Brasil

Apertem os cintos, 2017 pode ser pior que 2016

Redação DM

Publicado em 18 de janeiro de 2017 às 00:52 | Atualizado há 10 anos

“Pode ser pior” não quer dizer “será pior”. Os pessimistas pregam que 2017 será pior; os otimistas afirmam que será melhor; os centrados, mais cautelosos, dizem que os dois anos serão iguais. A realidade é que poderá ser pior ou melhor, dependendo de uma série de circunstâncias, previsíveis ou imprevisíveis, e a postura política/ideológica de quem analisa a questão. Tudo pode acontecer, tanto de bom quanto de ruim. É certo que o ano de 2016 foi péssimo em todos sentidos, preponderando o campo econômico e destacando o lado político. Os acontecimentos negativos afetaram toda sociedade e desagradou bastante os corruptos, que sempre viveram em verdadeiro mar de rosas. Para 2017 a tônica das manifestações pode ser resumida em “esperança”.

Na análise dos dois anos enfocados muitos aspectos podem, e devem, ser considerados: educação, saúde, segurança pública, bem estar social, agricultura, indústria, etc. Mas, acima de tudo, há que se considerar a economia como um todo e a política em geral. Em verdade o ano de 2016 foi adverso em tudo. Já 2017 pode ser bom em alguns aspectos e desagradável em outros. Não há como ser totalmente bom ou completamente ruim, esperando-se que haja equilíbrio satisfatório. Se for tudo negativo será o caos.

Um certeza se destaca: o ano de 2016 será lembrado como o ano que não deixou saudades. Seria enfadonho discorrer sobre tudo que foi negativo no ano que findou. São tantas as ocorrências, relatadas e muitas vezes repetidas por diferentes meios de comunicação, de maneira que todas dificuldades já são amplamente conhecidas pela população. Isto sem falar nos problemas econômicos sentidos na pele pelos brasileiros e as possibilidades de serem repetidos em 2017. De qualquer forma, eis alguns pontos negativos na área econômica: política econômica desastrada; economia que não parou de piorar; inflação acima da meta; juros exorbitantes; empresas em decadência; comércio com portas fechadas; desemprego crescente; aumento inexpressivo do salário mínimo; Lei de Responsabilidade Fiscal reiteradamente desrespeitada; crise quase insuperável em estados e municípios. O resultado sempre será previsível: quem tem dinheiro ganha mais e  quem não tem sofre. No campo político tivemos: impeachment da Presidente da República; delações que abalaram os alicerces da República; escândalos de corrupção envolvendo conhecidos políticos; crise institucional (Legislativo x Judiciário); processo no TSE que pode resultar no afastamento do atual Presidente da República; invasão da Câmara dos Deputados; políticos que parecem viver em outro mundo, etc. Certos acontecimentos, que poderiam ser citados como negativos, entendo que foram positivos, valendo como exemplos a prisão do Presidente da Câmara dos Deputados e as passeatas pacificas, não se esquecendo que vandalismo é crime.

Muitos argumentam que já se chegou ao fundo do poço, de forma que só pode melhorar. Os pessimistas admitem que o Brasil ainda não afundou totalmente, torcendo para tudo dar errado, desdizendo o grande tribuno e parlamentar Tiririca quando diz “que pior não fica”. Mesmo sem ser pessimista, é de se aceitar que, concordando ter chegando ao fim do poço, ainda haverá um considerável período de “derrapagem” antes de começar a lenta subida. De qualquer forma, será necessário que a economia saia do vermelho. O sucesso da política depende, e muito, da economia que será o foco de tudo em 2017. Somente com uma economia promissora é que os brasileiros poderão sonhar em acabar com o desemprego e pagar suas dívidas em geral, principalmente o terror denominado “cartão de crédito”.

Em um cenário catastrófico poderá acontecer até mesmo a volta dos militares ao poder para impedir a total desordem social. Não porque eles queiram, mas sim como exigência da sociedade. Se tem ex-governador, ex-senador, ex-deputados e ex-ministros na cadeia, bem como ex-presidente processado criminalmente e que também deverá ir para a cadeia, tudo será possível acontecer em 2017. Os militares já administraram o País mas, apesar dos saudosistas dos anos de chumbo, agora na reserva, os atuais dirigentes das forças armadas demonstram que não pretendem repetir a dose. A experiência não foi boa para eles. A grande fobia dos militares sempre foi  os comunistas. Ultimamente os comunistas, e companheiros em geral, não ofendem ninguém nem devem ser motivo de preocupação. Professar a ideologia comunista é direito de todo cidadão. Na remota hipótese dos militares voltarem  ao poder (e pessoalmente não gostaria que isto ocorresse), que seja por curto período, necessário ao restabelecimento da ordem social e garantia dos poderes, cumprindo sua destinação constitucional (Constituição Federal, art. 142), combatendo apenas a corrupção e não ideologias, devolvendo o poder aos legítimos representantes do povo. Se os militares voltarem ao poder, seria salutar que os esquerdas tenham representantes nas diferentes casas legislativas, o que engrandeceria, e muito, a democracia.

A margem de acontecimentos positivos no ano que inicia são bem menores: sucesso da política econômica em desenvolvimento, aprovação das reformas necessárias, cadeia para os políticos corruptos, responsabilização das empresas envolvidas em condutas ilegais, colocar um “basta” nos supersalários acima do teto, pagamento regular da sofrida classe de funcionários públicos e aumento da opinião pública nas atividades políticas, possibilitando visualização de luz, por mínima que seja, no final do túnel. Seja como for, o Brasil não será o mesmo. É inquestionável que o desemprego é a herança mais perversa que deixou o ano que findou. Relembrar o que de ruim ocorreu em 2016 significa sofrer novamente. Qualquer previsão sensata para o futuro pode não ser desastrosa, mas também não se apresenta como das melhores. Todavia, ficaram resultados positivos: a politização  dos brasileiros, que tomaram consciência do valor de seus votos, e a necessidade de se economizar para enfrentar os tempos de vacas magras.

Para complicar tudo, o ano foi inaugurado com massacres em presídios, já previstos há muito tempo. Também, não se deve esquecer a incógnita  que será o governo Donald Trump. Não existem grandes dificuldades para concluir que se 2017 for bem na economia poderá sair melhor ainda em todas outras realizações. Para enfrentar as dificuldades do ano em andamento existem propostas de pretensos salvadores da pátria, como lançar mãos de reservas cambiais, imprimir mais dinheiro, aumentar impostos e outras baboseiras mais. Por tudo que aconteceu, e que o horizonte descortina como sendo previsível de ocorrer, é recomendável que os brasileiros apertem os cintos, pois 2017 pode ser pior do que 2016.

 

(Ismar Estulano Garcia, advogado, ex-presidente da OAB-GO, professor universitário, escritor)

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