Desativada 2

Romeu e Julieta em dose tripla

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2017 às 23:55 | Atualizado há 2 anos

Quem estiver hoje às 18h30 no Centro Cultural Oscar Niemeyer vai poder sentir-se transportado para o século XVIII. Ou melhor: para dentro do universo shakespeariano, do clássico dos clássicos Romeu e Julieta. Lá haverá a encenação de um dos embates de dois dos inimigos mortais mais famosos da literatura mundial: Capuleto e Montéquio. Para divulgar o espetáculo E[cs]xtas[y]e–Uma História de Romeu e Julieta, que vai ficar em cartaz até o final do mês no Teatro Sesc, atores da peça irão promover um flashmoob, vestidos de espadachins românticos. A ideia é forjar as lutas de espada do período medieval.

O flasmoob serve para anunciar a pequena temporada que o espetáculo criado pela Fábrica Grupo de Teatro vai ficar em cartaz no Teatro Sesc Centro. Após a estreia, que acontece nesta terça-feira (17), a montagem vai poder ser conferida de segunda-feira a quinta-feira, no Teatro Sesc Centro, logo nos dias: 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26, 30 e 31 de janeiro, sempre às 20h.

Este caráter contemporâneo das flashmoobs (que geralmente se baseiam na reunião espontânea de pessoas para realizar certa ação e ficaram famosas em 2003 e depois se espalharam mundo afora) casou muito bem com a versão moderna e instigante, criada pela Fábrica Grupo de Teatro para o clássico Shakespeare.

Pois, o musical interpretado por 14 jovens atores, que estreou ano passado e teve sessões lotadas, e que conta com o apoio da Maristo Agência de Negócios, de Richardson Umbelino – Fotografia e Design, e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, traz ao palco uma visão no mínimo ousada do amor.

O romantismo de Shakspeare é lido pela companhia tanto como um estado de graça pela intensidade do sentimento, como na palavra “êxtase”. Mas também como uma sensação de euforia, bem-estar, alterações da percepção sensorial, que pode causar a droga ecstasy. E saiu dessa mistura, o nome da montagem E[cs]xtas[y]e. Uma mesclagem entre êxtase e ecstasy.

Iguais e diferentes

A jovialidade misturada à grandeza clássica da obra é um dos maiores trunfos da peça. Pois, o que poderia trazer de novo um clássico como Romeu e Julieta, encenado tantas vezes? E E[cs]xtas[y]e, neste sentido ostenta pelo menos três pontos inovadores. Um deles é o fato de possuir uma trilha sonora recheada de sucessos do rock, pop e MPB.

Mas, além trilhas sonoras que vão do Queen a Chico Buarque e Rihanna, bolhas de contemporaneidades são visíveis ainda no figurino. Nas roupas, o despojado blue jeans se une a saiotes e rendas comuns na idade média renascentista. Uma das Julietas (sim, a peça tem mais Julietas e Romeus e a explicação vem logo mais), usa jaquetas e no cabelo o corte sidcute.

“A pluralidade é o que queremos passar. Vivemos esse mundo contemporâneo onde os tempos se misturam, onde as referências não são mais rígidas, engessadas! As referências artísticas são atemporais e estamos nos apropriando disso em cena”, salienta o diretor do espetáculo Wellington Dias, que divide sempre a autoria deste espetáculo com amigos, pois de acordo com ele, “foi escrito a muitas mãos”.

“Essa peça tem mesmo essa característica: Foi feita muito a partir do lugar da afetividade de todos nós. Meu assistente na direção, Edson de Oliveira, a diretora musical Adriana Lemes, o ator e esgrimista Clégis de Assis, a coreógrafa Joisy Amorim… Todos são grandes amigos que me ajudaram a falar de amor de uma forma muito particular. Juntando as contribuições do elenco”, explica o diretor.

TRÊS NÃO É DEMAIS

A parte mais ousada de Romeu e Julieta da Fábrica de Grupo de Teatro veio da também da colaboração de outro amigo se baseia no fato de que na peça não existe apenas um casal interpretando os apaixonados protagonistas, mas sim três.

De acordo com o Wellingtom Dias a ideia em si não é nova. Nasceu há mais de 15 anos e foi provocada pelo diretor e preparador de elenco Antônio Amâncio Cañaes, que hoje é roteirista no programa Amor e Sexo, da Rede Globo.

“Ele (Antônio Amâncio Cañaes) me falou sobre essa ideia onde três Romeus e três Julietas tripartiam as fases do amor e eram trocados durante a peça como símbolo de um novo ciclo. Aquilo mexeu muito comigo! Desde então venho acalentando o sonho de levar essa ideia para cena”, detalha o diretor.

 

E[cs]xtas[y]e

Uma História de Romeu e Julieta

FLASH MOB:

Quando: Hoje, às 18h30

Onde: Centro Cultural Oscar Niemeyer

 

TEATRO:

Quando: 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26, 30 e 31 de janeiro de 2017–Horários: 20h

Onde: Teatro SESC Centro (Rua 15 c/ Rua 19, Centro)

Ingressos: R$ 7 (comerciários e dependentes) R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia-entrada) e R$ 7 (conveniados)

Venda: Bilheteria do Teatro SESC Centro ou https://www.bilheteriadigital.com/teatrosesccentro

Informações: (62) 3933-1700

 

Entrevista com o diretor Wellington Dias

O diretor e ator Wellington Dias tem quase 30 anos de carreira junto à arte. Neste período recebeu diversos prêmios como ator e como diretor. No cinema participou como ator nos longa-metragens: Uma Saga Brasileira, de Pedro Augusto e O Tronco, de João Batista de Andrade. Atualmente é técnico de apresentações artísticas do Sesc Centro e Conselheiro de Cultura do Estado de Goiás. Em 2002 fundou com Edson de Oliveira e André Srur o Fábrica Grupo de Teatro. Suas primeiras produções foram o texto cômico Romeu e Isolda e a performance O Operário em Construção. Este último, em cartaz há 10 anos. Ambos os trabalhos foram premiados em diversos festivais. Depois de um hiato de oito anos, o grupo está de volta com E[cs]xtas[y]e. E, sobre o espetáculo mais recente o artista falou com DMRevista. Veja trechos da conversa a seguir.

 

DMRevista: O elenco é jovem e a peça de Shakespeare tem mais de 400 anos. Como foi o processo de criativo do espetáculo. Houve conflitos de geração?

Wellington Dias: Partimos do texto e fomos estudando detalhadamente cena a cena. Começamos a discutir o formato e entendemos que queríamos fazer algo com muita música mas que elas deveriam ser parte do texto, complemento da cena. Logo começaram a surgir as referências musicais e isso foi mostrando o quanto a música podia nos localizar. Foi um processo longo, cansativo, mas muito prazeroso. Se houve conflito foi no processo de descobrir a personagens, quando nossas experiências pessoas começaram a se misturar com as referências dadas por Shakespeare: Vimos o quanto o amor que ele contou tocava em nós. Amores desfeitos, paixões não resolvidas, sonhos de amor eterno… Tudo veio a tona e foi uma experiência… Intensa, eu diria.

 

DMRevista: Onde o espetáculo ainda vai chegar este ano?

Wellington Dias: Estamos em parceria com alguns produtores para nos apresentar ainda para alguns estudantes e estamos em negociação para apresentações em Palmas, Mato Grosso do Sul e o interior de Goiás. Um teatro do Rio abriu as portas para uma temporada de um mês mas ainda buscamos apoio para conseguir realizar essa agenda. Nosso desejo é que o espetáculo, assim como o amor romântico, ganhe asas!

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia