Cotidiano

Uma janela para o paraíso

Redação DM

Publicado em 10 de janeiro de 2017 às 00:45 | Atualizado há 2 anos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para pior suas previsões para o emprego no Brasil no ano de 2017. O Brasil ocupa o ranking de 7° maior do mundo de desemprego em termos percentuais. O ranking compara os últimos índices oficiais de 51 países.

São milhões de desempregados, de acordo com os novos critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que incluem, além das pessoas desempregadas, trabalhadores subocupados e os inativos com potencial para trabalhar. Desta maneira, o número de desempregados, então estimado em 12 milhões, em meados de outubro de 2016, já passa de 22 milhões de trabalhadores.

A pesquisa exclusiva da FGV Projetos, encomendada pela Fecomércio-RJ, mostrou outro efeito perverso da recessão de mais de dois anos: 55% procuraram trabalho extra e 29% não conseguiram.

O desmonte da engenharia nacional é fato consumado. O Estaleiro do Paraguaçu, na Bahia, contava com estudos próprios de pluviometria local, estatística, contenção sustentável de encosta, melhoria nas condições de escoamento dos rios locais, tratamento de esgoto por macrófitas (plantinhas), remoção criteriosa de fauna e flora, aproveitamento solar. Ele foi fechado em novembro de 2015.

Em termos de sustentabilidade, o Brasil estava à frente do Canadá, Austrália e China. Não mais.

A atual situação econômica do Brasil vem causando muita preocupação a toda parcela da população: sejam empregados ou empresários, a ponto de serem adiados os seus investimento e empreendimentos.

Esta crise não se constitui em um fenômeno isolado mas afeta todo o mundo: ela é abrangente e agora resta saber o quão pior será.

Mas a crise não chegou aos anais dos poderes constituídos, que insistem seguir um rastro financeiro que não foi atingido pelas  dificuldades cotidianas, como um portal a parte do restante do Brasil.

A sociedade como um todo e os poderes constituídos não se deram conta da crise instalada no País. O números econômicos indicam uma crise em andamento, sem previsão de retrocesso, que avança contra todo o País. Os números são incontestes.

A Advocacia-Geral da União é um exemplo disso. O prédio, localizado em uma das esquinas mais valorizadas de um nobre setor de Goiânia, revela todo o poder financeiro inerente a esta instituição. O prédio está alugado por mais de R$ 100 mil.

Também mudou-se recentemente para um prédio de luxo o Ministério Público do Trabalho, agora localizado em uma das avenidas mais caras da Capital, no Setor Bueno.

Pela lei nº 9.999 de desafetação de área pública municipal, houve doação à União – Justiça Federal –  de área de 20.253,05m², localizadoano Park Lozandes, onde deverá ser construída sua nova sede.

O que se observa é que a crise instalada não é linear e existem vários cenários em se tratando de política econômica brasileira, pois ela privilegia setores que estão em contínuo desenvolvimento, quais sejam os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

O Poder Judiciário foi beneficiado com um reajuste de até 41,47% para o seus servidores e o Ministério Público da União foi beneficiado com 12%. O aumento foi sancionado pelo presidente da República, Michel Temer, sem cortes.

O governo anunciou no último dia 30/12/2016 o reajuste salarial para servidores públicos federais. Foram beneficiadas categorias que já tiveram aumento acordado com o governo, mas aguardavam a atualização dos salários. “Não é mais possível não exercermos aquilo que foi acordado e assinado”, disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, que não deu detalhes do porcentual de aumento nem quais categorias serão beneficiadas.

Com este aumento, o governo federal concluiu a rodada de reajuste que atingiu todas as categorias do Executivo.

A política econômica brasileira tem determinado que camada da população deverá ser beneficiada, de modo que o que observamos são dois cenários distintos e bem definidos: um da agonia prolongada de 70% da população que não tem parte com o poder e a alegria perpétua dos poderes constituídos.

O que temos de fato é que, como na lei da osmose, tudo tende a se uniformizar. E, em caso de desequilíbrio, o inevitável é a hemólise: o rompimento, que atingirá todos os níveis da sociedade, como um tsunami.

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