Iris: “Meu desafio é não ser igual ao que já fui, é ser melhor”
Redação DM
Publicado em 17 de dezembro de 2016 às 02:23 | Atualizado há 2 anos- Prefeito, vereadores e suplentes eleitos foram diplomados pela Justiça Eleitoral em ato festivo
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) diplomou, ontem, o prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), além dos 35 vereadores e 39 suplentes. A solenidade comprova que todos eles estão aptos a tomar posse dos cargos no dia 1º de janeiro de 2017.
Hora de inovar
Em seu discurso ao ser diplomado, Iris Rezende, 82 anos de idade e 58 de carreira política, agradeceu o apoio da Justiça Eleitoral, dos partidos, dos políticos e dos eleitores e disse que a meta para o seu governo, a partir de 1º de janeiro de 2017, é inovar na administração. “Meu desafio nesse mandato é não ser igual ao que já fui. É ser melhor. E eu aceito esse desafio, porque nunca na minha vida me acomodei. Sempre entendi que é preciso avançar, ir em frente, porque a caminhada é estimulante. Meu compromisso é com o futuro”, afirmou.
O prefeito eleito destacou que quer fazer da Capital uma cidade com melhor qualidade de vida. “Minhas forças já estão voltadas totalmente para o futuro da nossa capital. Sou Goiânia acima de tudo. Sou cada goianiense ávido por uma administração competente e que faça uma administração que transforme Goiânia no melhor lugar do mundo para se viver. Sou o goianiense que quer melhor qualidade de vida”, completou.
Vaias e aplausos
Durante o discurso do peemedebista, um grupo de estudantes que está acampado no Campus da UFG criticou a PEC 55 aprovada pelo Congresso Nacional e cobrou apoio à educação no País. Não foram críticas ao prefeito eleito e sim às políticas públicas do governo Temer. O prefeito eleito chegou a interromper por alguns segundos sua fala até que as vaias e palavras de ordem terminassem. Por sua vez, o público presente, a maioria seguidores dos vereadores eleitos, aplaudiu Iris Rezende. Após o protesto, os alunos deixaram o local.
Em nome dos 35 vereadores eleitos, discursou Cristina Lopes (PSDB), que defendeu um “pacto em prol de Goiânia”, acima dos partidos políticos, para resolver os “graves problemas” administrativos atualmente existentes na cidade. O vereador mais votado de Goiânia, Jorge Kajuru (PRP), foi o mais aplaudido, depois de Iris Rezende. Kajuru cumprimentou o senador Ronaldo Caiado com um beijo na mão. O vereador Sargento Novandir (PTN) subiu ao palco para exibir uma faixa com os dizeres: “Nota zero para a corrupção”.
A diplomação dos eleitos, realizada no Centro de Eventos Ricardo Bufáiçal da Universidade Federal de Goiás (UFG), reuniu autoridades, como o senador Ronaldo Caiado (DEM), o prefeito eleito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PMDB), e o atual administrador da cidade, Maguito Vilela (PMDB), o presidente eleito do Tribunal de Justiça de Goiás, Gilberto Marques Filho, deputado federal Daniel Vilela. O governador Marconi Perillo (PSDB) foi representado pelo secretário Tayrone Di Martino (Governo) e o prefeito Paulo Garcia (PT) foi representado pelo procurador geral do Município, Cairo Freitas. Emocionado, Iris Rezende recebeu o diploma ao lado dos netos Mariana e Daniel. Iris Araújo, ex-deputada federal e mulher de Iris, esteve presente.
O juiz Carlos Magno Rocha da Silva, da 1º Zona Eleitoral de Goiânia, ressaltou que os diplomados estão aptos a assumir os cargos. “A legislação diz que, no ato da diplomação, todos os processos já devem ter sido julgados, então eles não têm processos pendentes. Porém, podem acontecer recursos que posteriormente serão julgados, mas no momento nada impede que eles tomem posse no dia primeiro”, explicou.
Sem vice-prefeito
Eleito vice-prefeito na chapa de Iris, Major Araújo (PRP) anunciou sua renúncia, no último dia 5, e, por isso, sequer compareceu à solenidade. Antes da diplomação, o novo prefeito disse, em entrevista à imprensa, que a saída do vice não vai atrapalhá-lo na administração da Capital. “A função do vice é substituir o titular nas suas ausências. Da última vez que fui prefeito, eu trabalhei cinco anos e três meses e não viajei um dia sequer. De forma que espero, lamentando a ausência de um vice-prefeito, exercer meu papel sem nenhum impedimento”, disse Iris.
