Desativada 2

Não sei amar

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2016 às 01:32 | Atualizado há 10 anos

Quando amo, fico doente.

Sinto-me fraca, burra, demente.

E é por isso e tudo mais

Que já não embarco. Fico no cais.

 

Quando o fascínio me embriaga

Sinto-me carne, sentido. Mais nada…

Não há razão que me oriente

Pois, quando amo, fico dormente.

 

Quando Chopin me toca os ouvidos

E as borboletas dançam no estômago

Eu me reviro inteira do avesso

Dos pés à cabeça, estremeço no âmago.

 

Titubeio, Venero, tropeço.

Fragilizo, vulnerável. Retrocesso.

Emudeço. Não me meço

E transbordo, desconexo.

 

Quando eu amo, não sou eu.

Fico escrava do desejo.

Perambulo pelos becos

Vendo almas. Compro beijos.

 

Quando eu amo, vivo instável.

Viro noites, dobro tardes,

Remoendo mil demências

De consequências deploráveis.

 

E é por saber-me assim

Intransigente, ao amar,

Que construí, nos confins,

Um templo sacro distante. Um altar.

E toda vez que enlouqueço

Me isolo. Fujo. Até me reabilitar.

 

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