Ser feliz no novo ano
Redação DM
Publicado em 30 de dezembro de 2016 às 01:23 | Atualizado há 10 anosExaminemos o atraente tema da felicidade à luz de algumas lições da Logosofia, a ciência da Sabedoria.
Em primeiro lugar, “a felicidade é algo que a vida nos outorga através de pequenas porções de bem”. Engana-se quem crê que ser feliz é atingir um estado permanente de ventura, em que tudo dá certo, em que preocupações e dores deixam de existir. É a falsa imagem de um céu sem lutas, sem as variadas alternativas que as leis da evolução impõem aos processos da Criação.
Lembro-me bem daquele vizinho que me disse, um dia, todo satisfeito:
– Saiu minha aposentadoria. Agora, sim, vou aproveitar a vida!
– O que é que o senhor vai fazer?, perguntei.
– Nada!, respondeu-me com firmeza.
As férias e o descanso só nos fazem felizes quando são um prêmio ao trabalho, ao esforço. Se ficarmos um tempo maior à toa, logo nos vem o tédio, o descontentamento. Não fosse assim, os ociosos e mendigos seriam bem felizes.
Em 2017 precisaremos ter muita coisa para fazer, muitos projetos, muitas iniciativas, se quisermos colecionar triunfos e conhecimentos capazes de nos garantir as “pequenas porções de bem” que tecerão a nossa felicidade.
Outro ponto: “A felicidade não é, não pode ser o desfrute constante do prazer…” Existe, de fato, uma diferença entre a felicidade e o mero gozo. Os seres que vivem entregues aos prazeres físicos, pelo que sabemos, nunca foram amostras válidas de pessoas realmente felizes. Basta observarmos com alguma profundidade suas vidas, para logo vermos que a insatisfação corrói também suas almas. Saibamos, pois, desfrutar com sabedoria dos prazeres da vida, sem crer que esse é o caminho definitivo para a felicidade.
Algo mais: “Em vão se buscará por toda parte a felicidade que se encontra nos dons permanentes do espírito”. As alegrias que comumente sentimos numa festa ou num show, numa atividade esportiva ou numa viagem, numa melhoria salarial ou na aquisição de um bem muito desejado, são todas externas. Dependem de fatores externos e costumam durar somente um tempo.
Muito diferentes são as alegrias experimentadas no conhecimento de si mesmo, no cultivo de um sentimento ou de uma virtude, no triunfo sobre uma deficiência psicológica, nas manifestações conscientes do próprio espírito, na prática inteligente do bem, na criação de defesas mentais e morais contra as agressões de nossa época, no conhecimento e prática da verdadeira gratidão…
Para terminar: “A Logosofia descobre o meio não propriamente de alcançar a felicidade, mas sim de construí-la em si mesmo”.
Um feliz ano novo para todos nós que sabemos que não basta desejar!
(Dalmy Gama, escritor, docente de Logosofia)