Brasil

Conferências mundiais marcam 2016 e países assumem desafios para o ano vindouro

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2017 às 01:10 | Atualizado há 10 anos

Dois mil e dezesseis vai ficar marcado na história, por diversos fatos políticos, econômicos e sociais; e também pelo avanço significativo em três conferências internacionais, que apresentam caminhos para que a sociedade enfrente a destruição da natureza e a mudança global do clima.

Em setembro, o Congresso Mundial de Conservação – promovido no Havaí pela mais representativa e maior rede ambiental do mundo, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla, em inglês) – trouxe um importante alerta: “os ecossistemas que suportam a economia, o bem-estar e a sobrevivência humana estão entrando em colapso; as espécies da fauna e da flora estão sendo extintas em taxas sem precedentes, o clima global está em crise e tudo isso está acontecendo diante dos nossos olhos”.

A mesma opinião é compartilhada pelos participantes da 13ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada em dezembro, no México.

Uma das formas mais eficazes de conservar a biodiversidade é criar áreas naturais legalmente protegidas, chamadas no Brasil de Unidades de Conservação (UCs). Por isso, em seu plano estratégico de 2010 a 2020, a CDB estabelece as “Metas de Aichi”, que inclui a necessidade de garantir que pelo menos 17% dos ecossistemas terrestres e 10% dos marinhos sejam protegidos por meio de UCs.

Outro resultado positivo da COP 13 da CDB foi o compromisso firmado pelo setor privado, por meio do “Cancun Business and Biodiversity Pledge”. Empresas de diversos países – incluindo a brasileira Grupo Boticário – acordaram formalmente em promover práticas mais favoráveis à biodiversidade, além de acompanhar periodicamente e conjuntamente seus esforços.

Realizada no Marrocos, em novembro, a 22ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima entregou uma agenda de trabalho para os próximos anos e marcou 2018 como a data de finalização do “manual de instruções” do Acordo de Paris – compromisso entre os países que prevê diretrizes e metas para a redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE).

É um avanço importante, já que esperar até 2020 para botar mãos à obra para efetivar o Acordo de Paris pode fechar de vez a janela para estabilizar o aquecimento global em 1,5ºC, objetivo que muitos cientistas já consideram inviável hoje.

O esforço conjunto entre governos, empresas e sociedade civil são reflexos do que cientistas e ambientalistas afirmam há muitos anos: todos nós, seres humanos, somos dependentes da natureza. Portanto, proteger a biodiversidade é uma estratégia indispensável para a qualidade de vida humana e para a agenda das próprias empresas, já que a destruição da natureza implica em perdas econômicas e custos adicionais à produção cada vez maiores, isso quando não acaba inviabilizando o próprio negócio.

Para 2017, sabemos o que pode e dever ser feito: estabelecer mais UCs e implementar as existentes, zerar o desmatamento ilegal em todo o território, criar incentivos econômicos para tecnologias mais sustentáveis, investir em fontes de energia limpa e em agricultura de baixo carbono. O caminho é longo, mas precisa ser percorrido o quanto antes, para o bem de todos.

 

(Malu Nunes, engenheira florestal, mestre em conservação da natureza e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza)

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