esclarecedor artigo sobre a falta de ética no Brasil.

Transcrevemos dele uma passagem importantíssima para compreendermos a presença da corrupção em nossa  sociedade.

“[…] Essa falta generalizada de ética deita raízes em nossa pré-história. É uma consequência perversa da colonização. Ela impôs ao colonizado a submissão, a total dependência  à  vontade do outro e a renúncia a ter a sua própria vida. Estava entregue  ao  arbítrio do invasor. Para escapar da punição, se obriga a mentir, a esconder intenções e a fingir. Isso    leva a uma corrupção da mente. A ética da submissão e do medo como mostrou J. Le Goff (O medo no Ocidente) leva fatalmente a uma ruptura com a ética, quer dizer, começa a faltar com a verdade, a nunca poder ser transparente e, quando pode, prejudica seu opressor. O colonizado se obrigou, como forma de sobrevivência, a mentir e a encontrar um “jeitinho” de burlar a vontade do senhor. A Casa Grande e a Senzala são um nicho, produtor de falta de ética: pela relação desigual de senhor e de escravo. O ethos do senhor é profundamente antiético: ele pode dispor do outro como quiser, abusar sexualmente das escravas e vender seus filhos pequenos para que não tivessem apego a eles. Nada de mais cruel e antiético que isso.

Esse tipo de ética desumana cria hábitos e práticas que, de uma forma ou de outra, continuam, no inconsciente coletivo de nossa  sociedade.

A abolição da escravatura ocasionou uma maldade ética inimaginável: deu-se liberdade aos escravos, mas sem fornecer-lhes um pedacinho de terra, uma casinha e um instrumento de trabalho. Foram lançados diretamente na favela. E hoje por causa de sua cor e pobreza são discriminados, humilhados e as primeiras vítimas da violência policial e   social.

A situação, em sua estrutura, não mudou com a República. Os antigos senhores coloniais foram substituídos pelos coronéis e senhores de grandes fazendas e capitães da indústria. Aí as pessoas eram ultraexploradas e feitas totalmente dependentes. Os comportamentos não eram éticos, de respeito às pessoas e garantia de seus direitos mínimos. Eram carvão para a produção.

As relações de produção capitalista que se introduziram no Brasil pelo processo de industrialização e modernização foram selvagens. Nosso capitalismo nunca foi civilizado: guardou sua voracidade de acumulação como nas origens no século XVIII e XIX. A exploração impiedosa da força de trabalho, os baixos salários são situações eticamente condenáveis. Como superar essa situação que nos  envergonha?

Antes de fazer qualquer sugestão mínima, importa fazer uma autocrítica. Que educação deram  as  centenas  de escolas católicas e cristãs e as 16 universidades católicas (pontifícias  ou não) a seus alunos?  Bastava  terem ensinado o mínimo da mensagem de Jesus de amor  aos pobres contra sua pobreza para superar os níveis  de  miséria  atual.  Elas  se transformaram em chocadeiras dos opressores. Criaram um cristianismo cultural de crença, mas não de uma fé engajada pela justiça. Por isso seus alunos raramente possuem uma incidência social. São antes pela manutenção do status quo do que por mudanças. […].”

 

Ética, norma e seu cumprimento

Existem regras as quais a sociedade precisa cumprir obrigatoriamente, com medo de ser repreendida pelo Estado. Mas também há regras que essa mesma sociedade cumpre espontânea e livremente, sem ninguém lhe impor.

Então, onde está a Ética? A sociedade é ética ao cumprir a norma por medo de ser punida ou ao cumpri-la espontaneamente?

O jurista Eduardo C. B. Bittar (2005) aponta três condutas:

conduta livre e autônoma: quando o agente age de forma livre e consciente, sem nenhuma interferência alheia, gerando uma conduta ética;

conduta dirigida pela convicção pessoal: quando o indivíduo está autoconvencido, com grande referência de valores, com decisão individual, gerando uma conduta ética;

conduta insuscetível de coerção: quando existe norma ética, contudo o agente age livremente, sem vício em seu consentimento, sem aplicar coação, gerando uma conduta ética.

Concluímos, assim, que a norma ética será o que é certo fazer e que se deve fazer de maneira livre, espontânea, sem imposição alheia ou temor de repreensão do Estado. Em oposição, se houver qualquer tipo de coação, não estamos falando de ética, mas de cumprimento de norma ética, porque o indivíduo faz forçadamente, obrigado a cumprir a norma, com temor de ser punido. Um exemplo ilustrativo é: pais pobres e filho rico, o filho não quer ajudar os pais e é forçado pela justiça a ajudar os pais. Nesse exemplo, podemos usar Aristóteles para determinar a coisa certa a fazer, ou seja, a norma de conduta ética é o filho ajudar os pais, porque assim ele estará sendo virtuoso, só que para ser considerado como tal, isso tem que ser de vontade própria.

Após o que informamos aqui, questionamos: a maioria da população brasileira tem conduta ética ou simplesmente cumpre a norma ética? E quanto aos brasileiros que sequer cumprem a norma ética? Já parou para pensar nisso? Causas e consequências?

 

Onde a corrupção substitui tudo

“A politicalha é a malária dos povos de moralidade estragada.” (Rui Barbosa – jurista, orador e político, membro fundador da Academia Brasileira de   Letras)Do latim corruptus, que significa quebrado em pedaços, vem a palavra “corrupção”. Já o verbo corromper significa originalmente “tornar pútrido   [podre]”.Corrupção pode significar o desvirtuamento, a deformação e a devassidão (corrupção moral) de hábitos e costumes, fazendo com que se tornem imorais ou antiéticos, por exemplo. Seu conceito é amplo, porque inclui muitas práticas, como as de propina e suborno, a fraude, a apropriação indébita ou qualquer outro desvio de recursos por parte de um funcionário público. Também está inserida na utilização da autoridade ou do poder com a finalidade de obter vantagens (tráfico de influência) e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo. Pode também envolver  extorsão, nepotismo, tráfico de influência, uso de informação privilegiada para fins pessoais, compra e venda de sentenças judiciais, manipulação de resultados, compra e venda de votos, entre diversas outras práticas.

Para além de sua origem e significado tão amplo, a corrupção constitui complexo fenômeno social, político e econômico capaz de afetar todos os países do mundo.  Sua  prática  consegue, em diferentes contextos, prejudicar as instituições democráticas, impedir o desenvolvimento da economia e contribuir para a instabilidade política. Ela corrói as bases  das instituições democráticas, chegando a distorcer e invalidar processos eleitorais, a minar        o Estado de Direito e tornar a burocracia (administração do funcionalismo público) ilegítima. Tudo isso tem como consequência o afastamento de investidores e desestímulo à criação e  ao desenvolvimento de empresas no país, que não conseguem arcar com os “custos” da corrupção.

Corrupção é crime

Toda sociedade corrupta tem que sacrificar alguém para se beneficiar. E esse “alguém” é a camada pobre, dependente exclusivamente dos serviços públicos, porém impossibilitada de satisfazer suas necessidades sociais (infraestrutura, saúde, educação,  previdência  etc.),  já que os recursos são “repartidos” com a área natural de atendimento público e com os traficantes de influência (os  corruptos).

A falta de transparência na administração do governo colabora para o incentivo e a prática   da corrupção. Apesar de não existir país “zero em corrupção”, entre os países ricos democráticos ocorre menos corrupção, uma vez que sua população é mais esclarecida sobre seus direitos, o que dificulta sua  enganação.

Na atualidade, há uma organização internacional (ONG) denominada Transparência Internacional, cuja finalidade é desenvolver pesquisas nos países para “medir” o nível de corrupção entre funcionários públicos e políticos. A partir das pesquisas, faz-se uma classificação de acordo com a nota, o Índice de Percepção da Corrupção (Corruption Perceptions Index ou CPI), em uma escala que vai de 0 (“altamente corrupto”) a 100 (“muito limpo”). Dados dessa pesquisa em 2014 revelam que o primeiro lugar ficou com a Dinamarca (92 pontos) e o Brasil ocupa o 69º lugar, com 43   pontos.