Apesar do anúncio, a formalização da renúncia de Araújo não tinha sido feita, segundo o juiz da 1ª zona eleitoral, Carlos Magno da Rocha Silva. “Na Justiça Eleitoral ainda não entrou nenhum pedido formal da desistência, para que pudesse ser homologada”, disse. Segundo ele, caso decida assumir o cargo depois, o vice eleito pode ser diplomado posteriormente. Agora, se ele realmente desistir, em caso de ausência do prefeito, fica responsável pela administração municipal o presidente da Câmara de Vereadores, que será escolhido no dia 1º de janeiro.
Câmara Municipal
Questionado sobre a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia, Iris Rezende afirmou que espera que os vereadores saibam decidir bem o futuro do Legislativo da Capital. “Estou certo que os vereadores, sobretudo aqueles que me apoiam, saberão escolher bem os destinos da Câmara Municipal de Goiânia”, destacou.
Trajetória de Iris
Iris Rezende (PMDB) foi eleito pela quarta vez prefeito de Goiânia, dia 30 de outubro, em segundo turno.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das urnas apuradas, ele recebeu 57,70% dos votos válidos (379.318), vencendo o seu oponente, Vanderlan (PSB), que obteve 42,30% dos votos (278.074).
O peemedebista tem 82 anos e nasceu em Cristianópolis, na região sul de Goiás. Em 1949, mudou-se com a família para Goiânia, onde começou sua militância política ainda na adolescência. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Goiás (UFG) e, um ano depois, em 1959, foi eleito vereador. Na época, o candidato com maior número de votos e mais jovem da história da Capital, aos 25. Em 1962, foi eleito deputado estadual e, em 1965, assumiu a Prefeitura de Goiânia, mas foi cassado pela ditadura militar antes que o seu mandato chegasse ao fim.
Durante o período em que ficou fora da administração, Iris Rezende, montou um escritório de advocacia. Após o fim da ditadura militar, ele foi eleito governador por dois mandatos, governando o Estado de 1983 a 1986 e de 1991 a 1994.
Entre as duas administrações, ele foi ministro da Agricultura do governo de José Sarney (PMDB), de 1986 a 1990. Em 1994, Iris foi eleito senador da República e, no meio de seu mandato, em 1997, assumiu o ministério da Justiça durante um ano, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
O último cargo público ocupado por Iris foi o de prefeito de Goiânia. Ele foi eleito em 2004 e reeleito em 2008, mas abandonou o cargo em 2010 para disputar ao governo estadual. Tanto nas eleições 2010 quanto em 2014, ele foi derrotado por Marconi Perillo (PSDB).
Em julho de 2016, Iris anunciou o fim de sua carreira política de quase 60 anos. Na ocasião, citou, entre os motivos, a derrota nas eleições para o governo estadual, em 2014, quando perdeu pela segunda vez. No entanto, dias depois, resolveu voltar atrás e lançar seu nome à Prefeitura de Goiânia.
Íntegra do discurso de Iris Rezende

“O evento de hoje é o que podemos chamar verdadeiramente de festa da democracia. Ele sintetiza a soberania popular na escolha dos poderes Executivo e Legislativo de Goiânia, afirmando a prática do regime democrático e nos levando à reflexão sobre seu significado dentro de cada um de nós.
Nos últimos meses, assistimos a comprovação da maturidade política em nossa Capital, bem como a eficiência do Tribunal Regional Eleitoral, que cuidou com muita lisura para que todo o processo sucessório acabasse como motivo de orgulho para os goianienses. Vimos ainda a condução absolutamente competente da Justiça Eleitoral que, ao lado dos mais de 700 mil eleitores da nossa cidade, alicerçou mais uma vez nossa democracia.
E não podia passar despercebido o fato de que temos uma sociedade desperta. Todos estão sendo chamados para mudanças necessárias nas práticas políticas que o tempo cuidou de deteriorar.
Chegamos ao ponto em que as ruas são a única saída para que possamos restaurar a dignidade de nossas famílias. E é por isso que nós, diplomados, temos uma responsabilidade imensa pela frente.
Temos que respeitar a vontade do povo, e mais do que isso: temos que trabalhar incessantemente para corresponder às expectativas daqueles que nos trouxeram até este momento impar. Eu só estou aqui porque respeito o povo de Goiás e de Goiânia. E sinto que, da mesma forma, sou respeitado. Foi o povo que me convocou para assumir a responsabilidade de retribuir a esta cidade tudo quanto ela já me deu.
E olha que me deu muito: me deu o alicerce de uma vida pública que chega a mais de 50 anos. E eu não podia ignorar esta convocação. Convocação que ficou clara no resultado das urnas.
Fui convocado para conduzir, mais uma vez, os destinos de Goiânia. Ou melhor: fomos convocados. O povo e eu, porque somos um só em todos os instantes. O povo e eu vivemos em estado de mutirão permanente de sentimentos, ideais e dedicação um ao outro. Trabalhos juntos, construímos juntos, vencemos o desafio do pleito juntos e comemoramos juntos, como nossos antepassados faziam ao final de um dia em que a solidariedade humana falava mais alto e produzia frutos na roça, para as famílias, mas principalmente fazia brotar vida renovada em nossos realizados corações.
Meu desafio, neste mandato, não é ser igual ao que já fui. É ser melhor. E eu aceito este desafio porque nunca na minha vida me acomodei. Sempre entendi que é preciso avançar, ir em frente, porque a caminhada é estimulante.
Meu compromisso é com o futuro. Como em todos os meus mandatos e em todos os meus desafios como homem público, meu olhar é para o horizonte, nunca, jamais, para o chão.
Dou valor ao passado porque a história precisa ser contada e vivida do início ao fim. Porque tudo que carrego é parte do que sou, do que serei e do que sonho fazer a cada novo dia. Meu passado me define e me motiva. Mas é no futuro que encontro forças para erguer cada tijolo do presente.
E minhas forças já estão totalmente voltadas para o futuro na nossa querida Capital. Pois sou Goiânia acima de tudo. Sou cada goianiense ávido por uma administração operosa, que arrume a cidade e faça daqui o melhor lugar do mundo para se viver. Sou o goianiense que quer qualidade de vida e que quer isso agora. Sou o goianiense que não abre mão da democracia para viver. Senhoras e senhores, contem comigo sempre para a defesa dos interesses do povo, aqui na cidade e em todo o País. Sou todo ouvidos, e sou também um homem destinado a fazer. Façamos juntos, portanto, a nossa parte: sejamos justos, dedicados, intransigentes com a transparência, e decididamente imbuídos dos valores morais que fazem a vida valer a pena.”
Primeiros nomes do secretariado serão conhecidos dia 27 deste mês


Antes da solenidade, o prefeito eleito Iris Rezende, em entrevista à imprensa, revelou que já começou a escolher os seus secretários, mas ainda não divulgou os nomes. “Estamos trabalhando, juntando nomes, porque quando eu decido a escolha, faço relações enormes para cada secretaria, procurando escolher sempre o melhor. Prestigio o mundo político e técnico, mas nunca componho um governo para atender interesses. Tenho na intimidade inúmeros nomes, mas sempre esperando, quem sabe, encontrar um até melhor”, explicou.
A reportagem do Diário da Manhã apurou que, dia 27 próximo, Iris Rezende deverá anunciar os primeiros nomes de sua equipe de governo e serão conhecidos os secretários da Educação, Saúde, Finanças e o presidente da Comurg.
A ex-deputada federal Dona Iris deverá assumir uma secretaria na Prefeitura de Goiânia, na gestão do marido Iris Rezende (PMDB), a partir de 2017. No Twitter, ela confirmou que recebeu convite. “Convite de Iris para ocupar secretaria é missão que implica em muito sacrifício pessoal. Melhor não comemorar antes da hora. Só trabalho”. Ela não sinalizou qual pasta será.
Dona Iris disse que não pretende receber salário. “A quem interessar possa: sem salário e nem gratificação. Gosto de atuar livre, sem amarras e condicionamento. Sei que poderei ajudar muito”, escreveu na rede social. Até o momento, o prefeito eleito não revelou o nome de nenhum secretário que integrará sua equipe de governo.