Política

Povo traz Iris pela quarta vez à Prefeitura de Goiânia

Redação DM

Publicado em 31 de dezembro de 2016 às 00:06 | Atualizado há 10 anos

  • Peemedebista venceu o empresário Vanderlan Cardoso (PSB), no segundo turno, com quase 380 mil votos (57,7%)

O advogado Iris Rezende Machado, 83 anos, assume a Prefeitura de Goiânia pela quarta vez, em evento festivo marcado para o Centro de Convenções Pontifícia Universidade Católica (PUC/Goiás), no Jardim Mariliza, às 15 horas, neste domingo (1º de janeiro). Iris venceu as eleições, no segundo turno, em 30 de outubro, o empresário Vanderlan Cardoso (PSB), com 57,7% (quase 380 mil votos) contra 42,3% dos votos válidos, depois de enfrentar seis adversários no primeiro turno.

Iris Rezende foi vitorioso também, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, nas eleições de 1965, 2004 e 2008. Em todas elas, deixou o poder com elevados índices de popularidade, tanto é que, depois de ficar afastado da atividade política por dez anos (foi cassado em 1966 pelo regime militar), elegeu-se governador do Estado por dois mandatos e senador da República uma vez.

O peemedebista começou a sua trajetória política como vereador em Goiânia (presidente da Câmara Municipal), elegeu-se deputado estadual (presidente da Assembleia Legislativa), prefeito aos 34 anos de idade da capital, governador em 1982 e 1990, senador da República em 1994.

Sobre a quarta vitória à Prefeitura de Goiânia, Iris Rezende disse, logo após a proclamação dos resultados: “[O sabor é de] realização pessoal. Eu quando tomei conhecimento e me desloquei para cá [seu escritório político], que já estava praticamente encerrado a apuração e eu ganhei, só tive um gesto: fui para o meu quarto, me ajoelhei e agradeci a Deus [voz embargada] por mais essa oportunidade que eu tenho na minha vida de servir ao meu semelhante. É assim que tenho praticado a política e será assim que eu vou ser prefeito por mais quatro anos”, disse.

Iris também salientou, na conversa com jornalistas, que vive um “sentimento de gratidão” por causa da nova eleição. Por mais de uma vez, citou sua experiência de 58 anos de vivência política, além de mencionar a decisão de encerrar sua carreira, em 2014.

Ele afirmou que voltou atrás e concorreu ao pleito deste ano alegando que foi motivado pela situação crítica da cidade. “Havia anunciado que iria encerrar minha carreira em 2014, mas comecei a pensar. Se a situação de Goiânia fosse boa, não justificaria minha candidatura. Me candidatei porque sei que a situação administrativa da cidade é preocupante em todas as áreas. Entendi que estaria negando tudo na minha vida se eu ficasse sentado em casa deixando as coisa acontecer e Goiânia sofrendo”, justificou.

O prefeito eleito pontuou que seu relacionamento institucional com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), será como “qualquer pessoa ou político equilibrado tem que fazê-lo”. Iris comentou que eleger-se na sua idade é fruto de como foram feitos seus outros mandatos.

“Nesse momento em que o mundo político está praticamente hostilizado pela maioria da população brasileira e um político de 82 anos (em outubro) se elege prefeito. É porque o meu comportamento, em todos os mandatos foi alvo de exemplo. Nunca aceitei ao meu lado aproveitadores ou aqueles que tivessem o poder com interesses escusos e pessoais”, destaca.

Iris elegeu-se prefeito pela Coligação Experiência e Confiança (PMDB, PRP, DEM, PDT, PRTB e PTC), mas, na Câmara Municipal, já recebeu apoio de outros partidos e de mais de 28 dos 35 vereadores que irão compor a 18ª Legislatura.

Questionado sobre qual “marca” pretende deixar nessa administração, Iris Rezende rebateu: “Já tenho minha marca que deixei ao longo da minha carreira. Trabalhar de dia de note, sábado e domingo e mutirões, quando necessário, nos bairros. É o meu estilo”.

Já na segunda-feira, primeiro dia de trabalho no Paço Municipal, Iris Rezende vai enfrentar uma dívida acumulada de R$ 500 milhões, buracos nos 850 bairros e lixo acumulado pelas ruas e avenidas de Goiânia

Boas relações

Iris Rezende pretende deixar as diferenças partidárias de lado e manter “boa relação institucional” com o governador Marconi Perillo. O peemedebista deverá realizar parcerias administrativas com o Palácio Pedro Ludovico Teixeira, “pelo bem de Goiânia”.

Amigo pessoal do presidente Michel Temer há muitos anos, já que pertencem ao PMDB, o prefeito Iris Rezende também buscará “convivência próxima” com o Palácio do Planalto. Vários projetos já estão em andamento na Esplanada dos Ministérios, em Brasília e que asseguram recursos financeiros para a realização de obras na capital. Só no Ministério das Cidades, resultam em R$ 600 milhões.

Propostas

Durante a campanha deste ano, Iris Rezende afirmou que uma das suas metas é zerar o déficit de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis). Segundo ele, serão construídos “tantos Cmeis quanto necessários”.

Além disso, ele afirmou que quer transformar o ensino fundamental em integral, com a implantação de 20 escolas que oferecerão 8 horas diárias de aulas. Segundo o candidato, serão disponibilizadas cerca de 15 mil vagas para estudantes de 6 a 14 anos.

Outra proposta de Iris é a recuperação de mais de 3 mil quilômetros de vias. Ele afirmou na campanha que, já no primeiro ano de mandato, pretende começar o asfaltamento de todos os novos bairros habitados da capital.