Esses dados não provêm de denúncias de suborno ou casos de corrupção denunciados na justiça. Eles se ligam de forma direta à eficiência dos órgãos de investigação de um país. Seu foco é a experiência de pessoas envolvidas diretamente com o setor público de todos os países, como empresários, experts do sistema político de cada país e a população em geral. Suas principais fontes (12 ao todo) incluem o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial. Para calcular a média de cada país, a Transparência combina o resultado de pesquisas qualitativas realizadas pelas fontes (no mínimo 3) e as converte em várias escalas quantitativas.

Essa ONG revelou em seu relatório sobre a situação da corrupção em nosso país, que os maiores desafios para combater a corrupção no Brasil são: “a corrupção no governo e nos partidos (partidos políticos e o Poder Legislativo são percebidas como as instituições mais afetadas pela corrupção); o setor privado, submetido a agências  regulatórias,  que  aumentam a propensão a tentativas de suborno; o financiamento de campanhas políticas; a corrupção nos níveis estadual e municipal; contratações para grandes obras    públicas.”

 

Caminhos para a solução

Mediante tantas revelações negativas das pesquisas da ONG Transparência Internacional, respaldadas pelas práticas de corrupção que temos visto e vivenciado já há alguns anos, fazemos um questionamento a nós, brasileiros: o que tem sido feito pelo governo para minimizar tal situação de corrupção na política e nos serviços públicos? A essa pergunta, encontramos respostas no relatório da Transparência, que também destaca alguns “pontos de evolução”, como: “em 2013, o Senado aprovou uma nova lei que responsabiliza empresas que praticam a corrupção, com o pagamento de multa, que pode variar de 0,1% a 20% do faturamento anual da empresa; a política nacional tem sido vigiada mais de perto pela opinião pública, como ficou evidenciado no julgamento do mensalão, o maior julgamento relacionado à corrupção política já realizado no país; a participação social, com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, fruto de iniciativa popular, demonstrando que a sociedade civil tem condições de se organizar e participar da política do país; o governo tem criado campanhas e mecanismos para aumentar a participação social; o acesso à informação e transparência através da Lei de Acesso à Informação, aprovada em 2012, trazendo a garantia de que todo cidadão terá acesso facilitado a informações públicas de seu interesse, o que fomenta a transparência do setor público.”

Conforme Thaís Soares de Oliveira, em seu artigo sobre Ética e Política (2011, código de publicação 2210A, edição 752 do BOLETIM JURÍDICO), a única possibilidade para se exercer a Ética na Política brasileira hoje implica uma mudança de mentalidade e, decorrente dela, a mudança de atitude da própria população. Precisamos destruir a percepção de que as pessoas que elegemos, nossos representantes políticos, fazem “favores para o povo” e são dotados de uma “aura de poder”. Antes de mais nada, nossos governantes são funcionários públicos sustentados pelos impostos pagos e que devem obrigações para a população.

Ela aponta também a necessidade da Ética não só na política, mas também no dia a dia da vida do brasileiro, permeando “todas as relações cotidianas; seja em casa, no trabalho ou na comunidade.” Precisamos apoiar a Ética, decidir por sua prática, que tem que se tornar indissociável do “ser brasileiro”, parte de sua essência, de sua natureza… A característica de “levar vantagem em tudo” (o “jeitinho brasileiro” da desonestidade) precisa ser eliminada de nosso povo, de nossa vida… Nossa sociedade tem que avançar, reformular seus conceitos, suas relações sociais, a fim de compreender que a tal felicidade de Aristóteles, Sócrates, Platão, o bem comum, só será possível e garantido se houver a participação de todos os cidadãos. Não podemos simplesmente transferir nossa responsabilidade para outras instâncias. Devemos ser éticos e fiscalizar o cumprimento da Ética e da norma ética por nossos representantes. Para a construção de uma verdadeira Comunidade Ética (NETO, 2005), a definição clara e a execução dos papéis de cada um na sociedade.

