Sejamos menos!
Redação DM
Publicado em 14 de janeiro de 2017 às 01:07 | Atualizado há 10 anosAntes mesmo de 2017 começar, ouvi e vi tantas predições de amigos e conhecidos, listas de resoluções, novos projetos e planos, enfim, tantas boas intenções, que realmente acreditei que o ano-novo começaria diferente, como se o ano é que precisasse mudar e não as pessoas e suas atitudes. Tolstoi já observava que, em algum momento da vida, todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar primeiramente a si mesmo.
Ano-novo é sinônimo de recomeço, mas o engraçado é que 2017 mal começou e já observei tanto do mesmo, como se a maioria das pessoas (eu, inclusive!) estivesse no lugar-comum de sempre: os direitistas-esquerdistas-liberalistas-machistas-feministas-extremistas-egocentristas continuam bombardeando memes, fotos e vídeos nas redes sociais e nos grupos do Whatsapp. Haja memória no celular! Enquanto isso, notícias tristes se repetem nos jornais e a internet está repleta de informações inúteis (afinal, quem quer saber das vaidades do elenco da próxima novela?!). Parece que nada mudou, pelo menos aparentemente.
Mas claro que todo mundo sabe (ou não?!) que o que realmente importa não é parecer, mas sim SER. A confusão é que, consciente ou inconscientemente, quando pensamos em mudança, queremos ser mais, quando deveríamos ser menos. Então, meu desejo para 2017 é que todos nós sejamos menos.
– Menos intolerantes – é perda de tempo discutir ou forçar alguém a entrar em um debate, principalmente quando achamos que só a nossa opinião (principalmente político-partidária e religiosa) é a certa. O melhor é simplesmente declarar discordância, de maneira educada, sem querer parecer um expert no assunto, afinal ninguém gosta de pessoas metidas a sabe tudo;
– Menos falantes e mais ouvintes – e o pouco que falarmos, ou escrevermos, não seja para ofender. Estejamos conscientes de como as nossas palavras são percebidas pelos outros. Em vez de darmos uma indireta para alguém na rede de amigos, é aconselhável ligar, conversar, desatar os nós e correr o risco de refazer e fazer novos laços;
– Menos replicantes – bom humor é essencial, mas existe hora e lugar para tudo, concordam? O excesso de memes e piadinhas prontas nas redes e grupos é muito chato. Evitemos replicar também fotos de pessoas enfermas e animais maltratados. Se quisermos realmente ser solidários, façamos uma visita, mas sem expor as pessoas. Sem falar das notícias catastróficas replicadas sem uma checagem da veracidade dos fatos.
– Menos expostos – publicar nas redes sociais tudo o que fazemos e sentimos, sério (!), não é legal. Se estivermos felizes e realizados, passamos a ideia de sermos metidos. Se estivermos down, ganharemos, no mínimo, o título de chatos. Acredite, ninguém realmente se importa com o que você faz a cada segundo do dia, então, não se sinta tão importante. Sem esquecermos que nossos chefes, líderes e até recrutadores para vagas de emprego e estágio sondam perfis em redes sociais.
– Menos reclamões e mais otimistas – antes de começar a reclamar da vida, temos que lembrar que o mundo não gira em torno de cada um de nós e que, também, deve ser cansativo para os que estão à volta. Outra coisa chata é ficar se desvalorizando a cada minuto, pensando que isso reflete humildade, quando não passa de outra forma de egocentrismo.
– Menos professores e mais aprendizes – nada de ficar anunciando aos quatro ventos que fazemos algo melhor que os demais, pois todos temos limitações. Enaltecer uma suposta superioridade soa como arrogância e egoísmo e afasta as pessoas.
– Menos donos da verdade – verdade absoluta só a de Deus, a nossa é sempre relativa. Como admitiu Nietzsche, “a verdade é um ponto de vista”. Assim, cada um é dono somente da sua própria verdade.
– Menos religiosos e menos radicais – afinal, religião não salva, mas – o que é pior – algumas cegam. Cuidado com os extremos, pois eles nos impedem de exercitar o amor e o respeito ao próximo.
Enfim, que em 2017, sejamos MENOS para que possamos ser MAIS no que realmente importa, que seja benéfico, positivo e útil.
(Marlene Bastos, especialista em Gestão Pública e servidora do Ministério Público do Estado de Goiás)