Cotidiano

Ano novo bom pra cachorro

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2016 às 01:24 | Atualizado há 2 anos

As celebrações de grandes datas, principalmente no final do ano, são representadas pela queima de fogos de artifícios. No mundo inteiro, o ano novo começa entre os fogos de artifícios, buzinas, apitos e gritos de alegria. A tradição é antiga e em algumas partes do mundo serve para espantar os espíritos.

Apesar da beleza da pirotecnia, a prática da queima de fogos pode ser uma agressão aos animais e às crianças. Alguns desses animais chegam a entrar em estado de total desespero e medo – sendo esse o principal motivo de fugas, acidentes, automutilação e inclusive mortes dos pets nessa época do ano.

Isso acontece porque a capacidade auditiva dos animais chega a ser quatro vezes maior do que a dos seres humanos. O barulho, além de causar medo, em alguns animais o desespero em querer fugir do barulho faz com que eles se automutilem. Foi o que aconteceu com a Nina, 10 anos, uma shitzu, de Eline Silva: “Saímos por meia hora, quando voltamos estava cheio de sangue e ela estava com as patas feridas. Unhou a porta até se machucar tentando fugir do barulho”, explica.

O médico psiquiatra Paulo Gontijo explica que as explosões de foguetes podem causar a síndrome do pânico nos animais. “Estamos em pânico, é um momento de diversão, mas ninguém liga para o pânico sentido pelos animais. Enquanto os humanos soltam fogos para festejar, os animais estão tendo sequelas e até morrendo”, relata.

A médica veterinária Ludmilla Malta, especialista em felinos, explica que a reação dos animais pode ser variada, mas que, no geral, eles sentem muito medo e desespero. Além disso, a queima de fogos pode causar aumento da pressão e até mesmo problemas cardíacos. “Os gatos e cachorros são os que mais sofrem” , alerta.

A veterinária aponta que os barulhos altos podem significar perigo. Por isso, de maneira geral, os animais tendem a fugir ou se esconder do perigo. Estrondos passam a ideia de que algo grande e poderoso se aproxima, como árvores caindo, relâmpagos etc.  Além disso, durante um espetáculo de pirotecnia, cachorros, gatos e cavalos sentem palpitações, taquicardia, salivação, tremores, sensação de insuficiência respiratória, falta de ar, náuseas, atordoamento, sensação de irrealidade, perda de controle, medo de morrer etc. O pânico das explosões também causa paradas cardiorrespiratórias, perdas auditivas e surdez. “No ano passado, durante essa época do ano, eu tive o óbito de três pacientes completamente saudáveis, a única explicação plausível para essas perdas foram os fogos”, revela Ludmilla Malta.

Daniela Bezerra tem dois cachorros e eles se comportam de maneiras distintas em relação ao barulho. É o segundo ano novo dos dois, mas Daniela já se prepara para levá-los a um local mais calmo para que eles não sofram com os barulhos. “O Beny tem medo até da própria sombra, ele sofreu muito. Tremia e passou a maior parte do tempo embaixo da cama. O Maylon latia e corria por todo o quintal quando algum foguete era estourado. Mas quando foi chegando a virada do ano, ele também ficou assustado e procurou abrigo”, informa Daniela Bezerra.

Daniela diz que utilizou a técnica de colocar algodão no ouvido dos seus animais para tentar amenizar o ruído ouvido por eles, mas neste ano irá levá-los a uma chácara distante da cidade para que eles possam ficar mais tranquilos.

Prevenção

Existem métodos e técnicas que podem ajudar os animais a se acostumarem com o barulho dos fogos. Uma delas é treinar o seu pet para que ele entenda que essa barulheira pode ser normal.

  • Conversar com um adestrador sobre o problema e começar a tratar a questão o quanto antes com treinamentos.
  • Em dias tranquilos, coloque o som de fogos para o seu cachorro ouvir e faça com que esse momento seja de brincadeira e diversão, para que ele associe o barulho a algo positivo.
  • Ficar acariciando o cachorro nesse momento não o ajuda a se ajustar ao barulho, e sim, pode estar incentivando o medo que ele está sentindo.
  • Se o seu cachorro precisa estar em seu lugarzinho seguro durante o tempo em que os fogos de artifício estão sendo soltos, deixe que ele se esconda.
  • Às vezes o som da televisão ou do ventilador ajuda a abafar o barulho dos fogos lá fora.
  • Mantenha a calma e projete essa confiança para o seu cachorro. Lembre-se que os cães são peritos em linguagem corporal e vão saber se você estiver só fingindo estar calma.
  • Colocar um algodãozinho no ouvido do cachorro para que ele não escute com tanta intensidade o barulho.
  • Colocar o cão em uma guia, sem estar apertada, para que ele não fuja.
  • Conferir o portão da sua casa. Essa atitude é importante, pois muitos cães, quando estão com medo no momento dos fogos, fogem.
  • Manter a coleira no seu cão, com identificação, assim como considerar colocar um microchip no animal.
  • Entre em contato com um homeopata para acompanhamento no tratamento de casos de ansiedade. Lembrando que nesse caso, o resultado não é imediato.
  • Sempre converse com o seu veterinário sobre o problema. Em casos extremos, o profissional responsável pode prescrever um tranquilizante para que o cachorro mantenha a calma.
  • Se possível, evite deixar seu cão sozinho em casa nas datas em que há a incidência de queima de fogos como: shows, eventos esportivos, ano novo.

Outra técnica desenvolvida, principalmente, para os cães é atá-los com um pano para que a circulação do corpo seja estimulada e, assim, amenizar as tensões e diminuir a irritabilidade.

Como fazer? É muito simples! Utilizando uma faixa de um tecido macio e firme, amarre o cachorro de modo que a faixa abrigue o peito e o dorso, e finalize dando um nó na região da coluna.

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