Em outras palavras, de forma bem simples e objetiva: é possível superar SIM a crise de falta de Ética na qual nosso país está mergulhado. Mesmo na classe política dominada pela antiética e corrupção, que só pensa em obter recursos e proventos para si mesma.

Antes de tudo, se o início da Ética está na família, nós precisamos recuperar atitudes éticas na família. É nela que os pais influenciam o filho a ter uma vida digna para si e para os demais, sempre buscando mostrar ao filho como ter boas e justas atitudes e fazer boas escolhas, não o deixando tomar caminhos, seduzido por prazeres de origem ilícita. Na instituição familiar é que se pode ensinar à pessoa a, desde pequena, tratar bem as outras (não fazer o que não quer que façam com você), a ser solidário e responsável, seguindo o lema de não querer para o outro o que não quer para si.

Assim como nos sugere Leonardo Boff (2016), é preciso fazer com que cada indivíduo tome como parte de sua vida, como normas de seu cotidiano, os dez mandamentos universais. Reinterpretando-os, poderiam ser: não roubar (não tirar vantagem do outro, agir com justiça e retidão e lutar por uma ordem econômica justa); não matar (todos somos irmãos em uma mesma sociedade, por isso devemos optar por uma vida em paz, sem violência, com respeito); não cometer adultério (não agir com preconceito, machismo ou racismo com as outras pessoas, adotando uma cultura de iguais e parceiros, com amor e respeito).

 

Conceitos de Ética

Ética é a investigação geral sobre aquilo que é  bom.”

(Moore GE. Princípios Éticos. São Paulo: Abril Cultural, 1975:4)

A Ética tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. Que o ser humano chegue a realizar-se a si mesmo como tal, isto é, como pessoa. […] A Ética se ocupa e pretende a perfeição
do ser humano.”

(Clotet J. Una introducción al tema de la ética. Psico 1986)

 

A Ética existe em todas as sociedades humanas, e, talvez, mesmo entre nossos parentes não-humanos mais próximos. Nós abandonamos o pressuposto de que a Ética é unicamente humana. A Ética pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em particular (moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação sobre como nós devemos agir”

(Singer P. Ethics. Oxford: OUP,  1994:4-6)

 

Realmente os termos ética e moral não são particularmente apropriados para nos orientarmos. Cabe aqui uma observação sobre sua origem, talvez em primeiro lugar curiosa. Aristóteles tinha designado suas investigações teórico-morais – então denominadas como éticas – como investigações sobre o ethos, sobre as propriedades do caráter, porque a apresentação das propriedades do caráter, boas e más (das assim chamadas  virtudes  e  vícios) era uma parte integrante essencial destas investigações. A procedência  do  termo ética, portanto, nada tem a ver com aquilo que entendemos por ética. No latim, o termo  grego éthicos foi, então, traduzido por moralis. Mores significa: usos e costumes. Isto novamente não corresponde, nem à nossa compreensão de ética, nem de moral. Além disso, ocorre aqui um erro de tradução. Pois na ética aristotélica, não apenas ocorre o termo éthos (com ‘e’ longo), que significa propriedade de caráter, mas também o termo éthos (com ‘e’ curto) que significa costume, e é para este segundo termo que serve a tradução latina”

(Tugendhat E. Lições sobre Ética. Petrópolis: Vozes 1997:35.

 

 

Tipos de corrupção

4-5

Corrupção ativa:

Quando um indivíduo oferece dinheiro a um funcionário público em troca  de benefícios próprios ou de  terceiros

Corrupção passiva:

Quando um agente público pede dinheiro para alguém, em troca de facilitações para o cidadão

 

 

 

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