O crescimento das pequenas centrais hidrelétricas em Goiás
Redação DM
Publicado em 3 de janeiro de 2017 às 01:23 | Atualizado há 10 anos
A matriz energética brasileira, em termos de geração de energia elétrica, aponta a predominância da hidroeletricidade (produção de energia a partir da água) como fonte geradora de energia elétrica no Brasil. Precisamente, 82% da energia gerada no país provêm dessa fonte energética.
Bem menos representativas são as outras formas. Entre elas, vale ressaltar: biomassa, com 6,5%; gás natural, com 4,6%; energia nuclear e derivados de petróleo, com 5,2%; energia eólica (dos ventos), com 0,5%, etc.
A produção de hidroeletricidade em pequena escala, as chamadas Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHS), promete muito para os anos vindouros (detalhe: são consideradas PCHS os empreendimentos com capacidade instalada de 1 a 30 megawatts).
Aquilo que muito contribuiu para o ambiente favorável às PCHS foi, sem dúvida, os preços competitivos e a maior demanda por energia renovável. Além disso, vale ressaltar que os prazos de liberação desse tipo de empreendimento diminuíram sensivelmente. De acordo com a última edição da revista Brasil Energia, esse prazo caiu de três anos (antes de 2015) para 62 dias, em 2016. As vantagens das PCHS são inúmeras, entre elas, evidenciam-se: baixo impacto ambiental, curto prazo de implantação e, lógico, consideráveis isenções fiscais do governo.
Construir PCHS é um bom negócio. Muitos empresários vêm apostando nesse mercado com a nova realidade de desburocratização ambiental e flexibilidade nas regras do jogo. A Brasil Energia enfatiza que o país possui – entre PCHS (capacidade instalada acima de três megawatts) e GCHS (capacidade instalada até três megawatts) – aproximadamente 565 usinas dessa última e 445 daquela primeira. Já é alguma coisa.
Em Goiás, o presidente da Associação das Pequenas Centrais Hidroelétricas, Sevan Naves, alertou, numa entrevista concedida a um diário local, algo que merece ser repetido neste espaço: a inoperância burocrática do Estado. “O Estado perde nos próximos dois anos R$ 10 bilhões de investimentos, fora o benefício maior, que é a retenção de água no momento de crise”. Pasmem: algo em torno de 800 megawatts, o equivalente a uma cidade de 5,2 milhões de habitantes, enfatiza Sevan Naves. É um elevado custo de oportunidade perdida!
O novo ambiente favorável à construção de PCHS, aliado à vontade expressa pelo novo controlador da Celg D, sinaliza uma mudança de realidade no tocante a pequenas e médias usinas. “Queremos continuar crescendo no Brasil com usinas semelhantes de porte médio.” Assim declaroua Brasil Energia o presidente da Enel. A ordem é crescer. Uma luz no fim túnel se acende para o mercado de pequenas usinas hidrelétricas em Goiás.
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético, autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio)