Kajuru tem que ser caçado
Redação DM
Publicado em 12 de janeiro de 2017 às 01:41 | Atualizado há 10 anos
Mesmo com o azedume contido, figuras emblemáticas da tradicional política goiana estão irritadíssimas com o recém-eleito vereador Jorge Kajuru, cujas denúncias bombásticas estão sensibilizando os eleitores. Muito a seu estilo, que não poupa ninguém e fala o que poucos ousam sussurrar nos botequins da cidade, vários acreditam que a ordem para caçar Kajuru já foi acionada. O eleitor pode indagar se não estou errando o vocábulo. Não seria “cassar”? Tirar-lhe o cargo no legislativo da capital? Ao que tudo indica, vai além.
Segundo minhas fontes, um grupelho de inconformados já se reuniu mais do que dispostos a promover uma devassa em suas ações, incitar confronto provocativo e colocá-lo na defensiva. Uma verdadeira caça para acuar Kajuru, tendo como foco diminuir seu ímpeto nas denúncias. Duvido que vá funcionar.
Um dos mais incomodados com o estilo bombástico de Jorge é o ex-vereador Wladimir Garcez, apontado sem rodeios como representante dos interesses de Carlos Cachoeira e que, segundo informações de Kajuru publicadas nas redes sociais, agiu com desenvoltura nos bastidores para controlar as principais comissões da Câmara Municipal, que já começaria sendo manobrada por terceiros com fins escusos.
Ousado e disposto a mexer num vespeiro, Kajuru já anunciou claramente que pretende fiscalizar as contas do ex-presidente Anselmo Pereira. O propósito é questionar gastos condenados à boca miúda – exemplo clássico foi a renovação da frota de veículos – e outros detalhes cabeludos que estão sendo denunciados por gente que deixou de temer o influente vereador Anselmo.
São ações que provocam reações imprevisíveis e inesperadas. Até agora, ninguém contestou revelações sérias que, no mínimo, são dignas de respostas dos envolvidos e de quem pode e deve investigar comportamentos que ferem a ética republicana.
Fato novíssimo no estilo de fazer política, utilizando ao vivo e em tempo real as facilidades das redes sociais, Kajuru, até agora, demonstrou que será um osso duro de roer. Colocar os “cães” de aluguel para caçar o homem está longe de ser rima ou solução. Ele está no terreno e na trincheira que conhece bem. Encontrar uma forma de cassar seu mandato é nó que não desata com facilidade. Quem vai por a cara a apanhar no processo?
Os envolvidos podem adotar uma solução pouco comum no parlamento brasileiro. Que tal legítima, qualificada e honesta transparência com um trabalho que não deixa margem para Kajuru criticar? Legal não? Mas não é fácil. Largar o vício da política tradicional, em que muitos se profissionalizaram, é pior do que deixar anos de dependência em cocaína.
Rosenwal Ferreira, jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal