Câmara Municipal de Goiânia manifesta-se em apoio a perseguidos religiosos no Irã
Redação DM
Publicado em 20 de dezembro de 2016 às 01:31 | Atualizado há 10 anosA Câmara Municipal de Goiânia pronunciou-se pela defesa de Shahriar Cyrus, artista plástico e membro da comunidade da fé Baha’i, preso no Irã desde junho do ano passado. O pronunciamento foi feito após a publicação de uma reportagem especial sobre o caso, que foi veiculada no Diário da Manhã.
O artista plástico responde um processo em regime fechado e, segundo um artigo publicado no Huffington Post, está preso em uma das piores penitenciárias do Irã, na cidade de Teerã, conhecida como Evin. O crime de Shahriar Cyrus foi exclusivamente sua fé. O artista plástico foi preso em seu apartamento durante a noite pelos agentes do Ministério de Inteligência do Irã.
Shahriar, de 46 anos, é pai de uma criança de 7 anos e é membro da Comunidade Bahá’í, a maior minoria religiosa no Irã. Trata-se de uma religião pacifista que acredita na igualdade racial, na igualdade entre homens e mulheres e na livre pesquisa da verdade em todos os processos. “Foram essas mesmas crenças que levaram à prisão do meu primo no Irã, que levaram a Comunidade Bahá’í a ser impulsionadora dos debates sobre Paz e Direitos Humanos em Goiânia”, diz Sam Cyrous, familiar do pintor e ex-membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Goiás.
“Tal comunidade está presente em 178 países. No Brasil, seus integrantes residem desde 1921”, diz o documento redigido pela Câmara Municipal, e são “incentivadores do diálogo interreligioso e do combate a todo o tipo de intolerância”. O documento firmado pela totalidade dos deputados presentes no dia da recolha da assinatura será enviado ao ministro das Relações Exteriores, José Serra, “para solicitar ao governo brasileiro, com base no respeito à liberdade, que solicite à República Islâmica do Irã o fim de qualquer tipo de perseguição aos Bahá’ís e a liberação imediata de Shahriar Cyrus e outros presos políticos”.
A moção de apoio à Comunidade Bahá’í foi endereçada ao Ministro de Relações exteriores, José Serra, para solicitar ao governo brasileiro, com base no que diz respeito às leis de liberdades, que solicite à República Islâmica do Irã, o fim de qualquer perseguição aos seguidores da religião Bahá’í e a libertação imediata de Shahriar Cyrus e os outros presos religiosos.
A moção foi feita pela presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Municipal de Goiânia, a vereadora Cristina Lopes. Assinaram a moção os vereadores: Wellington Peixoto, Izidio Alves, Edson Automóveis, Denício Trindade, Pedro Azulão Júnior, Fábio Lima, Zander, Cida Garcez, Divino Rodrigues, Euder Vigor, Thiago Albernaz, Anselmo Pereira, Antonio Uchoa, Milton Mercez, Paulinho Graus, Carlos Soares, Misair Lemes, Célia Valadão, Paulo da Farmácia, Jorge do Hugo, Geovani Antônio, Fábio Caixeta, Djalma Araújo, Paulo Borges, Rogério Cruz, Elias Vaz, Richard Nixon, Paulo Magalhães, Clécio Alves, Deivison Costa e Tatiana Lemos.
Neste momento existem cerca de 150 bahá’ís presos em todo o Irã, incluindo todos os sete membros do extinto grupo de liderança servindo à Comunidade Bahá’í do Irã. A constante ameaça de ataques a residências, prisões e encerramento de 132 lojas estão entre as perseguição aos bahá’ís no Irã.
Diversos políticos goianos e brasileiros já manifestaram indignação à perseguição religiosa sofrida pelos adeptos da religião Bahá’ís. O ex-presidente da comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa Mauro Rubem já se pronunciou sobre o caso das prisões e torturas que acontecem no Irã. Através de petição encabeçada pelo deputado e participação de todos os parlamentares, a Assembleia enviou ao governo federal, à embaixada do Irã, ao Palácio do Itamaraty e ao Congresso Nacional um comunicado em que se manifesta contrária à prisão dos religiosos pelo governo daquele país.
A vereadora e atual presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos vereadores, Cristina Lopes, lamenta a prisão de Shahriar Cyrous e de outros religiosos. “Antes de ser presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Municipal de Goiânia, eu sou um ser humano que luta diariamente para que os direitos de todos os cidadãos sejam respeitados. Sou contra qualquer cerceamento de liberdade individual e essa situação, que fica cada vez mais grave no Irã, precisa ser combatida pelas autoridades internacionais competentes. Não é possível que pessoas sejam condenadas apenas por ter uma crença que difere da maioria. Conheço a comunidade Bahá’í de Goiânia e espero que a situação dos seguidores dessa crença que estão presos no Irã seja resolvida o mais rápido possível”, afirma Cristina Lopes.