O peemedebista garante, ainda, que vai investir na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e que tem como objetivo “transformar a cidade na capital mais limpa do país”. Para isso, pretende reforçar a coleta seletiva de lixo.

O prefeito eleito disse que as prioridades da sua gestão serão saúde, educação e trânsito. Iris destacou que pretende melhorar o trânsito na capital e os centros de Assistência Integrada à Saúde (Cais), além de investir em educação em tempo integral.

Com a decisão do deputado Major Araújo (PRP) de renunciar ao cargo de vice-prefeito de Goiânia, optando por permanecer no exercício do mandato, na Assembleia Legislativa, caberá ao presidente da Câmara Municipal substituir o prefeito Iris Rezende, nas eventualidades previstas em lei.

Secretariado

Iris Rezende decidiu divulgar os nomes do secretariado somente, neste domingo, após a solenidade de posse, no Campus II da PUC/Goiás. Ele passou o sábado formando a escolha dos secretários e presidentes de autarquias e empresas públicas, requisitados entre técnicos e políticos ligados ao PMDB, PRP, DEM, PDT, PRTB, PTC e PTB, partidos que estiveram em sua campanha nos dois turnos.

 

Trajetória vitoriosa começou como vereador da capital

O peemedebista tem 83 anos (completados em 22 de dezembro), nasceu em Cristianópolis, região sul de Goiás. Em 1949, mudou-se com a família para Goiânia, onde começou sua militância política ainda na adolescência. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Goiás (UFG) e, um ano depois, em 1959, foi eleito vereador.

Na época, o candidato com maior número de votos e mais jovem da história da capital, aos 25. Em 1962, foi eleito deputado estadual e, em 1965, assumiu a Prefeitura de Goiânia, mas foi cassado pela ditadura militar antes que o seu mandato chegasse ao fim.

Durante o período em que ficou fora da administração, Iris Rezende montou um escritório de advocacia. Após o fim da ditadura militar, ele foi eleito governador por dois mandatos, governando o estado de 1983 a 1986 e de 1991 a 1994.

Entre as duas administrações, ele foi ministro da Agricultura do governo de José Sarney (PMDB), de 1986 a 1990. Em 1994, Iris foi eleito senador da República e, no meio de seu mandato, em 1997, assumiu o Ministério da Justiça durante um ano, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O último cargo público ocupado por Iris foi o de prefeito de Goiânia. Ele foi eleito em 2004 e reeleito em 2008, mas abandonou a prefeitura em 2010 para disputar ao governo estadual. Tanto nas Eleições 2010 quanto em 2014, ele foi derrotado pelo adversário Marconi Perillo (PSDB).

Em julho deste ano, Iris anunciou o fim de sua carreira política de quase 60 anos. Na ocasião, citou, entre os motivos, a derrota nas eleições para o governo estadual, em 2014, quando perdeu pela segunda vez. No entanto, dias depois resolveu voltar atrás e lançar seu nome à Prefeitura de Goiânia.

Ao longo da campanha para o 2º turno, os candidatos Iris Rezende (PMDB) e Vanderlan Cardoso (PSB) travaram uma verdadeira batalha nas propagandas eleitorais. Trocas de acusações, incluindo até mesmo personagens usados nas propagandas, ocorreram nas veiculações de ambos os postulantes Eles tiveram propagandas suspensas e direitos de respostas.

 

  Após ajudar na reeleição, o rompimento com Paulo

Iris Rezende afastou-se do prefeito Paulo Garcia em novembro de 2015, depois de aceitar o petista como vice em sua chapa, em 2008 e de apoiá-lo na reeleição em 2012. O peemedebista recomendou também ao PMDB que entregasse os cargos que ocupava no Paço Municipal. Paulo venceu a convenção do PT, como candidato a vice-prefeito na chapa do PMDB, por apenas um voto.

Os motivos que levaram o hoje prefeito eleito de Goiânia a romper com Paulo Garcia foram, fundamentalmente, dois: a impopularidade da gestão petista e aproximação com o Palácio das Esmeraldas.

Diante da possibilidade de concorrer à Prefeitura de Goiânia, em 2016, preocupava Iris o fato de ter como aliado, em seu palanque, um prefeito com baixa aprovação popular, como ocorria com Paulo Garcia.

Desde o início da administração de Paulo Garcia, Iris não recomendava parcerias, nem mesmo administrativas, da Prefeitura de Goiânia com o governo Marconi. As mesmas restrições o peemedebista adotava em relação ao prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela.

O estopim para estourar o rompimento entre Iris Rezende e Paulo Garcia: o anúncio, feito pelo Paço Municipal, que enviaria à Câmara Municipal reajuste para o IPTU, ITU, exercício de 2016, com índices considerados “exorbitantes” pelo cardeal do PMDB. “Aumentar impostos quando a população passa dificuldades é estupidez”, disse Iris Rezende, em novembro de 2015, à coluna Giro, de O Popular.

Em todas as entrevistas, logo após o segundo turno, Iris Rezende se referia à gestão de Paulo Garcia como “caótica”, ressaltando que Goiânia vivia uma “calamidade” administrativa, diante do acúmulo de problemas, dívidas, enfim, uma “falta de gestão”.

Desde novembro de 2015, o prefeito Paulo Garcia evitou “confrontos e conflitos” com Iris Rezende, a quem, diz pela imprensa, “admirar”. Na verdade, Paulo não esperava o rompimento de Iris e do PMDB com sua administração. A contragosto, foi obrigado a respaldar a candidatura da deputada estadual Adriana Accorsi (PT), que disputou o primeiro turno das eleições à Prefeitura de Goiânia, este ano.

 

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