Cinema político em cena
Redação DM
Publicado em 28 de dezembro de 2016 às 01:33 | Atualizado há 1 anoO cineasta negro Raoul Peck, um grande nome do cinema político, nascido em Porto au Prince, Haiti, lança mais uma produção histórica. Ele, que já é um documentarista respeitado, oferece aos amantes do cinema filme sobre Karl Marx. O filme se passa em 1844, quando ocorre o encontro histórico entre o sociólogo alemão Karl Marx e o filho de industrial Friedrich Engels.
Engels realizava estudos sobre as péssimas condições de trabalho dos operários britânicos. Os dois começam uma parceria intelectual e política.
O papel de Karl Marx ficou a cargo de Auguste Diehl, que já atuou em filmes como Bastardos Inglórios e Trem Noturno para Lisboa. Engels será interpretado por Stefan Konarske. As filmagens se deram entre a França, a Bélgica e a Alemanha e o filme está com a estreia prevista para 15 de junho de 2017.

O cineasta Raoul Peck
O diretor Raoul Peck já realizou vários trabalhos cinematográficos, como Abril Sangrento, filme que retrata o genocídio em Ruanda. Este filme é baseado na história recente da África, narrando os acontecimentos que marcaram o genocídio em Ruanda, no ano de 1994.
Outro trabalho de Peck que será lançado em 2017 é o longa I am not your Negro (Eu não sou seu negro), realizado com base em manuscritos do escritor James Baldwin, que escreveu uma carta para o seu agente sobre o seu mais recente projeto: terminar o livro Remember This House, que relata a vida e morte de alguns dos amigos do escritor, como Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Junior. A respeito do filme ele fez a seguinte declaração: “Quando tenho pessoas que confiam em mim com seu dinheiro, estou obrigado a dar-lhes um grande filme, não estou obrigado a dar-lhes um lucro”.
Peck também é aclamado por seu documentário Lumumba – La Mort du Prophète. O filme é sobre a morte de Patrice Lumumba, o primeiro-ministro do Zaire, agora República Democrática do Congo. Além do documentário sobre Lumumba, ele também dedicou ao tema uma ficção (com Alex Descas) em 2000.
Sobre o seu país de origem, Raol Peck dirigiu o filme O Lucro e Nada Mais, que documenta os aspectos da miséria haitiana e analisa quem lucra com o sofrimento de toda uma nação. O cineasta dirige desde 2010 uma das mais famosas escolas de cinema da França.
Marx e Engels

Em 1848, os pensadores Karl Marx e Friedrich Engels apareceram com um elaborado arcabouço teórico que visava renovar o socialismo. Para tanto, realizaram um complexo exercício de reflexão sobre as relações humanas e as instituições que regulavam as sociedades. Como resultado, obtiveram uma série de princípios que fundamentaram o marxismo, também conhecido como socialismo científico.
Por meio do chamado materialismo histórico, compreenderam que as sociedades humanas viabilizam suas relações a partir da forma pela qual os bens de produção são distribuídos entre os seus integrantes. Dessa forma, as condições socioeconômicas (infraestrutura) acabavam determinando como a cultura, o regime político, a moral e os costumes (superestrutura) se configurariam.
Além disso, o pensamento marxista alega que o materialismo dialético seria uma das molas propulsoras fundamentais que alimentam as transformações históricas. Dessa forma, no momento em que um sistema econômico passa a expor os seus problemas e contradições, os homens passam a refletir e lutar por novas formas de ordenação que possam se adequar às novas demandas.
Por isso, ao avaliar os mais diferenciados contextos históricos, Marx e Engels chegaram à conclusão de que a história das sociedades humanas se dá por meio da luta de classes. Nessa perspectiva, o marxismo aponta que a oposição que se desenvolvia entre nobres e camponeses na Idade Média seria uma variante da mesma relação de conflito que, no mundo contemporâneo, ocorre entre a burguesia e o proletariado.
Pensando estrategicamente as contradições do capitalismo, Marx e Engels defendiam que a superação definitiva de tal sistema seria alcançada por uma sociedade sem classes. Contudo, para que isso fosse possível, os trabalhadores deveriam conduzir um processo revolucionário incumbido da missão de colocar a si mesmos frente ao Estado, com a instalação de uma ditadura do proletariado.
Fonte: Brasil Escola